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Airton Monte

Crônica

Pelas madrugadas

Airton Monte
12 Nov 2008 - 00h39min

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Posso quase escutar mestre Paulinho da Viola a cantar quando me vou pelas minhas sonâmbulas madrugada, desejando encontrar, mesmo sabendo que é em vão, tudo aquilo que fui perdendo pela vida e a mocidade que não volta mais. Gosto da madrugada feito aqueles cachorros vira-latas que passeiam pelas ruas suas almas de boêmios. Amo essa ilusória sensação de liberdade que a madrugada me doa em caráter provisório como se fosse uma bênção, uma unção de aventura, de correr o risco de esbarrar com o inesperado em cada curva das esquinas.

Sim, como hei de negar que sou um homem da noite, um animal noturno mesmo sem botar sequer um pé fora de casa. Ou talvez um poeta, talvez simplesmente um sujeito ordinário, comum, um Zé Ninguém noctívago apaixonado pela lua mesmo quando não tem lua e por esse mar alencarino de tantos e tamanhos amores e desamores e tantas desilusões e outros quantos desenganos e desencontros e a poesia dominando tudo, soberanamente. Fortaleza fica tão mais bonita de madrugada e mais perigosa e me transfrma em um menino, de olhos abertos e arregalados procurando tudo e descobrindo nada, pois nada mais há para descobrir, eu bem sei.

De madrugada, a cidade como que desvela a sua verdadeira alma despudoradamente e eu também. Que belo e quão terrível. Assim me vou pelas minhas madrugadas, revendo os velhos companheiros de jornada. Garçons, donos de bares, vendedoras de flores enfeitando a noite de perfumada delicadeza, Jornaleiros, malandros, biriteiros habituais, a moça tão linda que me olha e me sorri como se me reconhecesse de algum lugar que não me lembro e a alegria solta pelos bares e a densa solidão das pessoas escorrendo, espessa, de seus olhos famintos.

E sempre encontro meus parceiros noturnos de sempre. Não raro, entre umas e outras, nasce mais uma canção despretensiosa feita somente para nos dar prazer. Ah, uma canção a menos, uma canção a mais, que diferença faz. Quanto mais escrever um poema súbito num guardanapo sobre uma mesa modesta de botequim. De madrugada sinto-me ridiculamente romântico, é quando me percebo mais pleno de humanidade. Esse aglomerado de emoções, prazeres, sustos, medos me provoca deslumbramento quando volto pra casa de manhã. Hoje, por exemplo, juro que vi um arco-íris.

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12/11/2008
09:58

Ler o Airton é fazer um passeio pelas saudosas imagens de uma Fortaleza passada...Quando o Benfica, o Bairro de Fátima, a praia de Iracema denotavam a tranquilidade de um lugar sereno... Pena que perdeu a tradição. Como uma ninfeta que prometia encantos de mulher, mas transformou-se em balzaca obesa...

Luiz Carlos de Moraes e Silva

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12/11/2008
08:42

Ler as cronicas do Airton Monte tornou-se uma exigencia do meu dia-a-dia, Ler sentir e conhecer alguem atraves dos seus escritos que faz tão bem a muitas pessoas. E um presente dos céus, Agradeço aos Deuses por voce existir.... 5S, saude sabedoria serenidade sorte e sucesso

Tania Maria lopes

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12/11/2008
08:38

Airton, sorrio sempre ao ler suas crônicas. E a crônica de hoje, está tão bela e poética, que cheguei a sentir uma "pontada" de inveja (no bom sentido é claro!) por você conseguir expresssar tão belas palavras, num horário, em que, nós, mortais, sequer sabemos apreciá-la de forma sensível. Parabéns!

Fernanda

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