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Aos Vivos

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Um upgrade no papagaio

Tarcísio Matos


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27/09/2008 20:57

A rapariga de Zé Neve foi conquistada num leilão da igreja.

Tava com a mulher Tereza e, ao sair pro banheiro, deu de cara com Miriam. Arriou os quatro pneus por ela. Quase nem volta pra mesa; chegou junto, pediu endereço, número do orelhão, arriscou cheiro no cangote.

Miriam correspondeu. Meses depois, ele já freqüentava Miriam na casa da dita cuja, como se macho dela "sesse". Liso, a parte dele no affair era só as camaradagens. Miriam pagava o ônibus da volta dele, a meiota...

Apesar da paixão pela fuampa, Zé Neve não largava Tereza, os seis filhos e o papagaio. Viu-se obrigado pelo mercado a entrar com alguma coisa menos sólida no caso. "Uma televisão de plasma", ponderava a amante.

Ele foi a casa e pegou a TV que a esposa ainda sofria pra pagar as derradeiras prestações. Contou que ia levar pro trabalho - fábrica de beneficiamento de castanha. Por quê? Tereza quis explicação.

- Evitar dormir e um dedo meu ser arrancado pela descastanhadeira.

TV na casa da quenga. Miriam pergunta quede a nota fiscal. Zé volta em casa, pede o comprovante da compra à esposa. Mentia, dizendo que a nota era exigência do chefe, que temia fiscalização da Fazenda.

E o tempo passou. Três anos mais tarde, Tereza soube por uma vizinha que "a TV que tu comprou, indiota", o marido Zé Neve deu de presente a Miriam. Resignada à moda jumento de frigorífico, Tereza disse 'dextá, tem nada não...'

- Ao menos assim, agarrado na TV, ele num tem fí de rapariga.

Só 27
Zé Neve tanto insistiu que voltou ao lar doce lar. Tereza passou uma borracha no caso do marido com a rapariga da TV. Fazia tudo que a mulher queria. Ela insistiu e ele conseguiu um papagaio prum netinho. Pivete astuto, desses que em meio minuto manja tudo de hardware, software.

Denílson Denis é o nome do menino. Com o papagaio a tiracolo, ensinou o bicho a "falar". As primeiras palavras que pediu fossem repetidas pelo psitacídeo: sovaco, mucureba, testículo, cachorra, toicim, corno, baitinga, marruá, curuba, jiló, farinha...

Sabido que nem o pivete, o papagaio palrou o que pôde. Era a alegria da casa. A quem chegasse em casa, Denílson Denis pedia: fala isso, diga aquilo, louro! Até que Denílson percebe que a ave não conseguia incrementar o vocabulário. Limitava-se a repetir o que aprendera de início.

Invocado, abriu o computador e foi ler sobre o tema. Descobriu que papagaio só consegue "decorar" 27 palavras. Tirou a prova dos noves: botou o louro pra falar e ele só era capaz de falar aqueles 27 termos.

Não conformado, armou-se com chave de fenda e correu atrás do papagaio. A mãe, intrigada com a arrumação, gritou:

- Que é isso, Denílson Denis?

- Vou abrir esse papagaio, mãe!

- Mas, pra que isso, filhinho?

- Pra fazer um upgrade nele!!!


EFEITO DOMINÓ

O MAIOR INSPETOR DO QUARTEIRÃO

Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br


Fontana era um cabo de polícia reformado que não largava seu amado companheiro, um revólver calibre 38, aos domingos desfilava pelos botecos do bairro vestido com um surrado calção de tecido sintético verde, camuflado com folhas musgo, a arma escorregando pela cintura.

Talvez nem carregasse balas, nem havia intenção de ser usado, mas a companhia do berro lhe dava forças, voltava a inflar o peito varonil para contar bravatas do tempo em que atuava na Madalena, a ronda do quarteirão do seu tempo.

Bebericava de graça, como se os amigos tivessem a obrigação de pagar-lhe segurança e, quando não aparecia um "pagão", a despesa ficava por conta do bodegueiro. Resquícios ainda da época do camburão ou frustração por nunca tê-lo dirigido, estava sempre a arrotar ciência de mecânico, a falar da arte de chauffeur que nunca foi e sempre discutia com o parceiro de copo fazendo-lhe a pergunta fatal: "Em quantas partes se divide um motor?" - e ele mesmo respondia, incontinenti: "ah!, eu sabia que você não sabia, é carter, carburador e vela"... e capotava orgulhoso, com um vitorioso sorriso nos lábios.

Um dia o velho Cabo Fontana achou de aposentar a cachaça. E para ocupar o juízo com outra coisa, aliás, bem mais proveitosa, entrou para as fileiras da Congregação Mariana, na igrejinha do bairro que tinha como padroeira Nossa Senhora das Dores.

Agora continuava a circular pelos botecos, mas sem esquecer o 38. Com o mesmo calção camuflado e a fita azul no pescoço, sempre a perguntar e responder: "Em quantas partes se divide um motor?... Carter, vela e carburador." Vendo-o assim o Ciborg, que agora era catador de lixo, falou:

- Fontana, tu engana a gente, a Deus não!

- Que é isso, Ciborg, agora sou outro homem, nada de motores e armas, hoje trago Maria no meu coração!

Ciborg, ainda desconfiado, responde para seus botões:

- Maria no coração, na cintura um três-oitão!

CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Ernane Pinto)

> Um breve ESPETÁCULO. 2-2
> O tom do coronel é de CAVALO. 1-1
> Nesta terra procure ser FORTE. 1-2
> Não é atrás, é na FRENTE. 1-2
> Dentro, atrás e ao CONTRÁRIO. 1-2

Respostas Anteriores:
NAUFRAGA - NOVILHA - MEXERICO - TALENTO - VERGONHA


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