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Airton Monte

AIRTON MONTE

O mesmo drama


15 Fev 2008 - 00h32min

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Pode acontecer que muitos dos poucos que ora me lêem não concordem comigo em gênero, número e grau quando ouso pontificar que as mulheres esplendorosamente belas padecem do mesmo drama existencial dos grandes craques do futebol, senão vejamos. Os chamados virtuoses da pelota, que por sua arte se tornam ídolos e deuses dos estádios, ao pendurarem as chuteiras passam a sentir, à medida que vão sendo esquecidos, uma dolorida nostalgia dos aplausos e da adoração apaixonada que costumavam ter quando estavam no auge da carreira.

Pouco a pouco, os antigos heróis do ludopédio são relegados ao cruel limbo do esquecimento e os holofotes da fama e da popularidade começam a iluminar outras estrelas nascentes dos gramados e os antigos astros vão perdendo a luz e o brilho, findando por se quedarem, olvidados, na vidinha comezinha dos mortais comuns a que foram reduzidos. Coisa parecida, fenômeno semelhante parece acontecer com as mulheres belíssimas. Mal acostumadas a serem o centro das atenções, a monopolizarem o desejo dos homens e a inveja de outras mulheres.

Entanto, ao passar do tempo, fana-se a beleza e para elas se torna cada vez mais difícil seduzir os homens, porque outras belezas mais jovens se alevantam. As outrora princesas dos salões percebem, solitariamente, que já não é mais a mesma coisa e que nada para elas será como dantes, quando demasiado fácil era enlouquecerem de paixão danada os homens que as cercavam, enredados pelo seu fascínio. Os admiradores escasseiam e as belezas balzaqueanas, por vezes, se vêem forçadas a dar bola até mesmo para quem esnobaram outrora.

Por não se conformarem com o ostracismo, muitas partem para a apelação explícita na vã tentativa de voltar a ser a rainha da cocada preta. Imprudentemente, abusam dos decotes ousados, das transparências, da metragem das saias e dos biquínis. Ou na pior das hipóteses, se metem a virar intelectuais de última hora dando palpite sobre tudo e sobre o nada, publicam poesias canhestras, filiam-se a seitas esotéricas, vivem nos "points" da moda querendo impor sua presença por bem ou por mal. Coitadas, mal desconfiam que o tempo é mais implacável com as mulheres do que com os homens.

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