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Alimento & Saúde

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Contaminação Física

Professor Cláudio Lima


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23/08/2008 15:33


Quando o alimento corre risco de sofrer contaminação, dizemos que ele está exposto a perigos. Assim, os perigos podem ser de origem física, química ou microbiológica. A contaminação por microrganismos patogênicos é, sem duvida, um grande perigo na linha de produção. A contaminação química também merece atenção, uma vez que, constantemente, as pesquisas vêm encontrando substâncias como agrotóxicos, inseticidas, desinfetantes e detergentes em vários tipos de alimentos.

A contaminação física é outro problema que pode levar ao recolhimento de produtos, paradas na linha de produção, além de provocar sérios danos à saúde dos consumidores. Essa contaminação pode ser devido a objetos presentes nas matérias-primas, a objetos introduzidos acidentalmente durante o processamento, ou pelos próprios manipuladores de alimentos. Por isso, o uso de adornos (pulseiras, relógios, anéis, correntes e brincos) não é permitido pela legislação sanitária, pois, durante o preparo das receitas, pode ocorrer desprendimento de partes contaminando os alimentos.

Esse tipo de contaminação pode causar asfixia, danos nos dentes e lesões no aparelho digestivo. Os perigos físicos mais freqüentes são: vidros, madeiras, metais, pedras, plásticos, adornos, ossos e espinhas de peixe. Contudo, objetos os mais estranhos possíveis, freqüentemente são encontrados em alimentos embalados.

Em agosto do ano 2000, a revista Isto é e o jornal Folha de S.Paulo, divulgaram a inacreditável história do estranho objeto encontrado num saquinho de pipocas industrializadas, por uma dona-de-casa de Mogi das Cruzes-SP: um pedaço de um dedo médio já em estado de mumificação. "Tinha até unha", disse a consumidora na ocasião.

Há alguns meses, o deputado estadual cearense Hermínio Resende, fez um discurso na tribuna da Assembléia Legislativa dizendo ter quebrado um dente, depois de morder uma pedra que estava em sua comida, ao comer num restaurante na cidade de Fortaleza. Na ocasião, o deputado relatou que teve que ameaçar o proprietário do restaurante de acionar a justiça para ter reembolsado o valor gasto com o tratamento do dente, que não saiu por menos de R$ 800.

Mais uma vez, o que deixamos registrado neste espaço, é que as pessoas devem fazer valer os seus direitos de cidadãos e de consumidores. Em casos semelhantes você deve procurar os órgãos de defesa do consumidor e não deixar barato um fato que pode lesionar seriamente uma pessoa. Faço minhas as palavras do parlamentar: "Será possível que é preciso ser deputado para ter meu direito assegurado?"


Cláudio Lima é engenheiro de alimentos do Instituto Centec, especialista em alimentos e saúde pública, mestre em tecnologia de alimentos e autor de três livros na área de higiene e qualidade de alimentos. claudiolima@opovo.com.br


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