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Airton Monte

Crônica

Mais um dia

Airton Monte
24 Out 2008 - 00h47min

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Por vezes, o sujeito termina mais um dia de trabalho completamente exaurido até a última gota de energia e de suor, de tão moído encontra-se pelas engrenagens implacáveis do cotidiano, que, neste momento, seu único e vital desejo é apenas chegar em casa, livrar-se das roupas corriqueiras, tomar um banho demorado, vestir aquele bermudão gasto e folgado, devorar sua ração noturna de comida e sentar-se diante da televisão e esquecer de tudo, inclusive de si mesmo. O sujeito não quer ouvir nenhum queixume da mulher, conversa besta de filho, atender telefone, dizer que não está para ninguém, até mesmo para o seu melhor amigo.

Há dias assim, tão demasiadamente insuportáveis que seria bem melhor que não houvessem sido vividos ou desvividos como se fossem um episódio apagado de sua existência, o que, no mínimo, já seria uma desejada bênção, mesmo que o sujeito não acredite em nada além da insossa realidade do dia-a-dia. É justamente nesses momentos de parca reflexão e puro desabafo, que o sujeito se dá conta de que não passa de um completo idiota por haver se deixado amarrar por tantos compromissos que lhe exigem um hercúleo esforço que vai certamente acabar em nada. Pelo menos em nada que valha verdadeiramente a pena.

Daí, o sujeito começa a pensar, de modo vago e fortuito, que as coisas bem que poderiam ser diferentes se ele decididamente ousasse mudá-las de modo decisivo e definitivo. Ah, quem lhe dera possuir um pouco mais de coragem, de audácia, de ousadia e então lhe vem uma vontade de perder o medo do já estabelecido e mergulhar de cabeça no seio do novo, no âmago do inesperado e disso sair um novo ser feito um recém-nascido. Daí, o sujeito continua a pensar compulsivamente que a vida tem tantos caminhos, múltiplas estradas a desbravar que, súbito, nele se reinaugura a bendita irresponsabilidade da adolescência.

Depois, a noite começa a passar e quase imperceptivelmente um sutil anestésico chamado hábito se infiltra em suas veias e vai acalmando as suas ânsias e pouco a pouco ele vai novamente se tornando um dócil animal doméstico. Foi somente um dia mais cansativo, mais atribulado que o normal e os desejos de mudança vão se transformando em uma morna deliqüescência que chega a ser agradavelmente confortável e íntima. O sujeito volta, então, a ser o mesmo que iniciou o dia e veste, com um certo alívio, o velho pijama da conformação e da comodidade. Foi apenas um dia comum, apenas mais um, apenas.

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25/10/2008
11:26

Clóvis Bornay, Evandro de Castro Lima, Ivo Pitangui, Rubens Braga não estão em julgamento, tão-pouco Airton Monte. Camisa do Pelé, 10 para ele.

Airton Barbosa Gondim

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24/10/2008
07:02

Poxa,esta cronica foi escolhida por uma pessoa que amo muito....combina direitinho com a rotina dela novamente maravilhosa PERFECT!s.c.k.f.n.

SCKFN

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