Cláudio Lima
12/07/2008 15:04

A maioria dos super e hipermercados de Fortaleza poderia tratar melhor os seus clientes dando-lhes mais conforto, produtos de melhor qualidade e seguros do ponto de vista higiênico-sanitário. O cliente chega à loja e procura um carrinho, item difícil de achar, quando acha, muitas vezes, é defeituoso, capenga, fica puxando para um lado só por falta de manutenção. Começou o estresse.
Dentro da loja, o cliente começa a suar. Calma! Defeitos no sistema de climatização acontecem. Mais estresse. Durante o seu "passeio" dentro da loja, o cliente percebe uma pilha promocional de margarinas. Quem compra duas margarinas, ganha um brinde. Detalhe, as margarinas estão expostas a temperatura ambiente da loja e a embalagem diz: manter refrigerado até 16ºC. Não deve ultrapassar essa temperatura sob pena de perder qualidade.
O cliente resolve ir até o setor de frios e laticínios, tenta checar a temperatura do equipamento, mas não consegue achar o termômetro. Comumente os equipamentos estão fora da temperatura recomendada para frios e congelados. Parece de propósito. Produtos congelados, que deveriam estar pedrados e à -18ºC estão amolecidos.
O setor de frutas e verduras não deixa por menos. Esses vegetais, muitas vezes, parecem refugo. Viajo por todo o Brasil e observo que a falta de qualidade das frutas dos supermercados e hipermercados cearenses é uma marca. Difícil achar fruta que se aproveite. Para ser justo, devo dizer também que alguns clientes muito mal educados ficam apertando e arrancando talos das frutas. Quem vier depois que se dane.
Funcionários mal remunerados, alguns notadamente destreinados e outros displicentes. Vendem saladas de frutas ou frutas fatiadas, apenas lavando e cortando as frutas. O correto é utilizar uma operação chamada de 'processamento mínimo'. Esse processo exige estrutura especial para descascar, fatiar e embalar as frutas, uma sala exclusiva e climatizada, funcionários altamente treinados, higiene rigorosa das frutas e do ambiente, e câmaras com controle de temperatura e umidade. Mas para que investir? O cliente leva de qualquer jeito mesmo.
A nova moda é vender sushi. Sua produção requer know-how, não é só meter a cara (no caso, as mãos). Tudo deve ser elaborado com muito critério para não gerar contaminação. O sistema self-service que os supermercados utilizam permitem que os próprios clientes, ao se servirem, contaminem os sushis. Outro dia, uma moça metia a cabeça literalmente dentro do expositor para se servir e a sua bolsa tocava outras peças de sushis.
Por fim, informo que deixemos os alimentos frios e congelados por último. Grande novidade professor! Quem não sabe disso? Claro, são alimentos perecíveis e devem ficar pouquíssimo tempo fora da refrigeração. Por isso, terminadas as compras, vá direto para casa.
Mas, que adianta deixar frios e congelados por último, se ficamos, no mínimo, 40 minutos na fila com os produtos derretendo, enquanto observamos que existem dez caixas registradoras funcionando e a loja possui quarenta e tantos caixas? Tá feliz hein? À beira de um ataque de satisfação né? Calma aí. Você ainda tem que empacotar tudinho...
Cláudio Lima é engenheiro de alimentos do Instituto Centec, especialista em alimentos e saúde pública, mestre em tecnologia de alimentos e autor de três livros na área de higiene e qualidade de alimentos. claudiolima@opovo.com.br