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Airton Monte

Crônica

Crônica pra você

Airton Monte
29 Out 2008 - 00h20min

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O meu amor por ti é uma lanterna mágica, em que criança boba me vejo projetado, nessa luz estranhamente enlouquecida de teus castanhos olhos minerais. Sim, amada, o meu amor por ti tem algo de brutal, de feroz suavidade, assim como o tigre oculta, no macio veludo das assassinas patas, a afiada cimitarra das sangrentas garras. O meu amor por ti, mulher amada, mulher minha, pela graça de algum Deus me concedida, é maravilhosamente cru que nem um parto e em ti me vejo ausente de mim mesmo, que por vezes, nem eu mesmo me reconheço, quando em ti estou profundamente mergulhado, um homem possuindo sua mulher e tudo é gozo.

O meu amor por ti é um cego vôo de morcego e vou pisando nuvens que nem um anjo doido, quando em ti a rosa do sexo despetalo, molhada de humores fartos, de gemidos lassos, e gritos roucos quando tu gozas, saciada e linda. O meu amor por ti é um pássaro sem asas quando de ti me alucino rápido e de ásperas palavras te recubro a espantada face, pois o meu amor por ti não seria amor se não tivesse algo assim de obsceno e de luxúria. E quando, de desejo louco em ti me desconheço, a murmurar em teus ouvidos vinicianos versos, votos de amor e nomes feios.

O meu amor por ti é um poema clássico, onde teus seios rimo com tuas ancas largas, escrito em estrofes de variegados ritmos, com minha fálica pena mergulhada no carmim de tua boca, de tua ágil língua, quando te cavalgo plenamente como a mulher nenhuma cavalguei em loucas noites. O meu amor por ti, minha mulher, mãe dos meus filhos, é o triste sentimento quando, à noite, recusas tu a minha posse, fingindo dormir(crudelíssima artimanha) se eu chegar de madrugada com outros cheiros femininos que não os teus minha adorável paranóica.

O meu amor por ti, minha santinha, e sei o quanto detestas quando te chamo de santa sem o menor remorso, pois assim meu bisavô Manoel chamava a minha bisavó e meu avô João chamava a minha avó, em poéticos assomos de ternura. O meu amor por ti, minha mulher, é um vendaval tamanho, um mar de fogo queimando-me as entranhas como o abutre roendo o fígado de Prometeu. O meu amor por ti, minha mulher, minha santa mãezinha dos meus filhos, não cabe em nenhum verso, a não ser nas cinco letras do teu nome: Sônia.

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