01/08/2008 00:50
Então, é isso: agosto chegou mui solertemente sem anúncio prévio de sua discretíssima chegada. E como sói acontecer neste augusto mês, me chegaram também as ansiadas férias anuais das páginas deste prestigioso matutino. Para gáudio dos meus raros dissidentes afetivos e de uma multidão de leitores que não me lêem por não saberem o que estão perdendo ou sabendo o que estão ganhando, durante os próximos trinta dias, estarei ausente deste meu cantinho de página de jornal. Afinal, não é fácil espremer o bestunto por doze meses seguidos para extrair a crônica diária.
Claro que, por alguns dias, sentirei um certo alívio que só o descanso mental é capaz de nos proporcionar e dispor das minhas noites para escrever o que eu bem quiser e desejar sem a forçosa obrigação de enviar a crônica dentro do prazo aprazado pelos meus simpáticos editores. Mas, bem sei que passado algum tempo, ao folhear O Povo, sentirei falta de ver o meu nome estampado no local de sempre e ficar contando os dias para recomeçar minha rotina cotidiana de cronista. Pode até parecer, aos olhos de alguns, que estou assumindo uma posição por demais contraditória. Acontece que sou mesmo assim, um poço sem fundo de contradições.
O problema todo é que eu gosto de jornal desde pequeno e ficava imaginando que, talvez um belo dia, eu também estaria escrevendo minhas besteiras numa página de jornal. E depois que o sonho se concretizou, jamais perdeu sua magia, seu encantamento e cada vez mais gosto do que faço, gosto do carinho dos leitores quando me encontram pessoalmente e reconhecem o modesto valor do meu trabalho de escriba. Ser cronista tem lá suas vantagens emotivas, além do suado dinheirinho com que garanto o aluguel e a tal detestável cervejinha sem álcool das crianças. Entanto, resta pairando no ar a pergunta fatal: o que fazer das noites agora livres?
Juro que não sei, pelo menos até agora não pensei no assunto. Quem sabe, escrever um novo livro ou dar os últimos retoques no meu novo volume de contos ora entregue aos cuidados do livreiro e editor Sérgio Braga. Ou apenas quedar-me de papo pro ar, inteiramente dedicado ao ócio mais completo de modo absoluto. Quiçá, sair com os amigos, ir a lançamentos de livros, vernissages e outras variegadas inutilidades que tais. O importante é que estou de férias com a alegria de um menino na hora do recreio depois da aula de matemática. Em setembro estou de volta, isto é, caso ainda for do agrado dos editores e de meus pacientes leitores. Até mais ver.
Leitor diário deste belíssima coluna, perdi um tempo absurdo preenchendo o cadastro, só para desejar boas férias para meu amigo(é assim que o tenho)Airton Monte. Volte logo! Marcos Lima
MARCOS ANTONIO SOUSA LIMA
Airton Monte és um querido! Saibas que estaremos anciosos por tua volta logo mais em Semtembro. Abraço e boas férias para ti!!
Pedrita Viana
Volte logo home de Deus! mas antes descanse e goze cada um dia dessas merecidas férias. Que inveja, nunca soube o que são trinta dias de ócio total...nos encontraremos nos bares da vida, você tomando aquela cervejinha sem álcool...
LUIZ IVAN MONTE
Já que o cronista está de férias O Povo deveria reeditar crônicas antigas escolhidas, melhor do que ficar com esta o mês inteiro
Airton Barbosa Gondim
Airton Monte sentiu sua falta segunda feira, alegrando nosso dia. Recarregue as energias e volte a nos encantar.
Sandra Maria Florencio Lima
Concordo com o Airton Barbosa, deveriam reeditar as crônicas antigas, para deleite dos leitores assíduos. Se a Globo, ao lhes dar férias deixasse o espaço ocupado pelos bobões Faustão e Jô sem reprisar seus abomináveis programas, ficaríamos super felizes, no caso do Airton é o contrário...
LUIZ IVAN MONTE