Tarcísio Matos
28/06/2008 14:04
O poeta dos cachorros, Jair Moraes, regente da banda Marmota, cismou da gaita e do caxixi e desde 99 não bota uma gota de cachaça na boca. Não fosse a mãe (dona Anunciada) falar do feito na PRE-9, ninguém dava conta!
Meu dileto amigo Audifax Rios largou a bebida há 12 anos e pouco impacto causou à economia local - setor de bodegas e barzinhos. Eu, há oito carnavais, também o fiz, e despercebida foi a suspensão pelos órgãos competentes.
Dr. Chico Barreto, meses atrás, também encostou as chuteiras. Com ele, outros tantos anônimos se privaram do etílico composto e nenhuma placa pela proeza. Porém, existe alguém que se der um stop na pôde...
Com profundo pesar anuncio que o músico, compositor, bom de copo, grande ser humano e irmão de jornada Tarcísio Sardinha pensou em dar um time na que matou o guarda. (O motivo, leiam no final disto.)
É Sardinha riscar do mapa a birita e a Nação entender que o que chamam pelaí de crise do álcool é dose de anão. O consumo de aperitivos, por ele, tem choque no PIB. Sardinha descasado da branquinha é a volta da inflação, o risco Brasil disparando.
A estabilidade do Real vai pra trombas se ele, que dá a vida pra tomar uma "canária" debaixo de chuva, cometer a sandice de deixar de melar o bico. Por indução, nada menos que 250 companheiros de ofício seguir-lhe-ão os passos.
Entre eles, Alves Nascimento, Elismário, Mestre Quim, Carlinhos Patriolino, Márcio Resende, Aroldo Araújo, Fagner e um certo Amadeus Mozart - in memorian. Sem contar que padre Adelson só celebrará missa com quissuco.
Sardinha parando de beber, pára o fígado brasileiro. E aí eu vou dizer uma coisa... Eu num digo é nada!
Suponha que, sozinho, ele tome uma média semanal de 60 doses de cana, 50 de uísque, 40 de vodka, 30 de campari, 15 de rum e encha a pança com mais 20 "brahmosas". Multiplicou tudo por 4 (vezes no mês)?
Avalie você o prejuízo pra seu João do bar da esquina se esse homem sustar a água que passarim num bebe! 2.500 reais/mês deixarão de ser movimentados, ministro Mantega! Não se gasta isso com garapa aqui nem no Planalto!
Se cada tira-gosto (ova de peixe, queijo assado, lingüiça, feijão verde) custa em torno de 15 reais, sendo cinco rodadas por pifão/dia, teremos, numa semana, 15 vezes 5 vezes 7. Multiplicando isso aí por 4, hein!
Por isso o bispo falou: abandonando a marafa, Sardinha descatita o turismo cearense, fecham bares e restaurantes, desempregam-se garçons, maitres, copeiros, caixas, cozinheiras. É menos ICMS, PIS, Cofins, IPI, INSS.
Além do que desaquece o setor da noitada musical, gente de som vai ficar a coçar. Mass medias com espaços ociosos em suas agendas. Queda na produção de copos, guardanapos, palitos, azeitona, farinha, sal, feijoada em lata.
Presidente Lula deverá fazer pronunciamento à Nação, na tentativa de impedi-lo. Pra conter a recessão iminente, Luiz Inácio manterá um primeiro contato com o pessoal de Roberto Marinho. Sim, do finado!
Dizer não à cana tem tudo a ver com a Globo. Explico: Jornal Nacional anunciou chuva em Fortaleza somente no período da tarde, dia desses. E o aguaceiro começou logo às 5 da manhã. Pego desprevenido, Sardinha só tinha cerveja em casa.
- E cerveja num é bebida, papai!
EFEITO DOMINÓ
MEMÓRIA DO ARRAIÁ
No patamar era hasteada a bandeira do padroeiro, menino e cordeiro, que trazia de volta a voz do Gonzagão (Guio Morais), "Ai São João, São João do Carneirinho... peça pro meu mio dá vinte espiga em cada pé".
Ainda se pulavam fogueiras, onde eram assados milho verde e batata doce, mas a preferência já bandeava para os churrascos chamuscados; e a cachaça substituía o aluá puba de palha de milho.
Ao longo da avenida estendiam-se os tabuleiros das vendedoras de bolo, pamonha, tapioca e canjica. As palmas de goma de mandioca e coco ralado tinham o formato de bailarina, com as mãos na cintura.
Os fogos de artifício espocavam no céu estrelado e faíscas vermelhas e azuis e verdes caiam sobre as cabeças dos meninos abismados. Sob as copas escuras, das canafístulas e tamarineiros, namorados trocavam juras de amor.
Sanfoneiros puxavam pelo fole e as letras das melodias saíam de todas as bocas: "Olha pro céu, meu amor/ vê como ele está lindo!" (...) "Namoro à moda antiga/ com suspiros ao luar/ vem vê coisa bonita/ São João no arraiá" (...) "Ai, ai, ai, ai, São João.../ é a dança da moda/ pois em qualquer roda/ só pedem baião".
Meninos brincando de roda, velhos soltando balão, moços em volta à fogueira brincando com um coração. Era assim nos tempos de patrasmente. A letra concebida hoje seria por aqui: Menino acessando orkut, vetado é soltar balão; olha a fogueira virtual, meu marca-passo na mão.
É mais fácil ver quadrilha (junina) na cidade grande que no sertão. O matuto tem vergonha de suas tradições e adota qualquer novidade. Na metrópole, há incentivos para a preservação do folclore e se promovem festivais de quadrilhas entre os bairros. Longe do modelo tradicional, mas já é alguma coisa. Sumiram as figuras do padre, padrinho-coronel, juiz e casal brejeiro. A cerimônia é ecumênica, o político entra em cena e o carneirinho de São João há muito virou churrasco.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Petrônio Câmara)
Junto, sem a VÍRGULA. 1-1
Estudava, eu, sem NEXO. 2-1
Vaca ruim, perdeu QUINHENTAS. 1-1
Morro, mas luto pelo meu PAÍS. 2-2
Ali, no botequim, está com jeito que alguém me CHAMA. 1-1-1-1
Respostas anteriores:
FILÓSOFO - DASIMETRIA - GOTA-SERENA - JAMELÃO - ÁPIRO
Tarcísio, velho amigo, fizeste bem em parar de beber! Eu começei agora! A cada dia uma taça de bom vinho + queijo da melhor qualidade + remedinho, tudo receitado pelo médico! Tô documentado e tudo! Largo nunca! Precisamos conversar! Desça um andar qualquer dia desses! enólogo pcsampaio
Paulo César Sampaio