Airton Monte
Crônica
Novidade cibernética
Airton Monte
27 Out 2008 - 01h34min
Um amigo meu, de bolso folgado e espírito viageiro, recém-chegado do velho continente, andou me contando que os japoneses, segundo fofocas da comunidade européia, acabaram de inventar um tal de orgasmo cibernético, que está enlouquecendo os cultuadores de Onan. Por aí, imaginem vocês, queridos leitores meus, do que pode ser capaz o juízo desocupado da humana criatura. Mas nós, os chamados bípedes pensantes, somos assim mesmo, sempre em busca infindável do prazer e do gozo.
Pois muito bem, deixemos de lado as filosóficas indagações e vamos direto ao ponto. O aparelho que, digamos assim, concretiza a idéia do orgasmo cibernético, é chamado por seus inventores de "Orgasmatron", uma geringonça eletronicamente apta a proporcionar orgasmos numa intensidade, pelo menos até agora, inimaginável, mais parecendo coisa de ficção científica. A masturbatória aporrinhola nada mais é do que uma camisinha especial, dotada de microssensores e acoplável em qualquer computador caseiro.
O inusitado aparelhinho custa a bagatela de mais ou menos uns cento e quarenta duros e seu sucesso no mercado está sendo tão grande que os fabricantes prometem uma versão para o sexo feminino dentro em breve. Longe de mim nutrir algum preconceito contra a masturbação e que atire a primeira pedra quem já não apelou para a chamada "covardia" em uma hora de inadiável precisão. A propósito, quantos não estarão, neste exato momento em que escrevo, diante da tela de um computador exercitando o sexo solitário com seus amantes virtuais?
Ah, quanta gente tentando fugir desse mundinho de carne e osso, à procura de paraísos artificiais, virando eremitas do afeto, fazendo do próximo o cada vez mais distante. Comigo não, violão, não há em mim a menor intenção ou desejo de me tornar um chip humano. Ainda gosto de gente que posso pegar, cheirar, sentir o sabor, olhar de perto, abraçar. Não sei viver sem os sons, cores, cheiros, as formas do mundo real, que inundam de prazer todos os meus sentidos. Aí eu sei que realmente existo, feito uma flor, um pássaro, um homem.
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