Aos Vivos
Seu João e o milagroso remédio chamado 'mulher'
Tarcísio Matos
15 Nov 2008 - 14h34min
Passou já dos 94 anos, tá praticamente mouco, cego, rendido. Anda com singular dificuldade, fala trôpego. Apesar desses pormenores, vejam o que é a natureza desse cristão: o corpo pede penico, mas a memória é um primor!
E o melhor de tudo: se falar em mulher, ele se acender todo. Seu João se transforma num menino! Na cama, trabalha no mínimo com duas mariposas. Toma Viagra como quem come farinha. Fuma feito caipora, ademais.
Mora, sozinho, na fazenda, afastada da cidade coisa de 10 quilômetros. O mulherio é levado pra lá numa rural. Por mês, são duas tardes de sábado que dispensam com o velhinho raparigueiro. Em meia hora, fatura liquidada.
Mas, quem escolhe as meninas no cabaré da Lindaura e as leva pras tardes de amor de seu João? O filho Haroldo, casado com Brigite. Até dia desses ela achava até que fosse um gesto de solidariedade o marido fazer isso pelo pai.
Mas, botaram na cabeça de Brigite que "filho de peixe, peixinho pode ser" e aí... A mulher cismou duma hora pra outra e não mais deixou Haroldo ir à zona fazer a garimpagem das quengas. Ela mesma iria.
Marmota das mais hilárias aconteceu logo na primeira visita de Brigite ao meretrício, à cata de fuampa pro sogrão caviloso. Em virtude de estar quase centenário, ele mandou avisar aumentara o preço por menina.
Brigite na Lindaura. No olhômetro, percebe que aquela jovem de seus 20 e poucos anos daria perfeitamente pro aro de seu João. Chega junto. Conta que o velho melhorou o pró-labore por visita amorosa: 32 reais e 10 litros de leite.
Pra que Brigite falou em voz alta, hein? Pra quê!?! Ora, a mãe da jovem (conhecida por Climéia) saltou lá detrás e gritou:
- Epa, minha senhora!
- Que foi? - respondeu Brigite aperreada, pensando fosse coisa de polícia.
- Por essa dinheirama e o leite, quem vai ser lambida pelo veim aí é a mamãe aqui, ó!
A vingança da cafezeira
Conheci o casal tem dois anos. Tirando os defeitos, um amor de parelha. Tornei-me amigo dele, principalmente, o papudinho Tromba de Porco. Da Ester Cafezeira fiquei só mais ou menos, mas sempre me dei bem com ela.
Diversas vezes estive no João XXIII, onde se escondem, sempre me chamando a atenção o modo com chamavam a filha. Era Bombonzinha pra lá, Bombom pra cá. Pensei fosse apelido. Não era.
Ester e Tromba tinham dois rebentos; o menino, mais velho, chamava-se Ranieri - Ranieri Augusto. Carinhosamente, "Rani". E Bombom, a tal Bombonzinha? Por um acaso, jogando a vista nuns papéis sobre a cristaleira...
O nome de batismo da mocinha era Augusta Bombomnieri. Repito: Augusta Bombomnieri, vulgo Bombom, Bombonzinha.
Foi justo a vinda de Bombomnieri ao mundo que fez, em definitivo, as pazes entre o casal. Ester Cafezeira e Tromba de Porco viviam feitos gato e rato. Somente porque ele era torcedor doente do Ceará; ela, fanática pelo Fortaleza.
Era o tricolor perder uma pro alvinegro e uma briga explodir. Ester se vingava ao preparar o cafezinho que saía no mundo a vender. Apanhasse do vovô o leão e ela não botava um pingo de açúcar no café.
EFEITO DOMINÓ
EUCLIDES E ANTÔNIO
A proclamação da República, como toda mudança, trouxe em seu bojo inúmeras conseqüências advindas da adaptação ao novo sistema: euforia, saudosismos, rancores, incompreensões, distorções. Surgiram focos de rejeição ao regime recém instalado e um fenômeno que gerou um conflito dentro de casa, de saldo desastroso - a Guerra de Canudos, se bem que com isso tenha ganho a literatura brasileira. Inúmeros livros foram escritos sobre a malsinada campanha, o maior deles, sem dúvida, Os Sertões, de Euclides da Cunha, o grande monumento das letras pátrias.
Euclides havia sido convidado pelo diretor do jornal O Estado de São Paulo, Júlio de Mesquita, para acompanhar o ministro da Guerra, marechal Bittencourt, até o cenário de guerra, no interior da Bahia. Anota tudo num diário e assiste aos últimos dias da luta fratricida e volta com uma idéia na cabeça: um livro. Este só foi editado em 1902, cinco anos depois.
A República, tão nova, havia dado dois grandes nomes para a história: o engenheiro que virou escritor, Euclides da Cunha (20/01/1866) e o fanático que virou herói, Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro (13/01/1830).
Este herói torto, Antonio Conselheiro, depois de tentativas como caixeiro e rábula, embrenhou-se, inspirado pelo missionário padre Ibiapina, pela caatinga nordestina a pregar o amor por Deus e a ira pela República. Levando consigo um séqüito de desvalidos que se instalaram numa fazenda abandonada à beira de um rio (Vaza-Barrís) no deserto baiano, para instalar a Nova Canaã.
A cidade de Deus e do Monarca, à cada dia mais populosa, assustou o exército brasileiro que resolveu por fim à insubordinação, por "ordem" onde o "progresso" parecia se insinuar. Ao fim de uma campanha desastrosa a comunidade de Canudos foi destruída e Antonio Conselheiro eliminado do mapa.
A cidadela foi incendiada e inundada mas o pó da história fez crescer o mito do líder libertador, a maior figura da história de um povo oprimido.
Já faz pra mais de cem anos mas as xilogravuras populares que gravaram o gesto do peregrino com seu tosco cajado em cruz é mais difundido que o retrato eqüestre de Deodoro brandindo sua espada.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Francisco Thomaz)
> Ao veado Deus oferece a FAUNA. 1-1-1
> Ama a pessoa por motivo de PERCUSSÃO, 1-1-1
> Sem sofrimento nenhum e ENFEITADA. 1-1-2
> Uma imagem apenas CONSIDERÁVEL. 2-1
> Ponha ao relento esta FIGURA POÉTICA. 2-2
Respostas Anteriores:
MORIM - PALMARES - URBANOS - PARTIDO-ALTO - IMORTAL
E o melhor de tudo: se falar em mulher, ele se acender todo. Seu João se transforma num menino! Na cama, trabalha no mínimo com duas mariposas. Toma Viagra como quem come farinha. Fuma feito caipora, ademais.
Mora, sozinho, na fazenda, afastada da cidade coisa de 10 quilômetros. O mulherio é levado pra lá numa rural. Por mês, são duas tardes de sábado que dispensam com o velhinho raparigueiro. Em meia hora, fatura liquidada.
Mas, quem escolhe as meninas no cabaré da Lindaura e as leva pras tardes de amor de seu João? O filho Haroldo, casado com Brigite. Até dia desses ela achava até que fosse um gesto de solidariedade o marido fazer isso pelo pai.
Mas, botaram na cabeça de Brigite que "filho de peixe, peixinho pode ser" e aí... A mulher cismou duma hora pra outra e não mais deixou Haroldo ir à zona fazer a garimpagem das quengas. Ela mesma iria.
Marmota das mais hilárias aconteceu logo na primeira visita de Brigite ao meretrício, à cata de fuampa pro sogrão caviloso. Em virtude de estar quase centenário, ele mandou avisar aumentara o preço por menina.
Brigite na Lindaura. No olhômetro, percebe que aquela jovem de seus 20 e poucos anos daria perfeitamente pro aro de seu João. Chega junto. Conta que o velho melhorou o pró-labore por visita amorosa: 32 reais e 10 litros de leite.
Pra que Brigite falou em voz alta, hein? Pra quê!?! Ora, a mãe da jovem (conhecida por Climéia) saltou lá detrás e gritou:
- Epa, minha senhora!
- Que foi? - respondeu Brigite aperreada, pensando fosse coisa de polícia.
- Por essa dinheirama e o leite, quem vai ser lambida pelo veim aí é a mamãe aqui, ó!
A vingança da cafezeira
Conheci o casal tem dois anos. Tirando os defeitos, um amor de parelha. Tornei-me amigo dele, principalmente, o papudinho Tromba de Porco. Da Ester Cafezeira fiquei só mais ou menos, mas sempre me dei bem com ela.
Diversas vezes estive no João XXIII, onde se escondem, sempre me chamando a atenção o modo com chamavam a filha. Era Bombonzinha pra lá, Bombom pra cá. Pensei fosse apelido. Não era.
Ester e Tromba tinham dois rebentos; o menino, mais velho, chamava-se Ranieri - Ranieri Augusto. Carinhosamente, "Rani". E Bombom, a tal Bombonzinha? Por um acaso, jogando a vista nuns papéis sobre a cristaleira...
O nome de batismo da mocinha era Augusta Bombomnieri. Repito: Augusta Bombomnieri, vulgo Bombom, Bombonzinha.
Foi justo a vinda de Bombomnieri ao mundo que fez, em definitivo, as pazes entre o casal. Ester Cafezeira e Tromba de Porco viviam feitos gato e rato. Somente porque ele era torcedor doente do Ceará; ela, fanática pelo Fortaleza.
Era o tricolor perder uma pro alvinegro e uma briga explodir. Ester se vingava ao preparar o cafezinho que saía no mundo a vender. Apanhasse do vovô o leão e ela não botava um pingo de açúcar no café.
EFEITO DOMINÓ
EUCLIDES E ANTÔNIO
A proclamação da República, como toda mudança, trouxe em seu bojo inúmeras conseqüências advindas da adaptação ao novo sistema: euforia, saudosismos, rancores, incompreensões, distorções. Surgiram focos de rejeição ao regime recém instalado e um fenômeno que gerou um conflito dentro de casa, de saldo desastroso - a Guerra de Canudos, se bem que com isso tenha ganho a literatura brasileira. Inúmeros livros foram escritos sobre a malsinada campanha, o maior deles, sem dúvida, Os Sertões, de Euclides da Cunha, o grande monumento das letras pátrias.
Euclides havia sido convidado pelo diretor do jornal O Estado de São Paulo, Júlio de Mesquita, para acompanhar o ministro da Guerra, marechal Bittencourt, até o cenário de guerra, no interior da Bahia. Anota tudo num diário e assiste aos últimos dias da luta fratricida e volta com uma idéia na cabeça: um livro. Este só foi editado em 1902, cinco anos depois.
A República, tão nova, havia dado dois grandes nomes para a história: o engenheiro que virou escritor, Euclides da Cunha (20/01/1866) e o fanático que virou herói, Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro (13/01/1830).
Este herói torto, Antonio Conselheiro, depois de tentativas como caixeiro e rábula, embrenhou-se, inspirado pelo missionário padre Ibiapina, pela caatinga nordestina a pregar o amor por Deus e a ira pela República. Levando consigo um séqüito de desvalidos que se instalaram numa fazenda abandonada à beira de um rio (Vaza-Barrís) no deserto baiano, para instalar a Nova Canaã.
A cidade de Deus e do Monarca, à cada dia mais populosa, assustou o exército brasileiro que resolveu por fim à insubordinação, por "ordem" onde o "progresso" parecia se insinuar. Ao fim de uma campanha desastrosa a comunidade de Canudos foi destruída e Antonio Conselheiro eliminado do mapa.
A cidadela foi incendiada e inundada mas o pó da história fez crescer o mito do líder libertador, a maior figura da história de um povo oprimido.
Já faz pra mais de cem anos mas as xilogravuras populares que gravaram o gesto do peregrino com seu tosco cajado em cruz é mais difundido que o retrato eqüestre de Deodoro brandindo sua espada.
Audifax Rios
audifaxrios@yahoo.com.br
CHARADAS NOVÍSSIMAS (Colaboração de Francisco Thomaz)
> Ao veado Deus oferece a FAUNA. 1-1-1
> Ama a pessoa por motivo de PERCUSSÃO, 1-1-1
> Sem sofrimento nenhum e ENFEITADA. 1-1-2
> Uma imagem apenas CONSIDERÁVEL. 2-1
> Ponha ao relento esta FIGURA POÉTICA. 2-2
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