Tarcísio Matos
19/08/2006 16:52
O amigo Osmilton Jereissati Macedo de Queiroz contou-me mais essa, acontecida na Paraíba, com um tio e um primo (pai e filho) lá dele. Deu-se na véspera do Dia dos Pais, 12 de agosto.
Geraldinho, o primo, dera uma saidinha já em preparação à consagrada data de seu velho genitor. Foi melar-se no Otávio Bonfim - bar Caldinho de Feijão. Por volta das 22 horas, empapuçado, paga a conta.
Levanta-se do tamborete, trambecando, despede-se dum companheiro qualquer, com quem dividia umas pôdes tinha meia hora.
- Engraçado, meu peixe, eu também já me vou.
E saem. Seguem pra mesma parada de ônibus. Vem lá o coletivo. Ambos dão a mão. "Coincidência, cara! É o meu também!" dizem. E vão conversando durante a viagem. Um percebe que é chega sua parada. O outro grita:
- Também pulo aqui!
Descem e caminham, bodejantes. Antes de quebrarem na mesma rua...
- Bem, amigo! Aqui a gente se despede! Vou por essa aqui!
- Interessante! Essa é a minha rua, camarada! Acredita?
E seguem, proseando. Ao se aproximarem dum beco, Geraldinho...
- Aqui a gente definitivamente se despede. Dobro à esquerda...
- Quanta coincidência, rapaz! Também moro nesse beco! Então...
Lá caminham os dois, então cismados. Agora, porém, supõem uma despedida pra valer. Estão diante de uma casinha. Luzes do interior apagadas.
- Adeus, foi um prazer! Fico neste numeral. É meu esconderijo.
- Teu, uma ova! Quem mora aqui sou eu!
E haja discussão. Um diz que a casa é sua, o outro que é dele. A gritaria acorda a dona, que, enfezada, abre a porta, dá de cara com a dupla e escarra.
- Muito bonito! Pai e filho chegando em casa, embriagados, uma hora dessa! Passem já os dois pra dentro!
Quando nem suco de Viagra mais dá jeito...
Vê só o desabfo do nonagenário senhor José de Goré.
"Antigamente, dotô, quando era novo e tinha serventia pras coisas, mulé passava e dizia gracejante: 'OI!' Hoje, caindo aos pedaços, mal olha e ainda pega a caçoar, amedrontada: 'UI!'
Em eras que não voltam, as juntas moles e a dureza da coisa de fazer bruguelo davam o tom dos encontros amorosos com as meninas, nos matagais de Campos Belos. Agora, me chamam "Seu INPS".
Tudo isso é pra contar que, tem um mês, disseram que eu devia ir a um tal geriatra, era sintomática a mania de eu andar esquecido de tudo, me mijando incontinente, tremendo à moda moça assustada com o noivo nu.
Falei que não queria, que estava só comido da lagarta do tempo, que ainda pegava na chave. Menti, né? Minha caçula, Marilaque, porém, insistiu que eu fosse à consulta. De repente...
- Quero não, fia! Quando nem...
- ...Quando nem, coisa nenhuma! Velhice é pra ser saudável!
- Quando nem suco de Viagra anima, Marilaque, é por que...
- Por que, pai?
- Porque só passa pela cabeça cortar com tudo pelo tronco!"
O RISO, A FÉ, A DOR
NA ERA DO RÁDIO
Alô, alô, caros ouvintes, ganhei recentemente um valioso presente. Um objeto do qual só ouvira falar pela boca do Zé Domingos, Ciro Colares, João Ramos... Uma dúzia de lápis. Não são coloridos (grafites pretos) mas trazem impressos, sobre esmaecidos amarelo, laranja e prata, clichês de gente do rádio dos anos 50.
Estes lápis faziam parte de um concurso cuja renda bancaria a construção da sede própria da Associação Cearense de Rádio. Um sonho que ficou só nos rabiscos.
Mas matemos a curiosidade. Vejam só quem está nos retratos (1,5x3cm) em preto e branco: Keila Vidigal (cantora), José Ribamar (tesoureiro da ACR), Perez Martins (cantor), Helena Leite (radiatriz), Ângela Maria (radiatriz), Albuquerque Pereira (locutor), Celina Maria (radiatriz), Aluízio Milfont (cantor), José Júlio Barbosa (radiator), Gerardo Barbosa (radiator) e Augusto Borges (radiator).
Alguns já passaram desta, o Augusto devia ser o mais moço. Aliás o Borges está aí como radiator mas, na verdade, ele fez de um tudo no rádio. De contra-regra a diretor. Foi animador de programas, realizador, noticiarista, humorista, apresentador, mestre de cerimônias, o escambau. Ainda faz rádio, sua cachaça.
Ainda cria seus famosos trocadilhos ao microfone da sua querida Perrenove.
Quanto aos outros lápis, como gostaria de tê-los, se é que ainda existem por aí. Acredito que o próprio Augusto, o Wilson Machado, o Armando Vasconcelos, o Guilherme Netto, ainda os conservem com relíquias, como testemunhas, como prova dos áureos tempos do rádio. Quem sabe o Célio Cury não guarde num porta-jóias o lápis da menina-prodígio Ayla Maria... Talvez o Narcélio ou o Paulo conservem o do paizão José Limaverde. Isso são coisas que o tempo não levou.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS
(Colaboração de Ernane Pinto)
• Fuja da água e busque PROTEÇÃO. 4-2
• Existe uma vestimenta QUE NÃO ACABA. 1-2
• Trabalho de um bom ARTÍFICE. 2-1
• Volta, sem pena, a TEMPESTADE. 2-1
• Vive uma relação SÉRIA. 2-2
Respostas Anteriores:
DESTINO - TARIMBA - FALÁCIA - TEMAS - SÉQUITO