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Aos Vivos

AOS VIVOS

Um exemplo vivo de quem morreu e num sabe

Tarcísio Matos


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06/09/2008 18:23

Tadinha da Maria Braga, morreu sem ver quitada a metade das parcelas do seu plano funerário top de linha. Papocou aos 82 anos, em julho passado.

Das 36 prestações contratadas (R$ 20 do jazigo e itens do velório, mais R$ 10 da manutenção), pagara apenas 14. Pior: dos R$ 30 iniciais, o valor pulou, em agosto, pra R$ 90,00.

As 22 parcelas restantes ficariam pros irmãos Zé Evandro, Odaléia e Otacília. Exatos R$ 30,00 pra cada. O diabo é que Zé foi demitido, Odaléia achou de comprar um carro e os dinheiros ficaram curtos. Sobrou pra Otacília.

Era ordem da finada Maria não deixar o plano sequer atrasar.

Dos ganhos de Otacília, boa parte ia pro aluguel da casa e preparativos do casório. A saída: ir à empresa funerária ver o que podia negociar, capar.

Parêntese: o romance de Otacília, 50 anos, com Damião, 55, dura já 34 primaveras. E é motivo, claro, de boas piadas. Tenho duas delas. Primeira: à busca de madrinha pro casamento, Damião disse pra prima Terezinha:

- Tetê, enfim, arranjei um casamento pra Otacília!

Damião falava dele mesmo, frescando. A outra: um amigo, ao ser informado do matrimônio hiper tardio, brincou com a demora da iniciativa (dele ou dela, não se sabe, o fato é que são 34 anos de namoro) e ponderou:

- Damião, Damião! Precipitação é danada pra acabar casamento!

Voltando ao plano funerário que Otacília vai ter de se virar pra, sozinha, terminar de pagar. Procurou, na empresa funérea, a moça que negocia preços, saldos devedores. Reclama do valor, que somente ela estava a pagar...

Queria um jeito de desembolsar menos. Tá complicado, o contrato foi assinado tem mais de ano, respondeu a funcionária. Então eu quero subtrair certos benefícios: o cafezinho, o refrigerante e a bolachinha do velório.

- Tire também a coroa de flores, minha bichinha.

Pediu acabasse com a 'aguação' do terreno; tirasse o ônibus que colocam à disposição dos familiares do morto pra vir vivo ao cemitério no raio de 50 quilômetros; excluísse o carro rodinhas de arrastar caixão, "quem for vivo, puxe ele pelas orelhas".

- Morto é morto, e num tá preocupado com 'friscura' de vivo, não!

- A senhora é que sabe! Tirando tudo, o preço baixou R$ 90 pra R$ 22.

- Tire a sala de desmaio pra quem num sabe ver morto. Pra que vai ao cemitério, né?

- R$ 8,00 é a sua mensalidade agora, dona.

- Assim tá de bom tamanho. Só uma coisa mais...

- Num sendo tirar o caixão da conta!

- Por que o valor da derradeira prestação do plano subiu tanto?

- Pela morte da senhora (lendo papel) Maria Braga.

- Tá certo, foi mãe que morreu.

- Mas teve uma segunda pessoa que enterramos.

- Segunda pessoa? Taí que eu num sabia doutro morto na família! Quem?

- Uma tal Otacília Braga.


EFEITO DOMINÓ

VENHAM MANGAS E CAJUS

Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br


Nem bem agosto fechava seu ciclo nefasto e eis que as chuvas caíram copiosamente. Escondendo luares de recentes eclipses e estrelas-musas de poetas eternos e namorados tais. E deve, então, ter queimado as primeiras florações dos cajueiros avexados, mas tudo ainda está em tempo para o milagre de uma boa safra de mangas e destes cajus. Pois, segundo experiências fidedignas dos últimos profetas do tempo, avalizadas pelo satisfatório inverno ulterior, esta safra será das mais abundantes. Deus os ouçam.

Safras e vaticínios à parte, o que me vem à mente, agora, já que não sou agricultor de carteirinha, são os coloridos cajus e mangas que planto constantemente, em todas as estações, nas minhas naturezas-mortas e ilustrações de textos. Porque são belíssimas as formas dessas duas frutas tropicais, o caju, então, desarreda. Bonito, gostoso, cromático e aromático, erótico e exótico. Mesmo com seu esdrúxulo penduricalho (aliás o verdadeiro fruto), a castanha, o que talvez dê mais plasticidade, devido ao contraste.

Quando menino, nesta quadra, ia sempre ao Nilo, uma chácara do Sr. Leôncio da Ponte, pegada à cidade, para, junto com o Antonio de Pádua, o Cajueiro (meu colega de primário, cruzadinha e acolitagem das missas em latim) para saborear cajus tirados do pé e depois levar uma boa porção para casa, enfiada numa vareta de marmeleiro. Rezando para que o Ná não aparecesse, pois que ainda não o conhecia ou não tinha afinidade. Depois, eu e Ná, ficamos amigos/irmãos e passei a lamentar não ter degustado mais destes manjás do céu.

Sim, porque os cajueiros do Nilo deviam ser realmente abençoados. Nascidos em dádiva egípcia, aguados pelo açude Oriente, às vistas das águas do Belém e encomendado pelas rezas infalíveis do terço do Seu Leôncio, católico mais que praticante, congregado mariano e irmão do Santíssimo e, acima de tudo, pai de franciscano, o Frei Ivan, que foi Acácio e poeta dos melhores. E, de quebra o Ná, de pia Ivani, também cristão de fé e temente a Deus, que pauta a vida com dignidade dentro dos mais rígidos preceitos da moral cristã.

Abençoados cajus do Nilo, ouçam junto ao baticum destas chuvas benfazejas as preces deste escriba para que floresça e frutifique uma infinidade desses presentinhos do céu, vermelhos, amarelos, verdes, um cajueiro assim, enfeitado que nem uma árvore de natal em pleno setembro.


CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Francisco Thomaz)

Caminhai por onde seguia o PLANO. 2-2

As desordens da professora causam INQUIETUDE. 2-2

É passado apenas o que é VELHO. 2-1

Enxerguei sem a CÓPIA. 1-1

O que você enxerga não é o laço da DROGA FATAL. 1-1-1

Respostas Anteriores:
LAVOURA - CADIZ - EXTREMA - MENOSCABO - TESTES


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