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Aos Vivos

AOS VIVOS

O rastro

Tarcísio Matos


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12/05/2007 14:10


Chico do Anel, 70 anos, dá entrada em hospital público com bucho inchado e dor corredeira simulando peido areado. O médico, sem tempo de colher uma boa história, coloca-o em observação após prescrever-lhe 70 gotas de luftal. A partir daí um aroma floral expande-se no ambiente chamando a atenção de todos.

O corpo clínico e os funcionários não conseguem entender a fonte de tal essência, haja vista não ser comum o aparecimento de cheiro agradável naquele espaço outrora tão catingoso. Após processo investigativo rápido surge a primeira pista. Um doente mental insiste em dizer que aquele perfume provém do anel de sola do paciente recém-internado.

Não lhe dão ouvidos e até zombam do pobre homem quando, de repente, um estrondo tipo trovão de estralo e cheiro adocicado chama a atenção dos detetives de falsos odores. Dá-se então a constatação que a fonte soprante era mesmo do fogareiro daquele tão humilde paciente.

O cirurgião-chefe é chamado às pressas e identifica um tumor móvel, endurecido e de forma cilíndrica no abdome daquele esquálido enfermo. Após relaxamento com anestesia, as mãos hábeis do esculápio deslizam sobre a massa tumoral e esta, obedecendo ao seu comando, desce garbosamente através da tripa gaiteira para surpresa de todos. Finalmente, é desvendado o mistério: um tubo de desodorante Rastro no boga de Zé do Anel.

Passado o susto, o médico indaga ao paciente porque ele escolheu aquela marca para o seu deleite. Este o responde prontamente: - É que desde menino, enquanto eu tive a formosura da idade, sempre conservei um certo rastro aí nessa regada, doutor... Um rastro que fica!
Sávio Pinheiro


Sexagenária Asa Branca

Luiz Gonzaga andava, no Rio de Janeiro, encangado com um tal Miguel Lima, feito parceiro. Apesar de bom compositor, não ia com as idéias do jovem sanfoneiro de cantar coisas do Norte. Gonzaga havia feito enorme sucesso com a Moda da Mula Preta (toada de Raul Torres) mas queria mesmo era mostrar pros cariocas músicas lá do pé-de-serra, mostrar como se dança um baião.

Pensou, então, em Lauro Maia, que descartou a empreitada com diplomacia, indicando o cunhado Humberto Teixeira. Foi uma mão na roda. Logo fizeram No Meu Pé-de-Serra, sucesso imediato.

Animados pela receptividade e a insistência dos compadres Manoelzinhho e Abigail tentaram um velho projeto: Asa Branca. Humberto Teixeira debruçou-se, com danação de nordestino, sobre este mote do Luiz e conseguiu esse clássico imortal da música popular brasileira. Que neste mês de maio faz sessenta anos que tomou forma definitiva numa bolacha de cera com etiqueta Odeon.

Asa Branca amadureceu dois anos para ser gravada, com o conjunto de Canhoto. No estúdio levaram na troça chamando este e outros sucessos (Xanduzinha, Juazeiro...) de moda de cego em porta de igreja. O baião havia pregado um susto na própria comunidade musical. E ganhou a boca do povo.

O certo é que Asa Branca voou e voou alto. E, muito oportunas, neste aniversário, as homenagens que estão aí. O Kukukaya, tradicional casa de espetáculos que carrega nas tintas da música nordestina, rememora a data apresentando uma exposição de capas de elepês da dupla e a exibição de filmes da época, um valioso documentário. Haverá no dia 26 apresentação do sobrinho de Luiz, Joquinha Gonzaga, João Cláudio, humorista que encarna o Rei do Baião e mais, Adelson Viana acompanhado pelo Forró do Roça.

O cantor/compositor César Barreto elaborou um show com texto seu, que já foi apresentado na Oboé Cultural. E, recentemente, foi editado pelo Banco do Nordeste um depoimento que Humberto Teixeira prestou ao musicólogo Nirez, graças ao esforço do produtor cultural Pedro Carlos Álvares, trabalho, aliás, muito bem lembrado nas recentes atas do Clube do Bode.

Asa Branca tem muito caminho a percorrer, posto que eterna. E voltará sempre que os verdes olhos de Rosinha "se espaiá na prantação".
Audifax Rios


CHARADAS NOVÍSSIMAS
(Colaboração de Giordane Carvalho)

De longe meu tombo foi visto pelo CRIADO. 1-2
Na lama joguei minha raiva na ESCOLA. 2-2
Olha, privar-se de um período não te faz menos ANTIGO. 1-1-2
Apenas esse manto não serve de DISFARCE. 1-2
A erva da minha parenta me deu o PERDÃO. 2-2

Respostas Anteriores:
PARENTE - ÁSPERA - VÍCIO - ATRAENTE - ATA


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