Aos Vivos
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Quase completamente, quiçá absolutamente, oxalá...
Tarcísio Matos
25 Out 2008 - 18h10min
Mesmo com cacimbesca afta, é capaz de tomar suco de pimenta pra não desgostar um cristão; dessas pessoas que, pra evitar ferir, descompleta verdades, encabula sentimentos. O que a empregada Maria não quer é magoar.
E se a questão envolve "madinha" Verônica (a patroa), Maria mata e morre, envivece e bate as botas de novo pra não vê-la acabrunhada. Madinha é "quase completamente uma mãe", "quiçá talvez" a pessoa mais "inlustre" do mundo.
Exemplo do que digo é o que ela falou pruma psicóloga ao testemunhar que viu a netinha Natalha, de Verônica, botar 25 "formigas da bundona" vivas na boca mode deixá-las areadas, até pedirem penico - ou escaparem pelo nariz.
- Foi cavilação das tanajura, dotôra!
- Como assim?
- As bicha beliscar'o pomo de Adão da menina e, quando esta abriu a boca, tibungaro dentro, pensando que fosse uma latra de doce!
Se hoje Natalhinha tem por passatempo brincar de pega-pega com baratas no terreiro de casa, a culpa é de Maria. "A barata é um semovente", defende a secretária. Mais um exemplo?
Um pivetinho alcunhado Pitó (Pitolomeu Neto), enteado de Verônica, condena todo e qualquer prato de feijão estrelado por gorgulho, e Maria é a única responsável. "Gorgulho dá cãibra no ovário", ensinou ela a ele.
Mais esta: diariamente entala o pai de Verônica, seu Zé Alves, com farinha seca. Empurra uma bacia daquilo lá - com dois dedinhos d'água - no bucho do idoso, garantindo que em seis meses "o véi fica bem novim". Verônica, invocada com a arrumação, pergunta se é de vera. Maria...
- Num sei não, Madinha! Mas eu acho que eu tenho certeza!
VOTOS FANTASMAS
Nesse tempo nem havia urna eletrônica. Conhecido coronelzão venceu as eleições pra prefeito com três votos de diferença. Ao perdedor, eterno oposicionista, restou recorrer - pedindo recontagem, provável impugnação do pleito. Afinal, eram apenas três votos...
O TRE nem começara o retrabalho quando um líder famoso na região, ao fazer compras na feira, ouviu de um comerciante enorme indignação: Nicolau, o filho Nicolauzinho e a mulher, dona Tanha, votaram no coronelzão.
Explicando: todos sabiam que, pelos últimos tempos, Nicolau passara pra oposição, arrastando até os gatos consigo. Mais: a consorte de Nicolau, tem anos, tá entrevada. E Nicolauzinho levou chifre, foi pra São Paulo, nunca mais!
Dúvidas no ar. Os nomes da família Nicolau na lista dos eleitores (do Coronelzão) no último pleito. Alguém viu dona Tanha na seção eleitoral?
- Necolino!!! A véa veve no fundo duma rede!
- E Nicolauzinho? Alguém dá notícia dele?
- Nem aqui nem na zona!
Estranho! Mas aí terminou a recontagem. Conclusão: gaiatos realmente votaram no lugar da mulher de seu Nicolau e de Nicolauzinho. A diferença caiu para um voto somente pró-coronelzão, que torna a comemorar.
Foi quando alguém lembrou de irrelevante detalhe nesse engrolado todo:
- Seu Nicolau morreu tem mais de 20 anos. Manda o rapaz do TRE voltar!
EFEITO DOMINÓ
DOS TRASTES DEFINITIVOS - 11
Neste arrazoado, mais três objetos, de certa forma imutáveis, ou que têm resistido ao limite, de uso ainda muito intenso. Todos eles, como soi acontecer com as coisas, são manipulados, mas só um deles vai pra boca e outro pro mastro. Com a ajuda da mão.
APITO - É composto, basicamente, de um cilindro (com janela e uma bolinha dentro) e uma canaleta onde se coloca a boca. Feito originariamente para fins militares, foi parar nas escolas de samba e em blocos de carnaval, mas ainda está na boca dos guardas de trânsito. Usado pelo Capitão Von Trapp da Noviça Rebelde e o guarda-noturno do Noel Rosa que também o imortalizou na fábrica de tecidos. Hoje seu uso é muito difundido no futebol; índio continua querendo; trens, navios e carros buzinam (o Chacrinha, também); só quem não apita é o barriga-branca.
BANDEIRA - Tem o lábaro que ostentas estrelado e a flâmula do mata-mosquito. Assim também eram chamadas as placas indicativas das linhas nos ônibus. E bandeirantes eram os desbravadores paulistanos, são as escoteiras fêmeas e a rede de tevê e rádio. Sem apito e no diminutivo é juiz de futebol auxiliar. Levantá-la é "in" e dar é "out". Bandeira ainda é nome de navio (de Melo) e sobrenome de gente famosa: Manoel (poeta), Antonio (pintor), Tom Jobim, Assis Chateaubriand, Pedro (cordelista)... Na família tem ainda bandeiraço (política) e música de Dalva (paz)!
BARALHO - Conjunto de 52 cartas usadas em jogo de azar introduzido na Espanha pelos árabes. Já o tarô tem 78 cartas e lê a sorte. A carta mais importante é o ás mas dar o ás é deprimente. O baralho serviu para batizar os blocos de maracatus Rei de Paus e Ás de Ouro. Embaralhar é mesmo que baldear o coreto (desorganizar) e diz o compositor que, no baralho da vida, quem dá as cartas sou eu. No grupo musical cearense 4 Azes e 1 Coringa, meu amigo André Vieira era o "Melé". Dançou na primeira de copas.
CARIMBO - Peça que simboliza a burocracia. É um retângulo de madeira (ou plástico) com cabo, onde está colocada uma matriz de borracha ao contrário que reproduz o desejado. Os dos Correios são de ferro. Quando menino, fazia carimbos com casca de cajazeira. O tamanco da xilogravura é um carimbo de madeira artesanal. Tem, ainda, o jogo do carimba, praticado com bola de borracha. Não confundir com carimbó, uma música de origem paraense.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br>
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Ernane Pinto)
> O vento da boca é QUENTE. 1-2
> Tenho pena do professor QUE SOFRE. 1-2
> O homem é o deus da MONTANHA. 1-1
> Não presto homenagem ao IGNORANTE. 1-2
> Aqui, as glórias são dos NEÓFITOS. 1-2
Respostas Anteriores:
PASSAPORTE - CÚPULA - OUSADIA - PROMETIDA - ASNOS
E se a questão envolve "madinha" Verônica (a patroa), Maria mata e morre, envivece e bate as botas de novo pra não vê-la acabrunhada. Madinha é "quase completamente uma mãe", "quiçá talvez" a pessoa mais "inlustre" do mundo.
Exemplo do que digo é o que ela falou pruma psicóloga ao testemunhar que viu a netinha Natalha, de Verônica, botar 25 "formigas da bundona" vivas na boca mode deixá-las areadas, até pedirem penico - ou escaparem pelo nariz.
- Foi cavilação das tanajura, dotôra!
- Como assim?
- As bicha beliscar'o pomo de Adão da menina e, quando esta abriu a boca, tibungaro dentro, pensando que fosse uma latra de doce!
Se hoje Natalhinha tem por passatempo brincar de pega-pega com baratas no terreiro de casa, a culpa é de Maria. "A barata é um semovente", defende a secretária. Mais um exemplo?
Um pivetinho alcunhado Pitó (Pitolomeu Neto), enteado de Verônica, condena todo e qualquer prato de feijão estrelado por gorgulho, e Maria é a única responsável. "Gorgulho dá cãibra no ovário", ensinou ela a ele.
Mais esta: diariamente entala o pai de Verônica, seu Zé Alves, com farinha seca. Empurra uma bacia daquilo lá - com dois dedinhos d'água - no bucho do idoso, garantindo que em seis meses "o véi fica bem novim". Verônica, invocada com a arrumação, pergunta se é de vera. Maria...
- Num sei não, Madinha! Mas eu acho que eu tenho certeza!
VOTOS FANTASMAS
Nesse tempo nem havia urna eletrônica. Conhecido coronelzão venceu as eleições pra prefeito com três votos de diferença. Ao perdedor, eterno oposicionista, restou recorrer - pedindo recontagem, provável impugnação do pleito. Afinal, eram apenas três votos...
O TRE nem começara o retrabalho quando um líder famoso na região, ao fazer compras na feira, ouviu de um comerciante enorme indignação: Nicolau, o filho Nicolauzinho e a mulher, dona Tanha, votaram no coronelzão.
Explicando: todos sabiam que, pelos últimos tempos, Nicolau passara pra oposição, arrastando até os gatos consigo. Mais: a consorte de Nicolau, tem anos, tá entrevada. E Nicolauzinho levou chifre, foi pra São Paulo, nunca mais!
Dúvidas no ar. Os nomes da família Nicolau na lista dos eleitores (do Coronelzão) no último pleito. Alguém viu dona Tanha na seção eleitoral?
- Necolino!!! A véa veve no fundo duma rede!
- E Nicolauzinho? Alguém dá notícia dele?
- Nem aqui nem na zona!
Estranho! Mas aí terminou a recontagem. Conclusão: gaiatos realmente votaram no lugar da mulher de seu Nicolau e de Nicolauzinho. A diferença caiu para um voto somente pró-coronelzão, que torna a comemorar.
Foi quando alguém lembrou de irrelevante detalhe nesse engrolado todo:
- Seu Nicolau morreu tem mais de 20 anos. Manda o rapaz do TRE voltar!
EFEITO DOMINÓ
DOS TRASTES DEFINITIVOS - 11
Neste arrazoado, mais três objetos, de certa forma imutáveis, ou que têm resistido ao limite, de uso ainda muito intenso. Todos eles, como soi acontecer com as coisas, são manipulados, mas só um deles vai pra boca e outro pro mastro. Com a ajuda da mão.
APITO - É composto, basicamente, de um cilindro (com janela e uma bolinha dentro) e uma canaleta onde se coloca a boca. Feito originariamente para fins militares, foi parar nas escolas de samba e em blocos de carnaval, mas ainda está na boca dos guardas de trânsito. Usado pelo Capitão Von Trapp da Noviça Rebelde e o guarda-noturno do Noel Rosa que também o imortalizou na fábrica de tecidos. Hoje seu uso é muito difundido no futebol; índio continua querendo; trens, navios e carros buzinam (o Chacrinha, também); só quem não apita é o barriga-branca.
BANDEIRA - Tem o lábaro que ostentas estrelado e a flâmula do mata-mosquito. Assim também eram chamadas as placas indicativas das linhas nos ônibus. E bandeirantes eram os desbravadores paulistanos, são as escoteiras fêmeas e a rede de tevê e rádio. Sem apito e no diminutivo é juiz de futebol auxiliar. Levantá-la é "in" e dar é "out". Bandeira ainda é nome de navio (de Melo) e sobrenome de gente famosa: Manoel (poeta), Antonio (pintor), Tom Jobim, Assis Chateaubriand, Pedro (cordelista)... Na família tem ainda bandeiraço (política) e música de Dalva (paz)!
BARALHO - Conjunto de 52 cartas usadas em jogo de azar introduzido na Espanha pelos árabes. Já o tarô tem 78 cartas e lê a sorte. A carta mais importante é o ás mas dar o ás é deprimente. O baralho serviu para batizar os blocos de maracatus Rei de Paus e Ás de Ouro. Embaralhar é mesmo que baldear o coreto (desorganizar) e diz o compositor que, no baralho da vida, quem dá as cartas sou eu. No grupo musical cearense 4 Azes e 1 Coringa, meu amigo André Vieira era o "Melé". Dançou na primeira de copas.
CARIMBO - Peça que simboliza a burocracia. É um retângulo de madeira (ou plástico) com cabo, onde está colocada uma matriz de borracha ao contrário que reproduz o desejado. Os dos Correios são de ferro. Quando menino, fazia carimbos com casca de cajazeira. O tamanco da xilogravura é um carimbo de madeira artesanal. Tem, ainda, o jogo do carimba, praticado com bola de borracha. Não confundir com carimbó, uma música de origem paraense.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br>
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Ernane Pinto)
> O vento da boca é QUENTE. 1-2
> Tenho pena do professor QUE SOFRE. 1-2
> O homem é o deus da MONTANHA. 1-1
> Não presto homenagem ao IGNORANTE. 1-2
> Aqui, as glórias são dos NEÓFITOS. 1-2
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