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Airton Monte

Airton Monte

Simples palavras


30 Out 2008 - 01h19min

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O domingo amanheceu maravilhosamente domingo, luminosamente solar como uma luz que se acende subitamente, em uma casa às escuras. Esta semana não pude comprar meu vinho predileto, uma das desditas que, vez por outra, acometem os poetas pobres. E sou da seguinte opinião: e vinho, ou se bebe do bom ou não se bebe, com vinhos não deve haver meio termo assim como a vida. Se não a vivermos intensamente, com suas dores e prazeres, não vale a pena vivê-la. Assim o penso, assim a vivo, pois para mim não existe outro modo de vivê-la.

Como quem não tem cão caça com gato, abro uma garrafa de cana de uma nobre linhagem mineira, que me foi generosamente ofertada pelo meu amigo e editor Sérgio Braga e, bebendo-a não sei por que vou me lembrar da rua Dom Jerônimo quando ela apenas era uma ruazinha do subúrbio, mansa, que se podia jogar um gol a gol de uma calçada para outra, sem que nenhum carro nos estragasse a festa. Abro um livro de Neruda e leio, de mãos postas: "posso escrever os versos mais tristes esta noite" e minha vida se enche de significados.

Coisa mais estranha é a vida ou pode ser. Se de repente paramos e pensamos no rame-rame do cotidiano, onde nada mais somos do que descartáveis peças de uma vasta engrenagem, como naquele filme do Carlitos, Tempos Modernos, e a única saída honrosa e possível, para manter um resquício de dignidade seria simplesmente um suicídio coletivo. Entanto, me chega o domingo como uma oferenda dos deuses e posso dar-me ao luxo de gozar os meus prazeres preferidos, qual um condenado à morte saboreia a sua última ceia.

Comer, beber, fazer amor me desumbrar com pôr-do-sol. Estou como me apraz estar: escrevendo, batendo papo com a mulher amada, ouvindo Billie Holliday cantando em dueto com Louis Armstrong, Ives Montand cantando "L'Âme dês Poetes", a Velha Guarda da Portela me ofertando "Tudo Azul" e lendo Neruda em voz alta, sem parar, como se não morrer dependesse disso. E escrevo um amontoado de palavras que, se lerem ou não lerem, finda dando no mesmo. Escrevo porque é meu destino, meu karma e me é impossível deixar de escrever, pois eu nada mais seria e minha vida perderia qualquer sentido.

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30/10/2008
18:20

Quase todos os dias corujo o dom de oculos nas suas escritas do saber.Tem dias bons e dias melhoresd é sempre bom encntra-lo...mesmo nas escritas...prefiro nos botecos da vida....VALEU...velho bel

velho bel

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30/10/2008
17:21

amigo Airton ,me encontranto distante de nossa cidade,confesso que sou seu exímio leitor de suas crônicas,e me fez lembrar de nossa infâncias na gentilandia e de nossas famílias ,ha quanto tempo nã nos encontramos para tomarmos uma cachaça como faziamos na casa do Roge de Rogério que bons tempos amigo! Espero muito em breve poder revê-lo e a todos os nossos amigos de infância

francisco gerardo passsos braga

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30/10/2008
15:19

Prezado Poeta. Confesso que sou um eximio leitor das suas cronicas, posso te afirma que elas fazem parte do meu ramerrão. Infelizmente, o nosso Time sua a camisa, se esforca, luta como ninguem, para disputar a 3ª Divisão! Ninhum torcedor pode afirmar que esses pseudos jogadores faz\em de tudo, ou não fazem nada, para atingir seus objetivos: Ver o FEC na terceirona! Alemejo-te uma ótima 4ª feira repleta de ósculos e amplexos!

Francisco moreira

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