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Em terra de cego quem tem joelho de freira é doido


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24/05/2008 15:50


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“Se em terra de cego quem tem um olho é rei, o que dirá que tem dois!” O abundoso pensamento é da lavra do preclaro Procópio Straus, 10 meses à busca de consulta com o nobre amigo, Dr. Airton Monte.

Se Procópio é portador de algum desequilíbrio, só Airton (ou um bom bodegueiro) para dizê-lo. Creio que o cara goze de plena saúde espiritual - o mundo é que anda mudado demais da conta.

- Tão mudado que Deus carece ligeiro dum PhD nas coisas - sustenta.
A seguir, alguns indicativos de como anda mentalmente o moço, que insiste, seguindo a linha de raciocínio da primeira linha destas mal-traçadas, em formular teorias ‘fisiolosóficas’ do tipo:
- Em terra de capado, quem tem um ovo é ‘prinspe’.
No recente bicampeonato do Fortaleza (era uma e meia da madruga), perguntei-lhe sobre o terremoto na China e ele respondeu, arrastando o celular da cueca: “São 25 horas e 83 minutos. Só na China mesmo, viu?”.

Sem o menor remorso, foi já me oferecendo cartelas da rifa dum galo - “a grana é pra família duma galinha do oveiro baixo que atropelei no Pici”.

O forte de Procópio, entanto, é a capacidade mercadológica - capítulo vendas no varejo - que insiste em lhe atribuir um certo deputado eleito federal à custa duma roubalheira municipal.

Atacado do juízo, creio que Procópio e o parlamentar em questão fariam com Duda Mendonça um excelente quarteto - o quarto elemento, claro, é o galo da rifa, a propósito.

O dito parlamentar quer emancipar um lugarejo à condição de município. Precisa dourar a pílula do local pediu a Procópio estratégias que permitam dar ares de megalópole a um povoado de 65 habitantes.

Precisa, para fins da Lei Estadual, juntar gente e inchar aquilo lá.

Nosso geniozinho, então, confeccionou faixas e espalhou no município vizinho. Idéia: garimpar profissionais de peso dispostos a ir pra lá. Confira os conteúdos de 5 das 145 faixas espichadas na tal cidade contígua:

- Precisa-se de médico que saiba lavar, cozinhar, adestrar cachorro, falar duas línguas e que tenha 15 cachorros;

- Garantimos vagas para engenheiros peritos em borracharia, lavagem a seco e aprecie aluá com moderação;

- Contratamos mulheres que operem com caminhão-caçamba, não amamentem em serviço e façam cafuné a torto e a direito;

- Empregamos costureiras que operem sem anestesia, sejam boas na venda de quebra-queixo e nadem em açude sangrando...

Pra matar a pau (vai chover de interessados), o anúncio que finda por sair hoje à noite no Fantástico:

- Aceita-se entulho e um bom proctologista candidato a prefeito...


EFEITO DOMINÓ

Corpus Christi

A primeira imagem do Senhor que me veio à mente era a de um crucifixo quebrado, encontrado a um canto do santuário, do qual nos utilizávamos, eu e a Dione, a minha irmã mais velha, para amedrontarmo-nos um ao outro nos momentos de briga feia. Fechávamos os olhos, empunhávamos o Cristo já tão martirizado e mostrávamos ao “inimigo” num cruz-credo definitivo. E voltávamos à serena paz.

Outro Cristo despedaçado povoou minha mente já adulta nos estúdios do Christiano Câmara. Era o da crônica do correspondente de guerra Rubem Braga sobre uma capela italiana destruída por bombardeios alemães. E a mensagem do Braga coube como coroa de espinhos na garganta do Zé Domingos, o mais sensível narrador daquela época. Pois ouçamos novamente essa belíssima peça na maviosa voz do Zé nesses dias de reflexão.

Madame Violeta, a primeira dama do Circo Santanense, encomendou à pintora Diana, nos idos do cinqüenta e seis, uma imagem de Jesus ao modelo do Ecce Homo que havia pendurado na parede do Sr. José Otílio, na casa que alugara para a temporada circense. A mana cumpriu à risca o que seria para a apresentação do drama da paixão. E qual não foi a surpresa (milagre?) do distinto público quando a doce Verônica mostrou a toalha com a qual enxugava o suor do Salvador. A imagem resplandecia colorida, ressaltando um azul turqueza de arregalado olhar.

Havia um jogador de futebol, o Xavier, que por ter barbicha natural repartida em dois cachos foi apelidado de Nossinhô. Ao ser cobrada uma falta contra seu time, estando de costas na barreira, a bola acertou-lhe com tamanha violência que o deixou estatelado no gramado. Ao que o Gerardo Aurélio, o gaiato da cidade, exclamou: “Ô Nossinhô, quebrou a cruz, hein?!”

E no dito circo, o Assis, que também era trapezista e amestrador de cachorros, estava morto na cruz, sob um efeito de luzes e fumaças quando uma labareda perdida subiu-lhe pelas tranças. Cristo não pensou duas vezes, descravou o braço do madeiro e jogou a peruca no chão. O pano caiu tarde e atrasado num calvário de gargalhadas.

Lá no Teatro São José, todos os anos, “O Mártir do Gólgota” deixava, em certo momento, as velhinhas carolas da Dom Manuel indignadas. É que quando o Nazareno (o ator era bicha) perguntava, em pleno Sinédrio: “O que quereis de mim, ó fariseus?”, a platéia iconoclasta se antecipava com um uníssono “O c.!”. Que heresia!

CHARADAS NOVÍSSIMAS
(Colaboração de Petrônio Câmara)
Com a ferramenta certa, cultiva sem meio TERMO. 1-2
O mastro está na relação da BANDEIRANTE. 1-2
Sai uma nota, amanhã, nos MEIOS DE COMUNICAÇÃO. 1-2
Antes de dar a informação, relê o DISCURSO. 1-2
Está péssima a carne de AVESTRUZ. 1-1

RESPOSTAS ANTERIORES;
ARCANO - ARCEBISPO - DÁLIA - ANTOLOGIA - FÁBULA


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