Tarcísio Matos
31/05/2008 16:22
Entre as tantas virtudes do homem, a extraordinária capacidade de produzir sabedoria e, mal compreendido, ser taxado de besta. Grau dez, pois, pra João Furiba. Arrepie-se com o que eu pincei dele - entre chistes e mogangas disparadas sem rebuços, ao natural:
- Das minhas filhas, a mais rebelde é Mara Rúbia; a mais cavilosa, Mara Cristina; e a mais peregrina é a Mara Ponga.
- Posso até nem falar francês, mas meu irmão toca violino!
- Naquele frio de 5ºC de Santa Catarina eu num tomava banho nem que estivesse cagado com bosta dos outros!
- O vírus é uma bactéria.
João Furiba é conhecido no Pio XII. Dele sei d'algumas histórias burlescas. Uma delas: foi sacristão no tempo do excêntrico padre Pita. Numa missa de domingo, está ajoelhado na traseira do altar, como costumeiro.
De repente vê uma nota de 10 mil réis a dois passos do sacerdote. Padre Pita também vê a cédula, e se apressa em botar o pezão em cima. Furiba pigarreia, alertando que viu a arrumação. O vigário se vira e bate o olho.
É quando o sacristão gesticula com as mãos, indicando que a grana é para ser repartida - rachada. O padre faz sinal de positivo. Até o final da celebração, Pita tem a nota de 10 mil réis sob o sapato. Fiéis se vão e só aí ele se abaixa pra apanhar o dinheiro.
Furiba chega junto, pergunta por sua parte. O padre se faz de rogado.
- Mas o senhor fez sinal de positivo pra mim, padre Pita!
O religioso, bem despachado...
- Tu queria bem que eu te desse um cotoco no meio da missa, Furiba?
Outra dele: terminada uma super-bem-sucedida cirurgia de abdômen (dermolipectomia abdominal) num paciente roliço do SUS, foram os doutores Pedro (cirurgião) e Adilton (anestesista) comemorar num bar. Com uísque.
Na mesa, João Furiba, amigo de ambos. Os médicos gabavam um ao outro do realizado. A cirurgia, caso raro, foi pra retirar a pele e a gordura da beirada do umbigo enviesado do sujeito lá. Adilton, o anestesista...
- Cara, a tua incisão pra correção do excesso de adiposo foi perfeita!
- Perfeita foi a peridural que tu fez. O paciente nem bateu a pestana!
- Tua manobra foi tão invocada que nem cicatriz vai ficar.
- Tudo porque tu monitorou a circulação do paciente pela virilha.
Médicos empolgados, Furiba mil vezes mais. Sem encontrar brecha pra entrar no papo, já no quinto uísque, apenas ouve os relatos entusiasmados.
- Foi 10 tu aproximar os músculos do abdômen em X. Nem Ivo Pitanguy!
- E tu? Medindo os batimentos cardíacos com uma trena!
Aí o ex-sacristão não agüentou. Tão contaminado com a animação do anestesista e do cirurgião, enfim interveio:
- Vocês dois aí! Vão fazer o que agora?
- Nada!- responderam.
- Pois me façam um favor, negada: me operem!!!
EFEITO DOMINÓ
Ou vai ou racha
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Aqui na terra a própria treme assustando os ressacados, quebrando garrafas nos balcões e balançando camas nas alcovas para alegria dos amantes. Facilita a vida quando é pra peneirar xerém, salgar toucinho e por canela em canjica. Nas construções, se ajuda a socar o concreto, quebra os tijolos furados e arranca xaboques dos rebocos.
Nos casebres de taipa as crianças recém-nascidas são embaladas como as irmãs andinas de Gabriela Mistral, pelos sacolejos novidadeiros da terra revoltosa. Que provocaram rachas também em partidos políticos, elevando ao patamar prefeiturável uma mulher, agrônoma, líder rural, a vereadora Sandra. Que abala estruturas oligárquicas sedimentadas há um tempão.
Os tais abalos, agora corriqueiros, eram, outrora, fenômenos sobrenaturais raros e promovidos pela crença popular em augúrios de um bom inverno. Quando o serrote do Mucuripe, onde moram os verdes abutres da colina, estrondava podia-se botar o pote na biqueira.
O que faria, agora, a velhinha rezadeira, mãe dos Rio Branco, que não podia ver o tempo carregado e corria para a calçada, a ajoelhar-se de braços abertos, voltada para a Igreja Matriz, a imprecar tenebrosas preces aos céus?!
E os donos de olarias estão eufóricos, nunca se vendeu tanta telha, cada tremor é um deus-nos-acuda que estraçalha os tetos das casas humildes, ah, saudades das cobertas de palha de carnaúba...
Mas já dizia o finado Lourenço Lira, um desses sábios do povo: o maior abalo por que passa a humanidade é a falta de vergonha, a ladroagem e a impunidade. O resto é balela. O ser humano só age por interesse, ninguém mais faz nada por amor. Há muito se foi a metáfora do coração estremecido.
CHARADAS NOVÍSSIMAS
(Colaboração de Ernane Pinto)
• Quem muito mexe comete EXAGERO. 2-2
• Este homem tem dente de COBRA. 1-2
• Pessoa desprezível e SUBSERVIENTE. 1-1
• Lá vem, outra vez, a DEFESA. 2-1
• Bezerro que mama merece ATENÇÃO. 1-2
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