Tarcísio Matos
23/08/2008 15:33
Alves e o pai, seu Nascimento, em altos papos sobre o que se consideram um sanfoneiro bom, completo, de Gonzagão pra diante. O velho puxa a conversa, como quem despetala um fole...
- Esse Chico Justino é muito bom demais...
- E apois! Dos melhores, pai!
- Mas, porém, falta uma coisa...
- Se falta, num sei. Chico é mêi mundo.
- Mas peca numa coisa: num se bole, num mexe enquanto toca...
- Realmente, ele num tem aquela "munganga" do sanfoneiro.
- É ver um cassaco dentro dum cupim. Bem paradim!
CAUSO 2
Entre as figuras de meio de rua de Antônio Diogo (Maracanaú), Santilo é a mais popular. Internado na cachaça desde a mocidade, perdeu o posto de ajudante na mercearia sortida de seu Zé Batista por força da birita.
Tantas fez (bebeu, caiu, bonecou) que foi literalmente botado na rua. Mesmo assim, não deixou de, cedinho, ir ao estabelecimento do ex-patrão à busca de 'dois tões' pra se melar alhures. Na derradeira vez, ai, ai, ai!
Levou um safanão do velho que foi cair aos pés duma besta carregada de rapadura da serra. Cabeça erguida, o bebinho não se intimidou. De olho no próspero Zé, ao longe atendendo freguesa, esfrega a mão no arco da boca.
Psicologicamente seguro, saturado de sabedoria, nas largas praias da embriaguês...
- É, seu Zé Batista! O senhor tem medo de ficar pobre. Mas eu num tenho medo de ficar rico, não viu?
CAUSO 3
Ainda sobre Lei Seca. Dizem (tá mais pra piada) que o bom de bico Mafaldo escapou de ser preso e pagar multa após usar ardil dos mais cruéis. Ele, a mulher e o filhinho, Júnior, de 3 aninhos, foram parados numa blitz.
Motorista intimado a soprar o bafômetro. Antes, porém, avisa que não bebeu. Jura que não tomou uma só bicada naquele dia. Que nem de cachaça gosta. Guarda num quer nem saber, obriga Mafaldo a soprar.
- Fuuuuuuuuuuuuuu!
Bafômetro quase papoca, de tanto álcool naquela baforada. Pro motorista, o aparelho tá quengado. Insiste na tese cabeluda da pane, chamando a mulher para soprar.
- Fuuuuuuuuuuuuuu!
Por pouco o bafômetro não estourou. "Num falei. Esse bafômetro tá 'disrigulado', seu guarda. Tonha num sabe o que é cerveja!" Guarda desconfiado da história de Mafaldo, que busca total convencimento:
- Vou trazer agora meu menino de três anos prum teste. Sopra, Junim!
- Fuuuuuuuuuuuuuuu!
Quase explosão na cara do guarda, que, invocado com a derradeira prova, começa acreditar que o bafômetro esteja mesmo avariado. Daí libera a família. Lá diante, carro rodando, Mafaldo descobre a arrumação:
- Viu como a estratégia de dar cana pro menino foi uma maravilha!?!
EFEITO DOMINÓ
DURA LEX, SECA LEI
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Em qualquer roda, o assunto inevitável: a lei mais arrasadora que se criou neste país. Tudo porque o carro é senhor de todos os destinos, o homem, hoje, já não o tem como um objeto utilitário ou mesmo sonho de consumo. O homem é, sim, a extensão do carro, um acessório comum, peça de reposição. Tanto que ao encomendar a planta de sua casa, ele lembra primeiro o espaço da garagem como se ela fosse a suíte nupcial.
Pois bem, nos bares, ônibus, locais de trabalho e lazer a ordem do dia é a tal "lei seca". Para a maioria, chegada em boa hora; para muitos um estorvo que veio atazanar a irresponsável vidinha boêmia de fim de semana.
Falo de cadeira pois não tenho carro, não sei dirigir tal geringonça e há uma década que não mato o bicho. Portanto, mal-entendidos à parte, a temida lei já veio tarde e atrasada; pra não dizer em boa hora. É só olhar pras estatísticas. E se chegou de supetão, drasticamente, pois que seja, só uma medida radical assim produziria os efeitos desejados, a coisa já estava passando mesmo dos limites.
Claro que o assunto vai render por muito tempo, com prós e contras, vilões e bodes expiatórios. Pela primeira vez o tema "eleição" passou para um segundo plano, pra você ver a gravidade da questão.
Para os prejudicados estão aí os motoqueiros de aluguel, rebocadores de bêbados e os taxistas fornecidos pelos próprios bares. E os machões, certamente, utilizarão as esposas como peças da engrenagem, volantes ocasionais ou plantonistas.
Na verdade, o que parece é que o animal homem só disciplina e pauta a vida em última instância, e se for obrigado. Pois que arque com as conseqüências. Um pequeno sacrifício pode até lhe salvar a vida. E a dos outros, principalmente.
Mirem-se no exemplo do João Ramos, o velho amigo radialista. Naquele tempo, trinta anos e bote janeiro nisso, já deixava o carro em um posto de gasolina qualquer, apanhava um táxi e ia curtir em casa sua ressaca. No outro dia voltaria para apanhar seu veículo... quando lembrava onde havia deixado.
Contentem-se, pois, leitores apavorados com o bafômetro. A lei é seca, mas é a lei.
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Ernane Pinto)
Não admire o PECADO. 1-2
Não se curva, resiste pela COMPETÊNCIA. 3-2
Não relate à base sobre o INCIDENTE. 1-2-3
Não foi da justiça a decisão MESQUINHA. 1-2
Não há explicação para o ÓDIO. 1-2
Respostas Anteriores:
ARDENTE - FLIPERAMA - DESPENCA - DESTINO - SÉQUITO