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Aos Vivos

aos vivos

Minimizando ao máximo

Tarcísio Matos


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05/07/2008 13:44


Jânio Quadros sofria pressão política de militares, civis e latifundiários após assumir a presidência da República. Daí inventou de renunciar. Pensava que o povo besta ia pedir que voltasse, outorgando-lhe poderes extras.

Qual o quê! Negrada nem aí pra tramóia dele. Indagado do renunciamento, o finado disparou o celebérrimo "Fi-lo porque qui-lo".

Com base na controvertida expressão, minha prima Palmira, mais conhecida como "Véia", tem modelado suas falas. Em quase toda resposta que dá, mete, gratuitamente, um "Fi-lo porque qui-lo!"

Teve contato com a sentença janina numa aula de História do professor Carlos Cidade, no Colégio Júlia Jorge. Da "lapidar frase" derivaram inúmeras construções. A mais famosa é num episódio envolvendo o marido, Birungueta.

Gerente de loja de material de construção, "Birunga" trabalhava com o irmão Sílvio. Mas, só até o dia em que o pai d'ambos era vivo. O velho bateu as botas e rolou litígio na partilha dos bens. Impossível cada herdeiro querer 50% + 1.

O advogado do primogênito sugeriu chicana jurídica capaz de dar ao marido de Palmira maior quinhão na herança: separar-se da mulher querida. Depois voltaria tudo ao que era. Casal Birungueta divorciado.

Pra botar lenha na fogueira, a mulher de Sílvio aproveita pra fuxicar: diz que Birungueta tem, sim, uma rapariga (com filho) no Zé Walter. Palmira arrasada. O que era só agá do advogado, agora é valendo. Se manda pro Conjunto.

Na Avenida Principal, quer achar e dar uma surra na quenga e no bastardo. Daqui pra lá, casa sim, casa não, "caça" os dois; de lá pra cá, casa não, casa sim, continua a busca. Não encontra rapariga nem menino. Toma porre.

Enquadra Birungueta. Diz não se importar se o marido tem outra. Conclui janioquadrosamente, referindo-se ao rebento que ele tem extra-matrimônio:

- Cri-lho com sucrilho!!!

Desgostosa, Palmira vai terminar a bebedeira na boate Oásis. Embriagadaça, fica em mesa colada ao palco, à direita das caixas de som, onde famoso cantor tem repertório dor de cotovelo. Pede música, aos gritos:

- Detalhes, cantor! Canta aí Detalhes do Roberto Carlos! Vai!
Cantor nem escuta a zoada da mutuca. Vê o garçom passando, puxa pelo braço e impõe que vá ao palco dizer ao cantor que "Palmira, a Véia, tá mandando ele cantar Detalhes!"

Garçom ocupado demais pra dar recado de "pinguça". Uma hora de tentativas e nada de o cantor ser avisado. Palmira se joga sobre o garçom e dá ultimato: ou leva o pedido agora, ou a "Véia" quebra-lhe o 'fucim'.

Enfim, o cantor lê o pedido, num guardanapo. Carinhosamente, pede salva de palmas pra senhorita Palmira, próxima às caixas de som à direita do... Ora bolas, Palmira, chumbadaça, tá capotadaça, babando.

Pra se vingar, o dito garçom vai sobe no palco, pede um ré menor e, conclamando a galera para o acompanhar, canta:

- A véia debaixo da cama/ A véia criava um jumento/ Na noite que se danava/ O gato miava/ O cachorro latia/ O veado corria/ O galo cantava/ O macaco pulava/ O bode berrava/ O jumento rinchava/ E a véia dizia: Ai meu Deus se acaba tudo/ Tanto bem que eu te queria...

EFEITO DOMINÓ

SUÉCIA, A FESTA DO NEGRO


Ao tempo da Copa do Mundo de 1958 contava 12 anos de idade, morava em Santana e assistia aos jogos num rádio Phillips à bateria, pela Rádio Bandeirantes, na voz de Edson Leite e Pedro Luiz. Como vascaíno, não gostava da primeira escalação da Seleção Brasileira, tinha rubro-negro demais pro meu gosto. Apesar de Jadir ter sido desconvocado, ainda estavam lá Joel, Moacyr, Dida e Zagallo, quase toda a linha de ataque.

Mas o time não andava apesar da primeira vitória de três a zero sobre a Áustria com gols de Mazzola (2) e Nilton Santos, um zagueiro. E não passou de um zero a zero contra a Inglaterra, ganhando, logo depois, do retrancado País de Gales por um a zero, num gol do garoto Pelé.

Antes havia vencido os russos por dois a zero e a torcida começava a levar fé. Comentou-se na época que o Brasil começara a jogar com os branquelos para não fazer vergonha na Suécia, terra de louros. O fato é que saíram Joel, Mazzola e Dida, entrando Garrincha, Vavá e Pelé. Na meia-direita de dois pretos, Didi não deu chance ao Moacyr. E na ponta-esquerda de dois brancos ficou Zagallo porque também era bom goleiro (naquele tempo não eram permitidas substituições) e o poderoso chute do Pepe não pode ser acionado. Nem a habilidade do Canhoteiro, outro negro, que também fora desconvocado. Então, com a negralhada em campo o Brasil deslanchou.

Contra a União Soviética, Garrincha desconcertou deixando tontos seus joões. Acertou na trave no primeiro minuto e o Vavá atingiu a meta no segundo. Vieram depois França e Suécia com escores iguais de cinco a dois, e o Brasil saiu com a Jules Rimet nas mãos do capitão Bellini, um brancão vascaíno. Os outros dois cruzmaltinos, Orlando e Vavá, deram conta do recado mesmo faturando tíbias francesas. Sem contar com o Mário Américo, massagista, e Hilton Gosling, médico.

A "canarinho" foi campeã com a camiseta azul porque a Suécia amarelou. Foi um deus-nos-acuda confeccionar, às pressas, o uniforme de última hora. Mas aconteceu o milagre celestial. Na fotografia oficial estava lá o pretinho Djalma Santos, apesar do Di Sordi ter jogado todas as outras partidas. Mas o povo ficou mesmo deslumbrado foi com dois diabinhos geniais: Manuel dos Santos e Edson Nascimento. Que seriam dois nomes perdidos se não fossem Garrincha e Pelé.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br


CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Ernane Pinto)

Aqui, na sargeta, há um PEIXE. 1-2
Nem crustáceo, nem vaca, prefiro PEIXE. 2-2
Está ruim na linha DO MAR. 1-2
No mar, no lado correto, há PEIXE. 1-1
No leito do rei há um LAGARTO. 2-2

Respostas Anteriores:
COMA - LIAME - RESMA - MONTENEGRO - LABAREDA


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Comentários

Tarcísio, de volta seu único leitor...ahahaha!!! Jânio era excelente professor de português, tendo inclusive editado dicionário muito em uso à época! Por isso, pôde compor as mais engraçadas expressões! Homem cultíssimo e de comportamento esquizofrênico... Abraços, enólogo pcsampaio

Paulo César Sampaio

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