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Atitude

ATITUDE

Os gêneros à prova de roupa

Adriano de Lavor


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06/01/2007 13:47

Certa vez ouvi alguém dizer que por trás de todo homem machista se escondia uma mulher, que o incentivava. Apesar de considerar o próprio comentário pra lá de machista, não pude deixar de lembrar destas palavras ao me deparar com a cena que presenciei dias destes, em pleno comércio carioca. Em uma loja de artigos de praia, o ouvido de repórter captou - é inevitável escutar partes de diálogos alheios, quando se é curioso por profissão - quando a vendedora quis saber: "qual é o tamanho que você veste?"

O interlocutor, por volta de 30 anos, nem se deu o trabalho de responder. Digitou alguns números em seu celular e logo ordenou, sem nem se dar o trabalho de dizer "olá": "mãe, diz aí qual é o tamanho da minha sunga". Não sei se o leitor vai concordar comigo, mas achei aquilo, em primeiro lugar, extremamente grosseiro. Fosse mãe, mulher ou qualquer outra pessoa, ninguém está às ordens de ninguém.

Além disso, considerei aquele comportamento um verdadeiro atestado de imbecilidade. Um adulto que ainda precisa da mãe para saber que tamanho veste... Não deve saber nem servir o prato que come! Mas isso também é culpa dela, pensei eu, naquele momento. Imediatamente, lembrei de quantas vezes já me irritou ter que pedir licença a mães e esposas que insistem em se postar, autoritárias, à porta de provadores masculinos. São elas que "aprovam" as suas escolhas!

Se isso é ruim para os homens, o mesmo vale para as mulheres que, acreditando no "poder" desta dependência, não percebem o quanto são apenas coadjuvantes na vida real destes marmanjos. Em pleno século XXI, homens e mulheres devem estar conscientes do papel que exercem na sociedade, deixando de lado estereótipos que já não funcionam nem mesmo na mais antiga novela das seis.

Se há desigualdade de oportunidades, isto se dá porque há concordância entre os dois lados. Enquanto as mulheres se conformarem em assumir apenas as tarefas domésticas e a decidir o que os homens irão vestir, estarão estes prontos a deixá-las à parte das decisões importantes que movem o mundo - bem distantes dos provadores de roupa.

É óbvio que isso não representa a maioria das mulheres do planeta, mas não custa perceber que é em casa que se erguem as bases dos comportamentos que exercitamos na vida em sociedade.


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