Aos Vivos
O dia em que "Carnaúba" tocou "Aldeon" de "Jacob do Tamborim"
Tarcísio Matos
01 Nov 2008 - 18h06min
De batismo ele é Felipe. Quase ninguém conhece. Se, porém, chamarmos por Macaúba, ah! Sem dúvida, o ilustre filho de Apuiarés é o mais celebrado bandolinista do Estado. Velho e bom Macaúba, o querido Zé!
Morou com os pais durante anos na Vila dos Industriários, quando se iniciou no instrumento de Jacob e nas biritas do Barnabé. Foi freguês da dona Heloísa, banhou-se na lagoa do João Maia, passeou nas calçadas do Júlia Jorge.
Falando nisso, estávamos a ouvir bom chorinho (e belíssimas valsas) com ele e Sardinha, no bar da Claudete, em São Gerardo, quando de Felipe ouvimos hilariantes marmotas.
A primeira: enquanto uns dão flores, perfumes, cartões de crédito por conta do cão e outros mimos pra mulher enfezada na tentativa de fazer as pazes, Macaúba leva quentinha com torresmo pra sua musa.
Outra: anos atrás, ligou pro Sardinha, aos prantos, a lamentar que uma de suas netas dar-lhe-ia, em breve, o primeiro bisneto. Alegre e também "lamentoso" com a novidade (a menina era bem novinha), disse assim:
- Sardinha, acertaram minha netinha!
A última: era músico do Bar da Jia, dentre as décadas de 60 e 70. Um cliente quis dar uma de Nelson Augusto e melou a vara. No verso duma comanda, escreveu pedindo que Macaúba tocasse Odeon, de Ernesto Nazareth.
Mas, o que repousava no papel era apenas uma caricatura do que realmente pretendia ouvir o cliente. O bilhete continha o seguinte:
- Caro 'Carnaúba', toque por favor 'Aldeon', de 'Jacob do Tamborim'.
"Rabeludo" à moda um Beatle
EJA - Programa de Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação. Um senhor aluno tá lá se ilustrando, e vai sair doutorzinho! Cleomâncio Pires é o cara.
Já aprendeu o suficiente para, interligado às modernas tecnologias, sugerir que os três primeiros netinhos tivessem nomes em rede mundial: Web Wagner, Soft Washington e Link William.
Aprendeu até que "já existe" fogão elétrico de seis bocas! Daí foi comprar um nas lojas Vaia. Pagou, na ruma, 700 contos. Levou o bichão, ele mesmo, na carroceria da picape. Colocou na cozinha, alegre que só pinto. Ligou a tomada.
E haja Cleomâncio a apertar o botão de acender o fogo e haja e haja! Nada. Só se ouvia aquela zoadinha de unha grande arrastando em calçada. A mulher, escolada, chega, vê a arrumação, entende o quadro. Fala carinhosa:
- Cléo, o fogão é elétrico, mas num dispensa o botijão de gás não, viu?
- Conversa é essa, mulher!?!
- Compre um bujão, ligue no fogão e aí ele se acende!
Voltemos ao Cleomâncio na sala de aula do EJA, em Paramoti. O ponto era Português; o capítulo, adjetivos. Para dar seus exemplos, a professora toma por personagem um certo Rabelo, bonequinho que ilustra o livro. A "tia" faz a colocação e, em seguida, pergunta:
- Se Rabelo tá com o cabelo caindo nos ombros de tão compridos, então ele tá?...
- 'Rabeludo', professora! Bem 'rabeludim'!
EFEITO DOMINÓ
MILAGREIROS SANTOS DE CASA
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Naquele tempo os santos enchiam os calendários de tinta vermelha, tinha dia que havia pra mais de cinco e ainda sobrava bem-aventurado. E foi aí que a Igreja instituiu o Dia de Todos os Santos, onde entrava até São Nunca e a baía do descobrimento que tinha foros de feriado nacional, tamanha a importância. Aí a Santa Madre cassou (era moda) alguns desses cargos de confiança vitalícios, destronou São Jorge do alto de seu corcel branco alunizado, bem como outros colegas barnabés; enquanto o Estado reduzia o número de feriados cativos a bem da economia, da moral e da boa imagem. E todos os santos foram para o beleléu. Já bastava o vizinho, dia de finados.
Este, então, é o dia em que mais se vendem velas e flores em todo o território, nos portões dos necrotérios, nas calçadas das chamadas morgues, nas antigas ruas das flores. Em Juazeiro do Norte, então, é um despautério. Lágrimas abundantes nos olhos e nos cotos recicláveis. E muito pedido e promessa ao meu padrinho que devolve como sem falta e falta como sem dúvida. Pra quem não bota fé no negócio. Mas um dia ele voltará pra obrar milagre de corpo presente, como antigamente, assim todos esperam.
Outros mortos voltam nos filmes trash, no Incidente em Antares do Érico Veríssimo, nos corpos dos soldados universais que infestam as tevês; nas tendas espíritas e nos terreiros de macumba; até um personagem meu que já estava cansado de tanto desmorrer emplacou de vez. É a vida, é a morte.
Já em Santana é feriado no dia 3. Porque aniversário do município, faz agora 146 anos de emancipação política. Padre Ibiapina andou por lá naqueles ontens, apaziguou uma pindimba eterna, conclamou a união, mexeu pauzinnhos e a vila tomou ares de município com tudo o de direito, embora ainda hoje a coisa ande torta. Mas a festança deve haver, é a 23ª, Femusa, se não me engano, que quer dizer Feira Municipal de Santana do Acaraú. A tônica: produtos da terra para o corpo e o espírito. Prestigiemos. Santo de casa é pra obrar milagre.
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Marcondes Falcão)
Ele é honrado, milionário, mas muito FALANTE. 2-2
Mais de três tipos de erva compõem o TEMPERO. 1-2
Mais um querido amigo QUE CAIU. 1-2
Tempo e peso estão no GRÁFICO. 2-2
Quem está perdendo a dignidade é o BÊBADO. 1-2
Respostas Anteriores:
ARDENTE - DOLENTE - SEARA - INCULTO - CALOUROS
Morou com os pais durante anos na Vila dos Industriários, quando se iniciou no instrumento de Jacob e nas biritas do Barnabé. Foi freguês da dona Heloísa, banhou-se na lagoa do João Maia, passeou nas calçadas do Júlia Jorge.
Falando nisso, estávamos a ouvir bom chorinho (e belíssimas valsas) com ele e Sardinha, no bar da Claudete, em São Gerardo, quando de Felipe ouvimos hilariantes marmotas.
A primeira: enquanto uns dão flores, perfumes, cartões de crédito por conta do cão e outros mimos pra mulher enfezada na tentativa de fazer as pazes, Macaúba leva quentinha com torresmo pra sua musa.
Outra: anos atrás, ligou pro Sardinha, aos prantos, a lamentar que uma de suas netas dar-lhe-ia, em breve, o primeiro bisneto. Alegre e também "lamentoso" com a novidade (a menina era bem novinha), disse assim:
- Sardinha, acertaram minha netinha!
A última: era músico do Bar da Jia, dentre as décadas de 60 e 70. Um cliente quis dar uma de Nelson Augusto e melou a vara. No verso duma comanda, escreveu pedindo que Macaúba tocasse Odeon, de Ernesto Nazareth.
Mas, o que repousava no papel era apenas uma caricatura do que realmente pretendia ouvir o cliente. O bilhete continha o seguinte:
- Caro 'Carnaúba', toque por favor 'Aldeon', de 'Jacob do Tamborim'.
"Rabeludo" à moda um Beatle
EJA - Programa de Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação. Um senhor aluno tá lá se ilustrando, e vai sair doutorzinho! Cleomâncio Pires é o cara.
Já aprendeu o suficiente para, interligado às modernas tecnologias, sugerir que os três primeiros netinhos tivessem nomes em rede mundial: Web Wagner, Soft Washington e Link William.
Aprendeu até que "já existe" fogão elétrico de seis bocas! Daí foi comprar um nas lojas Vaia. Pagou, na ruma, 700 contos. Levou o bichão, ele mesmo, na carroceria da picape. Colocou na cozinha, alegre que só pinto. Ligou a tomada.
E haja Cleomâncio a apertar o botão de acender o fogo e haja e haja! Nada. Só se ouvia aquela zoadinha de unha grande arrastando em calçada. A mulher, escolada, chega, vê a arrumação, entende o quadro. Fala carinhosa:
- Cléo, o fogão é elétrico, mas num dispensa o botijão de gás não, viu?
- Conversa é essa, mulher!?!
- Compre um bujão, ligue no fogão e aí ele se acende!
Voltemos ao Cleomâncio na sala de aula do EJA, em Paramoti. O ponto era Português; o capítulo, adjetivos. Para dar seus exemplos, a professora toma por personagem um certo Rabelo, bonequinho que ilustra o livro. A "tia" faz a colocação e, em seguida, pergunta:
- Se Rabelo tá com o cabelo caindo nos ombros de tão compridos, então ele tá?...
- 'Rabeludo', professora! Bem 'rabeludim'!
EFEITO DOMINÓ
MILAGREIROS SANTOS DE CASA
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Naquele tempo os santos enchiam os calendários de tinta vermelha, tinha dia que havia pra mais de cinco e ainda sobrava bem-aventurado. E foi aí que a Igreja instituiu o Dia de Todos os Santos, onde entrava até São Nunca e a baía do descobrimento que tinha foros de feriado nacional, tamanha a importância. Aí a Santa Madre cassou (era moda) alguns desses cargos de confiança vitalícios, destronou São Jorge do alto de seu corcel branco alunizado, bem como outros colegas barnabés; enquanto o Estado reduzia o número de feriados cativos a bem da economia, da moral e da boa imagem. E todos os santos foram para o beleléu. Já bastava o vizinho, dia de finados.
Este, então, é o dia em que mais se vendem velas e flores em todo o território, nos portões dos necrotérios, nas calçadas das chamadas morgues, nas antigas ruas das flores. Em Juazeiro do Norte, então, é um despautério. Lágrimas abundantes nos olhos e nos cotos recicláveis. E muito pedido e promessa ao meu padrinho que devolve como sem falta e falta como sem dúvida. Pra quem não bota fé no negócio. Mas um dia ele voltará pra obrar milagre de corpo presente, como antigamente, assim todos esperam.
Outros mortos voltam nos filmes trash, no Incidente em Antares do Érico Veríssimo, nos corpos dos soldados universais que infestam as tevês; nas tendas espíritas e nos terreiros de macumba; até um personagem meu que já estava cansado de tanto desmorrer emplacou de vez. É a vida, é a morte.
Já em Santana é feriado no dia 3. Porque aniversário do município, faz agora 146 anos de emancipação política. Padre Ibiapina andou por lá naqueles ontens, apaziguou uma pindimba eterna, conclamou a união, mexeu pauzinnhos e a vila tomou ares de município com tudo o de direito, embora ainda hoje a coisa ande torta. Mas a festança deve haver, é a 23ª, Femusa, se não me engano, que quer dizer Feira Municipal de Santana do Acaraú. A tônica: produtos da terra para o corpo e o espírito. Prestigiemos. Santo de casa é pra obrar milagre.
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Marcondes Falcão)
Ele é honrado, milionário, mas muito FALANTE. 2-2
Mais de três tipos de erva compõem o TEMPERO. 1-2
Mais um querido amigo QUE CAIU. 1-2
Tempo e peso estão no GRÁFICO. 2-2
Quem está perdendo a dignidade é o BÊBADO. 1-2
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ARDENTE - DOLENTE - SEARA - INCULTO - CALOUROS
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