Airton Monte
CRÔNICA
Quer entender?
Airton Monte
Cronista do Vida & Arte
26 Out 2007 - 02h38min
Deste mar as espumas são lamentos de pinhais que de há muito velejaram em busca de um belo sonho inaugural: então as Américas assim se anunciaram ao maravilhado olhar dos bárbaros barbudos ferozes. Quem pensaria em Marte nesse tempo? Automóveis atravessando as praças de paris num fim de tarde outonal, Santos Dumont, o nosso anjo gris traçando as suas rotas pelos céus, o mar infeliz banhando as terras africanas. Baudelaire palmilha na ladeira, poesia me banhe a vida inteira. Sou letra e música. Como? E ainda quer me entender?
Sim, esta crônica sou mesmo eu me despedaçando em fragmentos, pedaços do que sou, do que não fui e do que espero, aguardo. Uma janela qualquer, numa cidadezinha qualquer, uma vila, não importa se em Londres ou Viçosa - haverá sempre uma janela, um rosto por trás da cortina se desjanela. Aí, a vida é um outro imaginário e alguém, curvado ao peso de culpas e arrependimentos imemoriais, olhará a moça como quem olha as espumas frementes daquele mar primordial. A moça simplesmente deve ignorá-lo como se ele não existisse.
A moça, surpreendida, recolherá as embarcações, uma vez que viu no olhar do outro os barcos de papel perdidos na infância. Nem sequer deu um toque rápido nos cabelos, deixou esquecido sobre a mesa o toucador vermelho de seu batom. Correndo, desceu as escadas, pois o elevador estava enguiçado no vigésimo quinto andar. O outro, infeliz, pegou um táxi de olhos baixos e úmidos e se foi sem saber o que o esperava. A moça caminha, agora, no calçadão da Beira Mar, entre turistas branquelos e malandros otários, à espera do evém chegando.
Anda a moça de blusa azul à semelhança daquele que em Recife alumbrou os olhos do ficcionista e poeta e meu compadre José Alcides Pinto, que dissolveu as calçadas e não mais permitiu trilha alguma. Aonde irá a moça de blusa azul? Caminhos não há, a perda é quase sempre irreparável. Aquele poeta fotografou a janela e roubou-lhe a alma e a claridade ainda permitida. Um desencontro fatal entre o poeta e a moça da blusa azul e ambos se perdem pela cidade. Lembra que quando ele a olhou, ela foi beber um copo d'água. Inumerável é o mar, da mesma forma a procura.
Sim, esta crônica sou mesmo eu me despedaçando em fragmentos, pedaços do que sou, do que não fui e do que espero, aguardo. Uma janela qualquer, numa cidadezinha qualquer, uma vila, não importa se em Londres ou Viçosa - haverá sempre uma janela, um rosto por trás da cortina se desjanela. Aí, a vida é um outro imaginário e alguém, curvado ao peso de culpas e arrependimentos imemoriais, olhará a moça como quem olha as espumas frementes daquele mar primordial. A moça simplesmente deve ignorá-lo como se ele não existisse.
A moça, surpreendida, recolherá as embarcações, uma vez que viu no olhar do outro os barcos de papel perdidos na infância. Nem sequer deu um toque rápido nos cabelos, deixou esquecido sobre a mesa o toucador vermelho de seu batom. Correndo, desceu as escadas, pois o elevador estava enguiçado no vigésimo quinto andar. O outro, infeliz, pegou um táxi de olhos baixos e úmidos e se foi sem saber o que o esperava. A moça caminha, agora, no calçadão da Beira Mar, entre turistas branquelos e malandros otários, à espera do evém chegando.
Anda a moça de blusa azul à semelhança daquele que em Recife alumbrou os olhos do ficcionista e poeta e meu compadre José Alcides Pinto, que dissolveu as calçadas e não mais permitiu trilha alguma. Aonde irá a moça de blusa azul? Caminhos não há, a perda é quase sempre irreparável. Aquele poeta fotografou a janela e roubou-lhe a alma e a claridade ainda permitida. Um desencontro fatal entre o poeta e a moça da blusa azul e ambos se perdem pela cidade. Lembra que quando ele a olhou, ela foi beber um copo d'água. Inumerável é o mar, da mesma forma a procura.
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