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Ao Pé da Letra

AO PÉ DA LETRA

Generalidades (2)

Pasquale Cipro Neto

09/06/2007 13:52


Na semana passada, começamos a tratar de "generalidades", ou seja, de diversos assuntos, que, como dissemos, surgiram de perguntas de leitores, quase todas baseadas em trechos de jornais, revistas ou livros.

A primeira questão de hoje se refere ao emprego de pronomes como "Vossa Excelência" e "Sua Excelência". Quem acompanha as emissoras do Poder Legislativo (TV Câmara, TV Senado) nota que muitos parlamentares dizem "Vossa Excelência", mas alguns sapecam um "Sua Excelência" quando interpelam outro parlamentar. Como fica isso?

Vamos lá. A opção por "sua" ou "vossa" depende da situação. Quem fala diretamente a uma autoridade do Executivo, Legislativo ou Judiciário deve dizer "Vossa Excelência"; quem fala a respeito dessa autoridade deve dizer "Sua Excelência". Se um senador quer falar diretamente a outro, empregará "Vossa Excelência". Se quiser falar a respeito de outro, ainda que este esteja presente, empregará "Sua Excelência".

Passemos agora para o verbo "requerer". Uma leitora diz que ouviu um jornalista empregar a forma "requisesse" ("Se a Comissão requisesse a quebra do sigilo telefônico do dono da empreiteira..."). Que tal essa forma verbal? Há registro dela na conjugação do verbo "requerer"? Não há, não. Nesse tempo (pretérito imperfeito do subjuntivo), o verbo "requerer" é regular. Suas flexões são as seguintes: "se eu requeresse/ se tu requeresses/ se ele requeresse/ se nós requerêssemos/ se vós requerêsseis/ se eles requeressem". Para ater-se ao que se recomenda no padrão formal da língua, o jornalista deveria ter dito "Se a Comissão requeresse a quebra...". Esse equívoco certamente decorre da semelhança formal de "requerer" com "querer", o que leva muita gente a se apoiar neste verbo para conjugar aquele.

Nossa próxima conversa terá como tema as expressões "ao encontro de" e "de encontro a". Um leitor diz que "até os jornais se confundem com essas duas expressões". A questão é clara: se uma proposta vai ao encontro dos interesses de uma pessoa, por exemplo, ela favorece essa pessoa; se vai de encontro aos interesses desse indivíduo, não o favorece, ou seja, contraria os seus interesses. Nossos homens públicos também insistem na troca. Não são poucos os que dizem que seus projetos "vão de encontro aos anseios do povo". Pensando bem, em muitos casos as frases são mais do que verdadeiras. Realmente não são muitos os projetos que vão ao encontro dos interesses do povo.

Um leitor quer saber se o nome de um famoso bar do Rio de Janeiro (Bracarense) tem algum significado. Tem, sim. Trata-se de um dos adjetivos relativos a uma belíssima cidade do norte de Portugal: Braga, cujo nome latino era "Bracara Augusta". É bom lembrar que "Augusta", que também é antropônimo (ou seja, nome de pessoa), significa "respeitável", "veneranda", "elevada" etc. Os adjetivos pátrios relativos a Braga são "bracarense", "brácaro" e "braguês". Por falar em Portugal, Braga, latim e adjetivos pátrios, lá vai mais um, o relativo a Guimarães, outra bela cidade portuguesa, bem próxima de Braga: "vimaranense". Detalhe: esse adjetivo também vale para a cidade maranhense de Guimarães.

Para encerrar, tratemos do som do "x" em algumas das nossas palavras. Alguns leitores querem saber como se pronuncia o "x" de "tóxico"; outros perguntam como se lê "lixiviação". Pois bem. Sabe-se que o "x" em português é o campeão da diversidade fonética. O de "tóxico" deve ser lido como o de "fixo", "táxi", "axioma" etc. O que vale para "tóxico" vale para todos os elementos da família ("intoxicar", "intoxicado", "intoxicação" etc.). E como se lê o "x" de "lixiviação", termo técnico usado em química? Esse "x" tem som de "x" mesmo, ou seja, é lido como o de "lixo", "frouxo", "baixo", "peixe" etc. É bom lembrar que o "x" de "graxo" (que significa "gordo") também é lido como o de "baixo". Nesses casos, as pessoas costumam dizer que o "x" tem som de "ch". Na verdade, ocorre o contrário: o "ch" (o de "cachorro", por exemplo) é que tem som de "x".


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  • » Acho excelente esta notícia, sempre leio. Obrigada - doracisoriano


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