Adriano de Lavor
24/06/2006 17:38

Pode olhar ao redor. Há uma parcela enorme de pessoas que não têm a menor idéia do que irão fazer, quando as urnas eletrônicas se apresentarem, cívicas, à espera do seu voto. Nem a reeleição de Lula, nem a aceitação de Alckmin, nem o desafio de Heloísa Helena. Falta, na verdade, aquilo que nunca houve: um nome realmente preparado e bem intencionado, que sinalize para as essenciais mudanças que a sociedade brasileira exige. Não por acaso, assiste-se a um duelo midiático de poucos candidatos que operam sob a mesma ótica e que - nem de longe - representam mudança efetiva nos quadros da política nacional. São campeões de audiência, por excelência. Existem com maior efetividade nos discursos virtuais do que nas práticas reais. O perigo é que esta ausência de nomes e de propostas seja maquiada por brilhantes campanhas eleitorais e que no final fique-se com a sensação desagradável de ter optado pelo "menos ruim".
E o pior: corre-se o risco, ainda, de que a opção menos dolorosa seja deixar tudo em "brancas nuvens" ou anular-se do processo. Tipo alea jacta est (a sorte está lançada) à brasileira, onde tudo pode acontecer. E se Parreira trouxer o hexacampeonato, então...
Pantográficas
* A banda cearense Montage gravou participação no Gordo Freak Show, da MTV, último 21. Na comunidade que mantêm no Orkut, os fãs do trio bombaram a disputa por convites para acompanhar a gravação.
* Assim, nem Bono Vox ajuda. A guitarra que foi doada pelo vocal engajado do U2 ao programa "Fome Zero" ainda continua guardada em Brasília, desde fevereiro. O colunista Ancelmo Góis cobrou e o Planalto marcou o leilão para agosto. Quem quer saber de doação que não rende votos?
* 2,5 milhões de pessoas foram à avenida Paulista, última semana, participar da 10ª Parada do Orgulho GLBT. Incrível como tanta gente consegue consumir tanto, sem, contudo, avançar no que diz respeito a conquistas políticas efetivas. Com exceção das leis anti-discriminação aprovadas - e pouco respeitadas - em alguns estados da federação, o grupo caminha sem força na esfera das decisões práticas. Parceria civil, por exemplo, é tipo corrida de tartaruga. Muita gente ganha os holofotes, enquanto o projeto não sai do lugar em Brasília. Hora de reavaliar estratégias. Cidadania também é para quem não pode pagar (caro) por isso.
* E Bussunda levou parte da alegria inteligente do Brasil para os registros da memória.
* Quando é que israelenses e palestinos vão demonstrar real interesse na resolução de seus conflitos? Os acontecimentos desta semana nos levam a crer que esta peleja parece mesmo é briga de irmãos birrentos: nem sabem mais qual o motivo de discórdia. Pena não terem a mãe que tenho, que bem diria: "Não quero nem saber quem começou. Apanham os dois".
Desencanto
"Chorei por três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite."
Caio Fernando Abreu, em Lixo e purpurina
Vale morrer?
Não se sabe o que é pior: o monopólio da Globo na transmissão dos jogos da Copa do Mundo ou a corrida desesperada das concorrentes em acompanhar o ritmo da emissora carioca. De um lado, o telespectador tem zero opções, caso não manifeste interesse pelo esporte bretão - ou não suporte a falácia "especialista" de Galvão Bueno, a intromissão sem vergonha de Ana Maria Braga e os comentários equivocados sobre política internacional perpetrados por quem quer - e não tem o que falar. De outro front, as outras emissoras embarcam na fantasia das notícias de bastidores - que não se justificam, já que não interessam (são mesmo notícias?). O negócio é, para quem pode, apelar para a TV paga.
Vale pagar?
Quer contratar o mecânico bonitão de Belíssima para um evento? Prepare a carteira. No mercado de cachês das celebridades, Reynaldo Gianecchini vai muito bem, obrigado. Já cobra R$ 45 mil para estar presente em uma festa e ilustrar o ambiente por apenas duas horas.