Tarcísio Matos
26/04/2008 16:09
Conheço o Luiz e não é de hoje. A palavra dele vale mais que uma ruma de "juro por Deus de pé junto". Se ele disser que aconteceu, acredite que é de vera. Cabra do Massapê num anda com potoca.
A historinha em tela, por exemplo, deu-se em 1961, quando à cidade chegou um médico com fama de santo. Alvoroço por saber quem era o tal esculápio.
Um primo do Luiz, por nome Wílhame, presepeiro conhecido, resolveu tirar o doutor a terreiro - queria frescar. Foi quem primeiro apareceu no consultório do clínico geral. Sequer sabia o nome do curador de doentes.
- Bom dia, doutor, doutor...
- Plácido! Em que posso servi-lo?
- Fui pra missa sem cueca e pronto: num tô sentindo cheiro de nada, nada!
Girando a cadeira, espichando o olhar em busca da recepção, o médico, sentindo cheiro de marmota no ar, berra pra secretária-enfermeira:
- Juju! Me traga aí o frasco 7, na prateleira 3!!!
Silêncio, enquanto a mulher chega com a encomenda. Recipiente, enfim, cuidadosamente deitado na mesa, que mais parecia caderno de 12 matérias, tamanha a papelada. O médico destampa o vidrinho e o encosta nos buracos da venta de Wílhame, que vexado recupera o vigor.
- Égua, doutor! Fun-fun! Isso é merda!!!
- Viu só? Desse mal o senhor tá curado!
Inconformado, o primo do Luiz sai bufando de raiva - foi pegar o médico e o médico é quem pegou ele. Tenta nova arruaça. Conta, em nova consulta, que, sem-ver-de-quê, ficou mouco, mouco. Dr. Plácido cismado.
- Num tem uma semana o decente esteve aqui, sem sentir cheiro de nada...
- Pois num é! Chupei pitomba em jejum e eu fiquei surdo das oiças. E aí?
- E aí que eu vou apelar pro meu Vade Mecum particular.
Girando a cadeira, fala em direção da recepção. Como da vez passada, bodeja pra secretária-enfermeira:
- Juju! Me traga aí o frasco 7...
Nem bem Dr. Plácido termina a frase e Wílhame retruca:
- Ó aqui, gente fina, se for o frasco 7 da prateleira 3...
- E é ele mesmo! Viu só como o amigo ligeiro passou a ouvir?
O emboanceiro primo do Luiz armou e de novo se deu mal. Mas não desiste, quer levar adiante o propósito de "haumilhar" o de branco. Quinze dias adiante, volta ao consultório. A queixa da vez é mais grave, sistêmica, mazela de derrotar macho:
- Perdi o tesão, gente boa. Num levanto mais nem falso! Brochei...
- Eita pacientezinho mais sem resistência! Primeiro, a falta de olfato; depois, a surdez. Agora, uma impotência sexual.
- Fazer o que, num é?
- Claro, claro! Bem, deixa eu ver aqui. Ô Juju! Me veja no almoxarifado o...
- Ó aqui, doutor fí duma égua! Se for o tal do frasco 7 da prateleira 3, se prepare que eu vou lhe f... aqui e agora!!!
EFEITO DOMINÓ
MEU TIPO INESQUECÍVEL - XIV
"Ao apaixonado seresteiro João GUILHERME da Silva NETO, radialista por excelência, cronista do bas-fond desta Fortalezamada, biógrafo das tristes meninas que povoavam as alegres pensões infamiliares".
Assim está assentado, entre garatujas astecas, na página 7 do romance Voe comigo quando desmorrer, último da trilogia Memória do Encantamento, lançado na última quinta-feira, no Centro Cultural Oboé.
A escolha do homenageado de hoje deve-se a inúmeras razões. Começa que foi seu aniversário no dia 23, quando fechou 83 anos. Bem vividos, rodeado de amigos, arte e vida. Ao som de plangentes violões e à luz de cúmplices luares. Ocasião em que ganha presente especial: seu livro, Chuva na Madrugada. Antigas crônicas selecionadas e editadas pelo amigo Anastácio de Sousa. Diagramadas pelo Antonio João, a quem dava sorvetes quando pequeno, ilustradas por este seu discípulo. Com depoimentos de Ricardo Guilherme, o sobrinho dileto, Augusto Borges, Flávio Torres, Fernando Távora, Blanchard Girão, Manuelito Eduardo e outros. Tudo empacotado na ABC, a gráfica do Maurício Xerez. Com lançamento para breve.
Segundo, Guilherme foi, junto com o João Ramos, meu orientador a partir de 75, como sempre digo, meus segundos pais, já que o verdadeiro se fora no 61. Guilherme Neto era diretor artístico da TV Ceará, da cadeia associada, onde eu havia ingressado como auxiliar de cenógrafo. Foram suas palavras mansas que nortearam minha vida de artista naqueles anos obscuros. Devo a ele a coragem de ter mostrado meus pendores artísticos e literários. Guilherme prefaciou meu primeiro livro, Bar Peixe Frito.
E terceiro, porque além de chefe e pai se tornou meu amigo. De boas conversas, de boas talagadas. Para mim será o eterno "chefim" como todos o tratavam, carinhosamente.
Por tudo isso, e muito mais, Guilherme Neto é hoje meu tipo inesquecível.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Petrônio Câmara)
Terra com pedra não dá FRUTO. 1-1
O móvel com um órgão é DE TEATRO. 2-1
Não acaba a SEMELHANÇA. 1-1
Com a pedra eu abano a cara do GAIATO. 1-2
No navio, talvez, não sinta ENJÔO. 1-1-1
Respostas Anteriores:
DETERGENTE - TABULETA - DETENTO - POROROCA - EVENTO