Tarcísio Matos
11/10/2008 20:36
Dia de "inleição", empolgação nos quarteirões aqui de nós. Começa com Zilma, falsa que só escora de giz, saindo cedinho em busca da zona (67ª). Em ritmo de tertúlia, distribui, faceira, santinhos de seu "canidato".
Tenta conquistar votos para José (o depauperado Zé) Sungão, cuja proposta mais exeqüível é mandar 150 cearenses aos EUA pra darem vaia em George W. Bush. Zilma cruza Maria de Jesus e pede apoio pro "padrinho" - Zé empregou ela num semáforo:
- Desculpa, mas eu tô com Mateus Galope. Ele fez meu penteado pra eu ir ao aniversário de Malaquias.
Adiante, a "caba eleitoral" de Zé Sungão peita Isaias de seu Zuza, soldado reformado da Guarda. Pede-lhe o escrutínio e leva o nome de "escrota"; o militar, ademais, já tem compromisso com dr. Batista Ôi de Gato.
- Dei meu voto por 50 conto e sô é macho: nem a pau mudo!!!
De Madalena Piaba, Zilma não ganha voto pra Zé porque ela apóia o postulante Paulo Damião. "Ele me arrumou um CD pirata de Raimundo Órgão de Ouro e num tem quem me faça votar noutro!"
A "individa" continua a cabalar pro candidato preferente, de fragilíssima saúde, diga-se. É persistente. Quase alcançando a zona, encontra Lucas Cachorro, servidor do Fórum em vias de aposentar-se. Outro não.
- Zilma, home, eu dou até o caneco pelo professor Pedro! Sabia não?
Tenta outros tantos, sempre levando rabissaca. Adão Malfeito não vota em Zé porque um tal Marcos chamou ele de "bonitão das tapiocas"; Benedito, porque o eterno candidato Francisco Pirão deu-lhe uma embiricica de avoantes.
Cisma da urna e tenta ganhar padre Moisés. Infelizmente, o pároco não vota em Zé, fora agraciado com uma escada rolante, que vai da sacristia à porta estreita do Céu. O doador, um desconhecido Gregório.
Súbito a notícia - parecia coisa contrária: Zé acha de morrer - pegou uma neblina, bem cedo, ao sair de casa sem se benzer. Falsa, Zilma, de última hora, vota no Carpinteiro Bigodinho, arqui-rival de Zé Sungão. E explica, democrática:
- Meu acordo com ele não era com urna funerária!
Segundo turno
O segundo turno desta estória transcorre na "grande noite" de Zé Sungão. Contam que chegou ao Céu pela escada que padre Mariano ganhou do candidato lá dele - o dito Marcos. São Pedro não estava pra receber o finado.
A outra seção se dirige, à procura de... de...
- Ô de casa, São João! Olá, Sant'Antônio! Ei, negada!
Nada de ninguém responder. Procura por São Francisco, São Tomé, São Brás, São Judas Tadeu, Santo Agostinho, São Luiz, São Risal e todos os santos e santas que aqui se tem nota. Piula nenhuma!
Muito vagou até encontrar, na escrivaninha de São Jorge, o seguinte bilhete, assinado em conjunto pela plêiade de benfeitores:
- Escolheste hora péssima pra desocupar o beco, chapa! Tempo de eleição é caixão, meu! Estamos todos na Terra!
EFEITO DOMINÓ
APARECIDA, CARRANCA NEGRA
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Ao tempo das grandes navegações, qualquer afoito marinheiro, visionário, corajoso e ambicioso, ia ter aos pés dos reis de Portugal e Espanha com suas cartas náuticas e sonhos aventureiros e saiam por aí a enfrentar gigantes aterradores nos tenebrosos sete mares. Assim, o jovem marujo genovês, de pia Cristóvão Colombo, depois de muito se deleitar com as narrativas fantasiosas de um tal Marco Pólo e assuntar os estrelados céus do lunático Ptolomeu, bateu às reais portas lusitanas mas os doutores de Sagres torceram-lhe o nariz. Em domínios castelhanos fiou-lhe o Duque de Medina-Sidônia que o levou a palácio. Fernando e Isabel convocaram os sábios e nautas graduados da corte e deram uma espiada nas cartas e mapas que o genovês estendeu sobre uma grande mesa, enquanto degustavam ovos frescos de galinhas bascas. Invejosos, porque Colombo colocava-os, com a maior facilidade, de pé antes de comê-los, rejeitaram a proposta de longo curso. Mas os reis, bondosos como os reis de contos de fadas, deram-lhe as caravelas Nina, Pinta e Santa Maria. E o resto da história vocês conheceram através do Gaspar de Freitas.
Se Santa Maria descobriu a América, outra Santa Maria era descoberta, 300 anos depois, num riozinho besta aqui nesta Pindorama. Era uma imagem negra de Nossa Senhora da Conceição que os pescadores sortudos resgataram com a tarrafa de peixes e logo deram-lhe o nome de Nossa Senhora Aparecida. A qual ganhou de imediato a simpatia de todos os ribeirinhos do Paraíba do Sul chegados a uma mulata.
Em 1930 o Papa Pio XI declarou-a padroeira universal do Brasil e, pondo o pontifício dedo (aquele mesmo dedo em riste dos cromos das paredes católicas) sobre o calendário gregoriano escolheu o doze de outubro para reverenciá-la. O mesmo doze de outubro da descoberta de Trinidad por Colombo, onde ficou sendo governador. Como deu bobeira, Fernando e Isabel (acho que Isabel e Fernando) mandaram Bobadilla para substituí-lo. Mesmo ferrado, ainda descobriu Honduras e chegou ao Panamá. Morreu esquecido em Valladolid, mas sua ossada está num farol da República Dominicana, um túmulo brilhante e reluzente.
Voltando à pretinha Aparecida, hoje ela é nome de grande cidade paulista, que tem enorme basílica para onde acorre romeiro de todos os quadrantes deste imenso país. Lá, até recentemente, havia um cardeal que muito tinha a ver com a gente: dom Aloísio Lorsheider.
Portanto, no dia de hoje, reverenciemos Colombo e Aparecida, nós que somos caipira, pira, pora... senhora de Aparecida: um assombro na porta da confeitaria que bota ovos deitados na frigideira untada com marmelada ou geléia de mocotó Colombo, neste continente americano de Vespúcio, Pinzon, Cabral e outros pescadores forasteiros e não tanto mentirosos.
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Adjemir Paiva)
Em qualquer botequim, quem tem dente é COMANDANTE. 1-2
Ela é a chefe da barcaça CEARENSE. 3-2
Uma pequena porção de oxigênio pode gerar CONFUSÃO. 2-1
Na agitação, o paciente entra na CAIXA. 2-1
No seu discurso sobre o mineral houve muita MALEDICÊNCIA. 2-3
Respostas Anteriores:
VULTOSO - PRESO - RESSALVA - SEBENTO - MONÓLOGO