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Atitude

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Padrinhos mágicos

Adriano de Lavor


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27/01/2007 15:03

A vida inteira eu ouvi dos meus irmãos: "sorte a sua, que tem ótimos padrinhos!" Sem entrar no mérito das comparações, tenho mesmo. É que meus pais escolheram bem a dupla que iria me acompanhar. Como "ponta de rama" do clã, meu irmão mais velho - que chamo de Lavorzinho - foi designado para o posto, que dividiu, sempre com muita simpatia, com a melhor amiga de minha mãe, Maria Júlia Mamede.

E os dois sempre deram conta do recado. Meu irmão dispensa comentários. Carinho em pessoa, nunca impediu que a confusão que eu fazia em sua prancheta de arquiteto - organizadíssima, sempre - me limitasse a curiosidade infantil manifestada pelo mundo mágico das canetas, lapiseiras, revistas e adesivos com os quais trabalhava. Paciente e cuidadoso, gravou inúmeras fitas K7 que me apresentaram boa parte da trilha sonora da minha vida, na minha adolescência. Nossa amizade sempre foi embalada pelo bom e velho rock´n roll.

Minha madrinha é daquelas pessoas que são impossíveis de o sujeito não simpatizar. Dona de um senso de humor requintadíssimo, ela e minha mãe mantêm uma amizade que já comemorou bodas de prata. É figura queridíssima por toda a família. Na minha memória, vêm nítidas as imagens das visitas que ela fazia a nossa casa, sempre muito perfumada. Carregava na bolsa seu próprio cinzeiro - o que eu achava o máximo! - e tinha uma maneira deliciosa de encarar a vida. Ainda hoje imito sua irresistível gargalhada!

Conheço gente que nem sabe direito quem são seus padrinhos. Falta de sorte. Padrinhos são pai e mãe com açúcar! Tenho a sorte de ainda hoje, adulto, poder contar com a amizade presente destes dois. Sempre me apoiaram e me incentivaram a trilhar meus caminhos, assegurando-me sua companhia e seu apoio. Espero repetir o exemplo com meu afilhado...

Até porque, hoje em dia, esta função é quase sempre entendida como aquela a ser desempenhada por aqueles que garantem caros presentes. Não é assim. Afeto não se encontra disponível no mercado. Ou se conquista ou não se tem. Mesmo sem ter sido acostumado a "tomar a bênção", percebi muito cedo que aqueles dois muito teriam para me acrescentar como pessoas, como exemplos a serem observados. Não me arrependi. Ainda bem!


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