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Aos Vivos

AOS VIVOS

A minha na mão do candidato

Tarcísio Matos


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26/08/2006 17:26


O candidato estava já chegando pro comício. O local, o quintal imenso da casa de uma liderança humilde na Granja Portugal. Coalhado de gente ali. Cana muita pra uns poucos eleitores interessados mais em melar o bico da urna.

- E só esse banheirinho improvisado aí no fundo do quintal, é?

- Sim. 'Mijativo' somente!

Se havia apenas aquilo como opção 'urinativa', de resto era torcer pro homem não inventar de "ir ao mato" ali. Tava ruim, viu! Mictório de canto de muro, tábuas 'apragatadas' com arame. O vaso, a areia seca do chão. Fedia.

- Pior: sem porta, sem teto, sem pia pra lavar as mãos.

Às 14 horas, aperta-me a vontade de verter água. Fui fundo ao fundo do quintal. Como seria o primeiro a apertar a mão do parlamentar, era o porteiro, vi-me numa sinuca de bico.

- E agora? Sem água pra lavar as mãos, que fazer?

Pensei em desbastar o excesso líquido das partes na parede. Não, havia muita cal. Cacei folha de mangueira, nada. Que tal enxugar na cueca? Ó o dedinho, ó! Ainda tinha a tarde/noite pela frente...

Enfim, decidi: limpo a coisa com a palma duma mão, livrando a outra de pegar, como diria Cebolinha, na "glande", e saudar o deputado na maior limpeza. E assim o fiz.

Candidato chega. Tô no portão para apertar-lhe a mão. Mas, qual estender a ele? Simplesmente esquecera com qual me limpara há pouco. O ilustre, vindo animado em minha direção, dizendo "toque cinco!", estende-me a destra.

Eu, pensando veloz, lembrei de uma certa brincadeira de menino. Fazendo que na dele ia pegar, joguei a minha mão pra trás e respondi:

- Deixa que eu toco só!


Alma em chamas
Quem contou foi o amigo Lavor. A moça de um plano funerário, desses que mais parecem convite pra tour animado no Céu, ofereceu-lhe umas promoções. Falava com tanto entusiasmo que quase se via São Pedro acenar.

Dizia respeito, o novo pacote, à cremação de corpos. Três preços para o dito procedimento de dar cabo ao morto, de saco cheio e enterro. Lavor acreditava que cremar era tão somente o processo de incinerar 'de cujus'.

Qual nada! Havia tabelas distintas para o ato de reduzir às cinzas um cadáver. Planos A, B e C. Invocado com essas coisas do vivaz capitalismo, meu amigo parte pra brincadeira, e tira onda com a funérea vendedora.

- Quer dizer que são três modalidades de cremação?

- Bem, eu diria três preços. Entenda bem, o...

- O defunto pode ser mal-passado, bem-passado ou no ponto.

- Não é bem assim. O que acontece é que...

- Não sendo nenhuma das três opções, um funcionário da funerária encosta o dedo do defunto numa vela acesa e...

- Como é que é?

- ... Se o finado gritar, é porque ainda não está no jeito! Tá verde!



O RISO, A FÉ, A DOR

AS SETE VIGORELLIS
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br


A casa de esquina que dava para a beira do rio e olhava para o relógio da matriz fora ocupada pelo Centro Social Rural. De rural não havia nada a não ser os itens do estatuto que permitia angariar verbas junto aos tais canais competentes. Aliás, o Centro não passou de um curso de corte-e-costura para as mulheres pobres da cidade e, para justificar, as que moravam do outro lado do rio.

Para ministrar o tal curso o Centro ganhou, de uma entidade, aí sete máquinas de costura novinhas, em folha, vigorelli, um nome sugestivo na marca nova que chegava para competir com a velha e confiável Singer.

Zé Curnimboque, o jovem que ajudou o vigário a desencaixotar as máquinas, presenciou, também, o mestre-carpina à montá-las nos devidos móveis. E mereceu presença na festa de inauguração regada a cajuína e bolo-manuê.

O curso ia de vento em popa, para a alegria do Seu Vigário, das costureiras-mestras, das aprendizes e da Carolinda, a zeladora, que abria e fechava o Clube e dava no chão e nas paredes uma arrumação geral. Passava, semanalmente, óleo de peroba na parte de madeira e o concorrente Singer na maquinaria. Ao término do curso uma festa para comemorar. Com diplomas para participantes, exposição dos trabalhos realizados e a presença de gradas pessoas e autoridades de fora.

No dia aprazado, ao ser aberta a porta principal para a entrada da tal autoridade e seu séqüito, eis que passa, assustado, um ratinho pelo chão, sobe pelos pés da máquina e se aloja no seu interior. Calorinda, também assustada, gaguejou umas tantas pragas e a promessa de que daria conta do maldito camundongo e, de pronto, vassoura à mão, levantou a tampa da primeira vigorelli. E da segunda, e das outras mais, e da sétima. Nada de máquinas. Só o esqueleto de pau. Foi um deus-nos-acuda acalmado pela matreirice do velho vigário.

O velho vigário passou uma noite inteira contando carneirinhos, ou melhor, os intermináveis botões de sua batina ensebada. Até que acendeu a luzinha.
Na manhã seguinte, uma por uma, o Zé Curnimboque trouxe de volta, aparafusando nos devidos lugares, as sete vigorellis. Não sem antes dar uma voltinha nada triunfal pelo barracão do mercado, a penitência pelo doloroso deslize, o Zé, pelo resto da vida, convidado pelo povaréu gozador a consertar máquinas velhas, rebobinar carretéis de linha, emendar correias, embastir guarnições, pespontar lençóis, serzir cuecas, e por aí...


CHARADAS NOVÍSSIMAS

Siga quem decifra. É para ti a CARTA. 1-1-1
Para mim os peixes da professora eram para a COMUNHÃO. 1-2-2
É vantagem uma ruptura no OFÍCIO. 1-2
O grupo do fado está ESCONDIDO. 1-3
A vantagem é que este quadro se ADIA. 1-2

RESPOSTAS ANTERIORES

ESCAPULÁRIO - ETERNO - ARTESÃO - TORNADO - MORALISTA


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