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Aos Vivos

AOS VIVOS

"Enrolado é um fato, escorrido é uma tripa"

Tarcísio Matos


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21/06/2008 14:44

Bateu na fisiologia do cristão, ficamos todos no mesmo tope. Pobre e rico se igualam, pois, no comer e no pôr-pra-fora. Invariavelmente, mal cheiram ao excrementarem 'aquilos' lá. Têm intestinos e canecos, ambos.

E é no recôndito da relação que o casal descamba pro chulo, como se outras terminologias não houvesse pra substituir uma bufa, uma (com licença da má palavra) cagada. Nessa hora, barão se faz mortal como qualquer lascado.

Exemplo? O casal, Dr. Francisco e a senhora Elaine. Em high society, uma parede de bons modos, etiqueta a doer nos nervos. Vamos ao que interessa.

Dr. Francisco dirigia sua Hilux, tendo Elaine por passageira. A carona é a tia dela, Antonice. O guiador, sisudo (motorista super atento), apenas ouve a conversa entre a mulher e tia, derramada no banco detrás.

O papo entre elas? O peido como fator de quebra de gelo entre o casal, instrumento de aproximação, de incremento do trato íntimo. Pois bem.

- Antonice, mulher, eu passei a peidar na frente do Francisco e aí ficamos extremamente mais afinados.

- Ouvi falar que um punzinho é que nem visgo.

- O peido melhorou a nossa relação, ficamos mais próximos, unidos.

- Que a catinha nunca os separe!

- Depois que quebrei as amarras e peidei sem medo, ficamos cúmplices.

- Freud falou: traque melhora o sentimento, a paixão, o amor, o tesão.

- Tia, peidar na frente de quem se ama melhora a intimidade!!!

No exato momento da besteira dita, Antonice, sem forças no velho esfíncter, deixa escapar um flato - um peido zoadento. Dr. Francisco não se contém:

- É? Pois vamos já parar com essas intimidades, viu dona Antonice?!?

E Donana tá com a dor mais infeliz do mundo na barriga. Nada em casa que tomou dá jeito. O jeito é o marido Niltinho levá-la pruma emergência. Ela se contorce, quase desmaiando.

Cisto no ovário cutucando? Cálculo renal? Peido ariado - aspirando à liberdade? É provável. Na falta de diagnóstico preciso pra estancar a lancinante dor, Niltinho leva a mulher praquele hospital que nem hotel é tão cinco estrelas.

Recepção coalhada de gente - doentes chiques. Altas dondocas, senhores marombados, meninos de granja. Plano de saúde em dia, Donana, na cadeira de rodas, já toma soro com buscopan na veia. Geme, crê não escapar.

Enquanto a ficha é preenchida, bate nela vontade arrombada de dar uma voltinha no banheiro. O marido, paciente, empurra a cadeira de rodas, segurando o frasco do soro. Donana no trono, faz força. Porta entreaberta.

Quando tudo parecia perdido, eis que a rolha lá debaixo é sacada e a consorte de Niltinho bota pra fora o que, duro num primeiro instante e líquido logo após, doía-lhe até os juízos. E defeca beleza.

A empanzinada empesta a recepção. Uma merda, viu? Ela tá morta de vergonha - o povo lá fora sabe de onde parte o catingal. O que fez Donana? Fez-se de desmaiada no carrinho e pediu ao marido que chinelasse.

Cruzam a recepção em busca do estacionamento. A atendente ainda grita:

- Ei, dona! Já tá arrumado seu quarto!

E Niltinho...

- Home, vá pros quinto!


EFEITO DOMINÓ

O SILÊNCIO DOS RÓI-RÓI

Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br


O pau da bandeira de Barbalha, vai chegar o dia, não mais hasteará o pavilhão do santo casamenteiro. Breve será sintético, de concreto ou outro artigo ainda não vetado pelos patrulheiros da ecologia. Assim foi o fim do balão, para evitar queimadas. Vai ser o desaparecimento da vaquejada pra não arriscar a pele dos animais... e aí entra o bicho-homem, também.

Alegres símbolos de nossas festas juninas, ao longo do tempo, vão se transformando, adaptando-se às novas diretrizes do chamado progresso. A própria festança veste outras roupas que não a chita e a palha. Os pés-de-serra musicais também sofrem abalos por conta da ganância dos produtores e a conivência da mídia.

Pobre do rói-rói, talvez nem este nome tenha mais. Era um brinquedo zoadento formado por um cilindro de barro cru, recoberto de papel de seda colorido, preso a uma vareta de marmeleiro por um barbante de tucum de carnaúba. A extremidade dessa haste era mergulhada no breu para provocar um barulho característico. E como fazia zoada!

Hoje, o rói-rói, se é que o nome ainda persiste, é feito de cano de pevecê, sem enfeites, a linha é de nylon, a vareta de plástico e o breu, se ainda não é o de origem é um outro qualquer artigo similar, sintético. O certo é que o som já não é o mesmo.

E as simpatias, como estão? Virtuais? Como se enfiar uma faca num tronco de bananeira pela Internet? E as fogueiras eletrônicas? E como assar uma espiga de milho num micro-ondas, sem o calor da brasa e o visual das chamas? E pra que milho em espiga se o mercadinho já o vende descaroçado e enlatado?

A única vantagem da fogueira não ser de mesmo, lenha e labareda, é que os carnês da anedota jamais serão queimados.

Mas pra quem não agüenta uma quadrilha tradicional, com anarriês e anavantús é bom mesmo ficar com os embalos do "créu", beber, cair e levantar. Enquanto Pedro, Antonio e João toleram, ou ainda comandam o espetáculo.


CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Adjemir Paiva)

• Amigo de sábio também é SÁBIO. 2-2
• É muito denso o processo de mensuração ou de MEDIDA DE DENSIDADE DO AR. 2-3
• No líquido, tranqüila, CEGA. 2-3
• Se é assim, então, uma fruta também é uma FRUTA. 1-2
• Não se altera ao fogo, é INFUSÍVEL. 1-2

Respostas Anteriores:
RESUMIA - SEMPRE - ONOMATOPÉIA - CISMAR - CRIATURA


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Comentários

Tarcísio - velho amigo! Tem jeito não! Sou, na verdade, seu único leitor... ahahaha!!! Flatulência como afrodisíaco! Uau! Vou já comer uma buchada...

Paulo César Sampaio

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