Tarcísio Matos
14/06/2008 15:48

CAUSO 1
Segundo o Orélo, o termo 'infuca' é tudo isso: enredo, fuxico, intriga; questão complicada; tentativa, experiência. Porque infuca grande demais patrocinou Paulinho, com a lorota de, por fina força, querer que a Ana Maria Braga lesse no Mais Você uma receita de autoria dele.
A fórmula? O que ele, ensimesmado, há chamado de "receita ideal": como ter mais categoria sexual com criatividade e elementos manjados. Em síntese, Paulinho descobriu que ½ comprimido de Cialis com dois copos de cerveja deixa qualquer indivíduo tinindo de macho.
O produto, patenteado no INPI, não tem contra-indicação, "sai mais em conta" que os fármacos tradicionais anti-disfunção erétil, é revolucionário, "traz felicidade" e tem validade de dois dias. Demais, a cerveja utilizada pode ser de qualquer marca. "Desde que seja líquida".
Uma reação adversa foi relatada pelo nonagenário Clodomiro Sampaio, de Iguatu. Súbito, ele passou a flertar com a sogra. O prurido mental, contudo, foi de pouca duração - seis meses. Quanto às interações medicamentosas, experimente a "receita ideal" ao lado da sogra, leitor amigo!
O mais determinante (infelizmente a produção da Ana Maria Braga não entendeu, ou deu uma de João-sem-braço), consoante o próprio Paulinho:
- Só funciona se a cumade for loura-papagaio. Fiz pensando naquela Ana!
CAUSO 2
Original, providencial, animal. Tenho em mão anúncio sobre concurso público para o preenchimento de três vagas na cidade paraibana de Conde. Tá no panfleto: "No intuito de incrementar o ecoturismo municipal, a prefeitura institui concurso público para o cargo de segurador de jumento".
Repito: SEGURADOR DE JUMENTO! Uma semana de publicação do edital e já mais de 12 milhões de inscritos de todo o Brasil. Se o amigo está a indagar por que um simples posto de "segurador de jumento" disputa tanta atenção, observem.
O "segurador de jumento" terá por local de trabalho a praia de nudismo de Tambaba, conhecida internacionalmente pelo povo que aprecia mostrar as vergonhas sem a menor vergonha. O serviço: segurar o animal pelo cabresto, enquanto a criatura passa a perna e monta pelada.
O salário é irrisório: R$ 350,00. A taxa de inscrição, feita no local, medonha: R$ 1.500,00. Pelo que fomos informados, tem sujeito desistindo de concursos de TRE, TCU, PGE, Polícia Federal e até do Itamaraty pra concorrer à vaga de "segurador de jumento", pra labutar em Tambaba.
Conheço o assunto. Asseguro ser desafio sacrificoso conter a vontade ante um mulherão daquele, ao se escanchar no bicho, roçando o caneco nas ventas do barnabé. Não sei se o mais complicado é se segurar ou segurar a ira do ungulado. Conheço o assunto! Jumento apaixonado é o cão!
E fico a me perguntar: se eu for aprovado, quem segura o jumento?
AO RAIO QUE TE PARTA
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
No comecinho de junho, pra coroar "fins d'água", a madrugada se fez festiva com o ribombar de trovões, sob luzes de repetidos relâmpagos. Muito barulho para pouca chuva. E um espetáculo assustador para quem dorme sob a singeleza da telha-vã.
O duradouro estropício serviu, já que o sono estava mesmo perdido, para reflexões e lembranças marinheiras, fictícias, apanhadas em livros e fitas, e na telinha da revolucionária tevê.
Imagine aí um desses galeões antigos, de madeira apodrecida pela usança oficial, pirateira e corsária, sob o ataque de coriscos raivosos, em alto mar, ao embalo de tempestuosas ondas. Vista a pele do pequenino jangadeiro em sua frágil embarcação, num mar igualmente encapelado, ao som de trovoada estrepitosa. Eram audazes os velhos marinheiros. Corajosos os humildes pescadores. Como enfrentar a fúria dos deuses, o marujo intrépido num tosco navio de pau? Responda, caro Ciro Colares.
Naquela noite iluminada veio à mente os espetáculos (O Contador de Histórias) da velha TV Ceará. O Lobo do Mar, de Jack London, onde atuavam João Ramos, Wilson Machado, Emiliano Queiroz e Rinauro Moreira; Moby Dick e seu Pequod reconstruído em set pelo cenógrafo Rinauro com a mão mágica de João de Deus; O Conde de Monte Cristo, de Dumas, onde figurava, novamente, o Joramos. E João Antony Éden de Medeiros y Ramos, mais uma vez, em O Gavião dos Mares, de Rafael Sabatini, ele, João, no papel de comandante. Na verdade não se concebia uma aventura em alto mar sem a presença do Joanin das Louras.
Era como se a tempestade trouxesse de volta esse ator magnífico. Este artista múltiplo que por tantos anos ensinou, no Canal 2 associado, com quantos paus se fazia uma jangada. Ou um Pequod do Herman Melville.
E pensar que Mestre Jerônimo, Jacaré, Tatá e Mané Preto enfrentaram noites assim, sem eira nem beira, numa balsa de piúba, raios partindo a tosca vela; lutando pelos direitos da vida enquanto enfrentavam a morte sob o olhar curioso e deslumbrado do garotão Orson Welles, raio e trovão do cinema americano. E que o saudoso Poionion sonhava, um dia, sobre cinco paus, cruzar, incólume, o Triângulo das Bermudas... durma-se com um barulho desses!
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Francisco Thomaz)
A condenada desaparecia e a pena DIMINUIA. 1-2
Desprovido antes e CONTINUAMENTE. 1-1
Yoko disse: acabo de surra quem FALA DE BICHO. 2-2-2
Depois de ver o oceano fico a IMAGINAR. 1-1
Acreditei que se suporta essa PESSOA. 1-3
Respostas Anteriores:
TRANCAFIADO - LATEJA - CARINHO - APOSENTE - EMBARGADO