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4x4

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Superação, equilíbrio e paciência

Armando Bispo


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29/01/2008 00:06


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Foram quatro extenuantes dias, muita água, muita lama, muita poeira e muita areia, além disso, o sol violento que fritou o juízo de todos nós em Ipanguassú, próximo a Mossoró, como o efeito estufa sentido nos canaviais da Paraíba. Uma prova dessa começa muitos dias antes. Planejamento, preparação do carro, o cuidado físico dos competidores, muita hidratação e o cuidado de uma alimentação balanceada, além do bom preparo físico.

Os dias de vistoria que antecedem à largada, marcam o reencontro dos velhos amigos de trilha, como também o ajuste da logística da prova em relação ao crescente número de participantes, mais de 500 inscritos, entre motos, bikes, quadriciclos, carros e caminhões.

No dia que antecedeu a largada, um corredor e uma rampa no apertado e pouco acessível hotel Marina foi palco da apresentação dos carros na chamada largada promocional, surpreendida apenas pela chuva torrencial que afastou o público composto de amigos, parentes e equipes de apoio dos competidores. Na quarta-feira, logo de madrugada, como seriam todos os dias, os competidores aferem os instrumentos, calibram pneus, abastecem as máquinas e conferem tudo antes da largada que acontece fora da cidade, logo após um deslocamento de algumas horas.

Para nós, pilotos e navegadores do Velocerapió, a primeira etapa seria, como foi, em Beberibe, num dos braços da lagoa Canoé. Equipes de apoio vão chegando e armando suas barracas coloridas e se aprontando para as emergências dos intervalos de prova, quando ajustes e consertos são feitos de forma rápida e profissional pelas equipes da apoio.

Carros enfileirados, largam de 2 em 2 minutos, e ao sinal da contagem regressiva, giro alto dos motores e uma arrancada de encher os olhos e estrilar os ouvidos, sempre muita lama ou muita poeria na largada. Durantes as 3 voltas de aproximadamente 30 km, pilotos pausam e são hidratados por dentro e por fora, ou seja, água para beber e água para molhar a roupa, a fim de agüentar o cockpit com seus insuportáveis 45 graus.

Os que tinham um excelente apoio, como era o meu caso, Evolution e seu profissionalismo, além da esposa e filha por perto, depois do deslocamento tinham seus carros lavados, revisados, consertados, quando preciso e prontos para o dia seguinte, apronto este que sempre é feito durante a noite, enquanto os pilotos e navegadores descansam para o próximo dia.

Ao final, de tudo, além de um simples troféu, fica o prazer da adrenalizante corrida, da velocidade, dos saltos, das curvas derrapantes, das quase capotadas, alguns amargam o prejuízo mecânico, mas nada se compara ao prazer de conviver com amigos que disputam entre si a melhor história da curva, do vôo, da cerca lambida, da pedra no caminho e do toco que insistia em não sair do lugar.

Depois é só contar segundo, somar, diminuir, descontar, acrescentar bônus ou tirar tempo de penalização e correr para o briefing ouvir mais explicações sobre regulamento, bom senso, perigos e características das arenas dos atletas do automobilismo. Um esporte que ensina muito sobre superação, equilíbrio, paciência, humildade e dependência da proteção e cuidado constante de Deus.


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