Tarcísio Matos
03/05/2008 16:45

Conheço um ruma de gente dita "diferente", se comparada, tanto assim, ao padrão norte-americano de bicho de orelha que dá cotoco a malfazejo na TV, perambula em shopping com raposa, come galinha preta na Casa Branca...
Contudo, todavia, mais diferentes que Juvenal e seu filho Juvenal Jota-Erre (de 'lambuja' incluo a mãe do rapaz), duvido haver semelhança no Universo!
Pra melhor compreensão do que relato, atentem para colóquio entre pai e filho, na missa de 7º dia do Mundico Pega-Pinto, aos cochichos:
- Num teime com papai, filhote! Em cima do telhado, todo mundo é campeão, principalmente gato.
- Mas a salvação, pai, só vem se amarrar a sogra num balão e mandar ela pro Céu. Sem GPS!
Sentiram o drama? Continuemos.
Juvenal, protético, é casado com a 'prendas do lar' Totonha. Juvenal Jota-Erre, primogênito, carrega entre outras arrelias o desdouro de comer feito um condenado. "Esmeril da França", "Impigem de pescoço"...
Aos 16 anos, 134 quilos. Nos diagnósticos da vizinhança amundiçada, uns tais "poblema nas tripa", "estambo alaigado", "ingrizia no farnizim discambado pra bíli", "friscura de rabo"...
Uma perguntinha, porém, não cala: como criar um fí duma égua pançudo daquele com o dinheiro curto das dentaduras abocanhadas pelo pai? A mãe, tadinha, orgulhosa com dieta vinda dos EUA, diz como se vantagem fosse:
- Diz aí que Jota-Erre agora só tá tomando coca zero!
À desconformidade fisiológica do garoto (é ver uma jaca com azia), some-se o fato de estar, duns dias pra cá, "pepsicologicamente descompensado": espreme um tubo de pasta de dente num carioquinha e come como se fosse maionese.
Os despropósitos do menino têm inspiração paterna. Juvenal é filósofo de si mesmo. Na tampa do medidor de energia da sala, diariamente lê sugestões de sua autoria dirigidas a mulher e filho, com base no adverbial nunca jamais:
- Nunca sente na privada sem antes verificar se há, ao derredor, com o que limpar a parte lambuzada;
- Jamais tome refresco, garapa, suco ou blimp sem palito de dente no raio de um metro e meio;
- Em tempo algum dê bom dia a doido de noite;
- Em nenhum instante chupe laranja na frente duma rapariga.
Ainda há dúvida sobre a mentalidade de Juvenalzinho? Pois ó o que sucedeu semana retrasada. Jota-Erre sentiu forte dor de dente. Foi ao dentista. Na cadeira do "profissional que trata das moléstias dentárias"...
- Dos meus 28 dentes próprios, tem um que tá doendo feito a gota. Arranque!
- Não estou vendo... o que dói... Dá pra sentir o ruim?
- Não, o senhor é o dentista. Cace o quengado e distraia ele.
- Sinceramente... não consigo... visualizar qual tem problema.
- Então, sem me fazer pergunta besta, doutor, arranque tudim! Quero ver se esse c... ainda dói! Bora, avia!!!
ESSA LEVA DE TREINADORES
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
Na década de cinqüenta o futebol brasileiro, a despeito de fazer muitos craques em casa, achou de importar muita gente boa daqui de perto, notadamente do Paraguai, Uruguai e Argentina. Pelos gramados brasileiros deitaram e rolaram a bola competentes profissionais do pebol como Alarcon e Paraguaio (América); os irmãos José e Sílvio Parodi (Vasco da Gama); Benitez, Garcia e Chamorro (Flamengo); Gavilan (Bangu), pra falar só nos que jogavam no Rio de Janeiro.
Mas a estrangeirada não vinha apenas vestir (ou envergar) as camisetas desses times (ou esquadrões). Chegavam por aqui, também, os que sentavam no banco dos treinadores (ou técnicos) e que fizeram história. Fleitas Solich era a cara do tricampeonato carioca que o Mengão levantou em 1953-54-55. E teve mais: Yustrich, o Homão, Bella Gutman e um outro húngaro que veio dar com os costados por estes ensolarados gramados alencarinos; o Janus Tratay, que fez além de história, muito folclore por muitos anos. O Brasil, então, tinha uma safra de bons técnicos, além do feijão-com-arroz dos Moreira (Zezé e Aymoré): Otto Glória, Flávio Costa, Tim, Gentil Cardoso, Osvaldo Brandão, Martim Francisco e o discutido Vicente Feola. Depois chegou a geração Zagallo quando se destacaram, principalmente, Telê Santana e João Saldanha... e a turma nova/velha que está aí neste interminável troca-troca.
Nos campos de várzea do interior o treinador era, geralmente, o dono da bola e das camisas e que, invariavelmente, nunca haviam jogado futebol. Como o Raul da Constança, lá em Santana, que, certa vez, queria porque queria escalar um décimo segundo jogador na partida alegando que o juiz (ou árbitro) não iria notar. Confiava na cegueira do "referee" que só apitava corretamente o que acontecia de errado no lado do seu olho bom. Aliás, a mesma atitude que a autoridade empregava na fábrica de redes do Nazion Aguiar, onde era mestre dos mais competentes. Quer dizer: enxergava as linhas do campo como as mechas de algodão do seu tear artesanal. De onde dirigia os trabalhadores com o mesmo estridente apito que usava no campo de futebol.
CHARADAS NOVÍSSIMAS
A favor de um cubículo para se abrigar da TORMENTA. 1-2
Cria, com frescor, flor sobre pedra, a DOUTRINA FANÁTICA. 2-2-1-1
De fazer dó: sem dinheiro, com pena, CONDOÍDO. 2-2-1
Sem o tom da nota não há ENTENDIMENTO. 1-1-1
Dei um brilho permanente em DIVERSAS CORES. 2-3
Respostas Anteriores:
POMO - CAMARIM - AFIM - MOLEQUE - NÁUSEA