Tarcísio Matos
30/08/2008 16:41
Nesse tempo, Dedé da Farmácia tinha lojinha de medicamentos no Buraco D'Água, distrito de Pereiro. O povo, em equívoco farmacológico histórico, pedia no balcão "comprimisso de picilina pra derréia". Traduzindo: queriam que Dedé desse jeito em caganeira com comprimido de penicilina.
Dantinha, maior pinguço que conheço, nasceu aí, pelas mãos do multitudo Dedé. Origem do mito "Cachaceiro Dantinha": o primeiro pifão aos seis anos de idade. O pai vendia cachaça que subia a serra em camburão de 150 litros. Com o torçal, o pivete chupava a malvada pra encher frascos da freguesia a granel.
A laminha de pôde que ficava nos beiços, fatalmente ele engolia. E foi gostando e foi e foi... Nunca mais parou. Aos 18 anos é obrigado suspender a bebida. Pra Dantinha, realmente foi uma senhora parada na que mata o guarda. Quanto tempo demorou?
Uma tarde de terça-feira - único período do dia em que o profissional da cachaça tem pra descansar.
Aos 55 anos, continua o beberrão que fora aos 12, 24, 48 anos. Com um porém: toma duas bem cedo e o resto "é só pra manter o níve". O melhor: se derem uma só rodada nele (rodopiarem ele), fica às quedas, 'bêbo' de chapéu, o dia inteiro.
A modernidade, porém, lançou a moda da tal lei seca e outras aporrinhações pra estragar os prazeres de Dantinha. Não tem quem dirija pra ele; motorista não pode contratar... Então, o que fazer se sair pra tomar umas, ele que detesta beber nas biqueiras de casa?
Estudou com carinho o uso do táxi: se fosse sair pra beber, deixava o carro na garagem e ia de táxi; se já tivesse tomado todas, deixava o carro na festa e voltava de táxi. Beleza, Dantinha comprou um táxi pra ele mesmo dirigir.
Semana passada, após barbeiragem, foi parado por um guarda da AMC e, cheio de autoridade, montado na lei, cantou de galo:
- Tô melado, sim! Mas, como a autoridade pode ver, eu tô de táxi!!!
Causo 2
Tempo de eleição no Sindicato dos Portuários. Briga braba entre as chapas concorrentes. Até manchete de jornal a disputa foi.
E aí eu passava num dos trechos sem-vida da Liberato Barroso quando vi o Desdedith, sindicalista-funcionário do Cais do Porto que fazia oposição à chapa situacionista de então, em altas discussões com um, a meu ver, adversário.
Estavam à porta dum casarão lúgubre, na minha mente, propício a querelas sindicais. Aproximando-me, vi que não eram somente Desdedith e o suposto oponente ali de pé. Outros cinco velhinhos, jeitão de leninistas da Caucaia, apenas concordavam com um e outro.
Achei tudo muito extemporâneo, demais - o local, os personagens, a maneira de discutir com a boca murcha, em meio à tão prolífica disputa.
Era chapa daqui e de lá; chapa dali e dacolá... Um povo feio a gritar, cuspir-se mutuamente. Pensando que fossem já partir pro cacete (era chapa daqui e de lá; chapa dali e dacolá), tive o trabalho de olhar pra fachada do referido casarão, onde ocupavam a calçada. Vi o enorme letreiro:
- Everaldo Protético. Chapas pela metade do preço em até 24 horas.
EFEITO DOMINÓ
NOITES FELINAS
Fazia um tempão que não ia ao Clube dos Gatos. Talvez estivesse ocupado demais com o Clube do Bode. Explico: o primeiro é uma reunião de amigos que acontece às terças no Country Clube. O outro, outros que se congraçam às sextas e sábados na calçada da Livro Técnico da Dom Joaquim. Nesta faço as atas. Hoje faço um arremedo de relatório deste último sarau bichano.
Aos doze dias do aziago mês de agosto, depois do lançamento do livro do Márcio Catunda no Ideal Clube, este escriba e o artista Paulo de Tarso Pardal, rumamos para "os gatos" a fim de abraçar o mestre Guilherme Neto. Estavam lá os mais assíduos freqüentadores: Flávio Torres, Augusto Pontes, Didi Silveira, Fernando Peixoto, Luciano Maia e Ana Maria, Manoel Maia, Dora, Alano Freitas e Zivaldo Maia com seu violão. O que motivou o Pardal tirar o cavaco do saco e aí a coisa ficou bem mais animada. Cantavam o Velho Guiba, Zivaldo, Fernando, Luciano e o Flávio...pra que mentir!
Sobre a mesa, uísque, cachaça, cerveja, caju e castanha. E um bom papo, coisas sobre música e compositores; o Augusto com seus inteligentes jogos, nada de política, boas novas e notícias tristes sobre a Ayran e o pai da Mônica Barroso.
Registrando as ausências do Elmar Arruda, Ricardo Guilherme, Augusto Borges, Giordane Carvalho, Fausto Nilo, Lustosa da Costa... e a onipresente Maria Alice.
Lá pras tantas chega o infalível Cláudio Pereira, saudado com o "Oitavo Botequim". Como o "Bode", o "Gato" também está na mídia por conta do empenho do Pereira.
Saímos a tempo de furar a vaquinha do violão com a leve sensação de que se envelhece mais jovem e com vontade de fazer regularmente o registro de tão saudáveis reuniões. Onde os gatos são todos pardos no breu da noite. Noites que nos ensinam ser a vida uma arte felina. Urge agarrá-la à unhas e dentes.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS
• Ali, sigo com Deus para o PLANTIO. 1-1-1
• Aqui se fala da CIDADE ANDALUZ. 1-1
• Foi um sinal da ação DERRADEIRA. 1-2
• Por pouco não dei fim no DESPREZO. 2-2
• As réguas e as letras são as PROVAS. 1-1
Respostas Anteriores:
INVEJA - ENVERGADURA - ACONTECIMENTO - ALVARÁ - AVERSÃO