Armando Bispo
15/07/2008 00:58
Um grupo de trilheiros do Clube Stauros Adventure visitou a comunidade da Barra do Bento para inaugurar a nova residência do líder comunitário, celebrar a abundância de água no açude recém-construído pela Igreja Batista em parceria com a Emartece e, ainda, a energia elétrica que trouxe luz para as 30 famílias daquela abençoada população.
A pista de acesso, desde a entrada à partir da BR 020 estava perfeita, deu para sonhar com uma especial de cross country ou mesmo de velocidade para carros 4x2. Depois da celebração e da cerimônia, decidimos passar por Guaramiranga para um pernoite na nossa fria réplica de Gramado. Tínhamos duas alternativas, subir pela piçarra a partir de Caridade ou, seguir um pouco mais adiante e entrar nas estradinhas sinuosas próximo a Inhuporanga.
Visualizando o Pico Alto, fomos entrecortando as montanhas menores e subindo para os quase 900 metros de altitude para ver, à nossa esquerda, um visual deslumbrante do sertão verde até Canindé. Para quem já visitou várias locais de serra, com infraestrutura de primeiro mundo, como as serras gaúchas, Campos do Jordão, Serra Negra, a baiana Chapada Diamantina e as cidades andinas, pode com orgulho dizer que o maciço de Baturité não perde para nenhuma dessas em beleza e recursos naturais. No entanto, ao entrarmos na cidade em pleno mês de férias, impressiona o descaso, as ruas esburacadas e a qualidade ruim dos estabelecimentos prestadores de serviço.
Pois é, a tristeza de uma cidade abandonada, exploradora e esburacada que vimos em Crateús, por ocasião do Rally dos Sertões, não perdeu em nada para a nossa Guaramiranga. Entradas e saídas esburacadas, rua principal num estado precário para as férias, comércio alimentício despreparado para atender a demanda turística. Havia um clima de decepção no ar, pois o povo trabalhador de Guaramiranga e as belezas naturais do lugar bem que poderiam ser ajudados pelos setores governamentais responsáveis pelos recursos e treinamento da mão-de-obra disponível.
Andar em Crateús ou em Guaramiranga é uma odisséia off-road, coisa nada agradável para quem buscou nestes locais uma pausa, um bom atendimento e uma boa infraestrutura capaz de atrair grandes eventos e turistas do varejo. A capital cearense do Jazz, estava sem ritmo e sem glamour, sem contar a saúde comprometida dos que arriscaram um crepe num dos restaurantes que jamais passaria no crivo do serviço de saúde, se por ali resolvessem fiscalizar.
Claro que não vamos deixar de visitar as belas cachoeiras, os belos sítios, trilhas e atrações visuais e culturais das nossas serras, mas os turistas de fora e de dentro precisam reagir, protestar, registrar o desgosto para de algum modo reverter essa buraqueira no alfalto e nos serviços prestados ao povo cearense e aos turistas de fora que nem sabem que no Ceará tem friozinho, fondue, serração, chocolate quente e uma natureza exuberante o ano inteiro.