Aos Vivos
Barack Obama, um "prefeito decente"
Tarcísio Matos
08 Nov 2008 - 17h36min
Sessenta e cinco anos de xiquexique, sabiá e unha de gato nos peitos. É Zé Bernaldo, vaqueiro do cumpade Totonho. Das coisas do sertão, é dotô sem deploma. A tapeçaria de lajedo de Santo Antônio da Bocona testemunha a sabedoria e a brabeza desse bom matuto.
Zé Bernaldo tá obrando e andando pra qualidade de ser humano que bole com a natureza "mode ganhá o dinhêro todo do mundo". É bicho que dá arrelia, magote de inseto gasturento. Bernaldo não vê TV, tá nem aí pro rádio. "Jornal, só pra imbrui de pêxe".
Confidente de Totonho, é curto e grosso: sim, sim; não, não. Ou concorda ou 'disconcorda'. "Ou é ou deixa de é". E fidelíssimo ao patrão, que faz dos ouvidos do humilde vaqueiro penicos sem tampa.
Nas eleições municipais passadas, como em todo acontecimento maior, foi de novo todo ouvidos. Totonho colocava Zé a par de tudo que rolava - da convenção de seu partido ao pleito de 5 de outubro.
Meu cumpade contou as estratégias de governo dos candidatos em disputa, mãos de peia e metas, comícios e adesões. Por fim, as eleições, os resultados e a grande vitória do candidato de Totonho a prefeito, dr. Dagmar.
Prefeito Dagmar pra cá, Dagmar prefeito pracolá. Dr. Dagmar na janta, Dagmar na hora do terço. De cada 10 palavras, 11 eram Dagmar, prefeito recém-eleito de Santo Antônio da Bocona.
Quarta-feira passada (5/11), Totonho chega à fazenda com papo historicamente diferente - pelo menos pro vaqueiro, cujo limite era o prefeito, dr. Dagmar. Animado por ventos novos de esperança vindos dos EUA...
- Zé Bernaldo, vaqueiro amigo! Enfim, Barack Obama foi eleito!
- E foi?!?
- Foi! Primeiro negro na Casa Branca...
Inocente, puro e besta, Bernaldo, amolando a foice no terreiro de casa, tira o cigarro de palha no canto da boca, coça o quengo. Pensamento no recém-eleito dr. Dagmar, responde com doce pergunta:
- Esse decente é prefeito dadonde mesmo, hein?
Te cuida, Beviláqua!!!
Companheiro Antônio Luiz na aula de Direito Penal. Professor pergunta à classe como se dá o nome da pessoa que matou o pai e a mãe. Antônio, que acabara de ler a matéria com o colega Cláudio Bala, levanta o braço e dispara:
- Órfão!!!
EFEITO DOMINÓ
DE LIVROS, TRAÇAS E REAIS
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
A Bienal do Livro está aí abrindo as portas, escangalhando as lombadas, espalhando o cheiro de tinta e papel no ar e a sabedoria nas cabeças. É uma grande festa de reencontro, da aproximação autor/leitor. É, também, um sebão disfarçado que queima velhos estoques de coisas que não vendiam antes por inúteis. Mas faz parte.
É tempo, igualmente, de refletir neste objeto renitente que não morreu mesmo com a invasão dos computadores nos lares, uma vitória recontada com graça pelo Mestre Ariano Suassuna em suas andanças por aí.
A culpa, em parte, foi de um tal Gutenberg que achou de, no século XV, inventar, por preguiça ou clarividência, umas letrinhas cunhadas na madeira. Antes o pensamento era transmitido através das tabuletas de barro dos assírios, do papiro dos egípcios, do papel dos chineses, introduzido no ocidente pelos árabes. Do tijolo pro rolo e daí pro caderninho.
Com o livro (bens sempre trazem males) nasceram bichinhos daninhos, os papirófagos e as traças. Mas o maior devorador de livros tem sido mesmo o bicho-homem. Faz e consome, embora, como em toda transação da humanidade, tenha inúmeros atravessadores pelo árduo caminho.
Uma coisa puxa outra, nasceram concomitantemente as bibliotecas. Nínive, Alexandria, Pergamo. Depois preservaram-se os livros nos grandes mosteiros e hoje em bibliotecas públicas e coleções particulares.
Houve tempo em que, à medida que se fabricavam livros, com igual intensidade, queimavam-nos. Hoje, pode-se dizer, há muitos livros e poucos leitores. Há um erro fácil de detectar que os responsáveis tentam encobrir, de certa forma, com a promoção de grandes feiras, mais mercantilistas que culturais. Mas sobra alguma coisa.
Com a facilidade gerada pelos meios de produção de hoje, o autor tem mais possibilidade de ver sua obra publicada. Na verdade, muito se tem editado. De bom e de sofrível, é natural. Mas ainda há carência de um maior incentivo ao autor independente e a Bienal é um motivo para se refletir sobre isso.
Bom, se o livro vai acabar, fiquem certos que não. Na historinha contada por Ariano consta que alguém teria falado: Escreveram um livro dizendo que o livro acabou. Ora essa!
CHARADAS NOVÍSSIMAS
> A pedra do órgão afeta o TECIDO. 1-1
> O cacto alimentava o boi no QUILOMBO. 2-1
> Na Caldéia se ama os laços DA CIDADE. 1-1-1
> Dividido em cima do SAMBÃO. 3-2
> Um maior bamba ACADÊMICO. 1-1-1
Respostas Anteriores:
RETÓRICO - PIMENTA - ÍCARO - DIAGRAMA - ÉBRIO
Zé Bernaldo tá obrando e andando pra qualidade de ser humano que bole com a natureza "mode ganhá o dinhêro todo do mundo". É bicho que dá arrelia, magote de inseto gasturento. Bernaldo não vê TV, tá nem aí pro rádio. "Jornal, só pra imbrui de pêxe".
Confidente de Totonho, é curto e grosso: sim, sim; não, não. Ou concorda ou 'disconcorda'. "Ou é ou deixa de é". E fidelíssimo ao patrão, que faz dos ouvidos do humilde vaqueiro penicos sem tampa.
Nas eleições municipais passadas, como em todo acontecimento maior, foi de novo todo ouvidos. Totonho colocava Zé a par de tudo que rolava - da convenção de seu partido ao pleito de 5 de outubro.
Meu cumpade contou as estratégias de governo dos candidatos em disputa, mãos de peia e metas, comícios e adesões. Por fim, as eleições, os resultados e a grande vitória do candidato de Totonho a prefeito, dr. Dagmar.
Prefeito Dagmar pra cá, Dagmar prefeito pracolá. Dr. Dagmar na janta, Dagmar na hora do terço. De cada 10 palavras, 11 eram Dagmar, prefeito recém-eleito de Santo Antônio da Bocona.
Quarta-feira passada (5/11), Totonho chega à fazenda com papo historicamente diferente - pelo menos pro vaqueiro, cujo limite era o prefeito, dr. Dagmar. Animado por ventos novos de esperança vindos dos EUA...
- Zé Bernaldo, vaqueiro amigo! Enfim, Barack Obama foi eleito!
- E foi?!?
- Foi! Primeiro negro na Casa Branca...
Inocente, puro e besta, Bernaldo, amolando a foice no terreiro de casa, tira o cigarro de palha no canto da boca, coça o quengo. Pensamento no recém-eleito dr. Dagmar, responde com doce pergunta:
- Esse decente é prefeito dadonde mesmo, hein?
Te cuida, Beviláqua!!!
Companheiro Antônio Luiz na aula de Direito Penal. Professor pergunta à classe como se dá o nome da pessoa que matou o pai e a mãe. Antônio, que acabara de ler a matéria com o colega Cláudio Bala, levanta o braço e dispara:
- Órfão!!!
EFEITO DOMINÓ
DE LIVROS, TRAÇAS E REAIS
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
A Bienal do Livro está aí abrindo as portas, escangalhando as lombadas, espalhando o cheiro de tinta e papel no ar e a sabedoria nas cabeças. É uma grande festa de reencontro, da aproximação autor/leitor. É, também, um sebão disfarçado que queima velhos estoques de coisas que não vendiam antes por inúteis. Mas faz parte.
É tempo, igualmente, de refletir neste objeto renitente que não morreu mesmo com a invasão dos computadores nos lares, uma vitória recontada com graça pelo Mestre Ariano Suassuna em suas andanças por aí.
A culpa, em parte, foi de um tal Gutenberg que achou de, no século XV, inventar, por preguiça ou clarividência, umas letrinhas cunhadas na madeira. Antes o pensamento era transmitido através das tabuletas de barro dos assírios, do papiro dos egípcios, do papel dos chineses, introduzido no ocidente pelos árabes. Do tijolo pro rolo e daí pro caderninho.
Com o livro (bens sempre trazem males) nasceram bichinhos daninhos, os papirófagos e as traças. Mas o maior devorador de livros tem sido mesmo o bicho-homem. Faz e consome, embora, como em toda transação da humanidade, tenha inúmeros atravessadores pelo árduo caminho.
Uma coisa puxa outra, nasceram concomitantemente as bibliotecas. Nínive, Alexandria, Pergamo. Depois preservaram-se os livros nos grandes mosteiros e hoje em bibliotecas públicas e coleções particulares.
Houve tempo em que, à medida que se fabricavam livros, com igual intensidade, queimavam-nos. Hoje, pode-se dizer, há muitos livros e poucos leitores. Há um erro fácil de detectar que os responsáveis tentam encobrir, de certa forma, com a promoção de grandes feiras, mais mercantilistas que culturais. Mas sobra alguma coisa.
Com a facilidade gerada pelos meios de produção de hoje, o autor tem mais possibilidade de ver sua obra publicada. Na verdade, muito se tem editado. De bom e de sofrível, é natural. Mas ainda há carência de um maior incentivo ao autor independente e a Bienal é um motivo para se refletir sobre isso.
Bom, se o livro vai acabar, fiquem certos que não. Na historinha contada por Ariano consta que alguém teria falado: Escreveram um livro dizendo que o livro acabou. Ora essa!
CHARADAS NOVÍSSIMAS
> A pedra do órgão afeta o TECIDO. 1-1
> O cacto alimentava o boi no QUILOMBO. 2-1
> Na Caldéia se ama os laços DA CIDADE. 1-1-1
> Dividido em cima do SAMBÃO. 3-2
> Um maior bamba ACADÊMICO. 1-1-1
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RETÓRICO - PIMENTA - ÍCARO - DIAGRAMA - ÉBRIO
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