Armando Bispo
20/11/2007 00:45

Enquanto o pêndulo, visto na semana passada, faz uso do embalo pendular da carroceria e do toque preciso nos freios para provocar a derrapagem e alinhamento com a saida da curva, a derrapagem acelerada dispensa totalmente o freio utilizando apenas o volante e o acelerador. Esta manobra é também conhecida por Powerslide (força de derrapagem), comumente usada nas pistas sinuosas de rali, quando as curvas são feitas em alta velocidade em busca do menor tempo possível.
Nas situações do dia-a-dia, ou mesmo em provas de cross-country, a exemplo do Rali dos Sertões, é muito provável que apareçam curvas inesperadas, não planilhadas ou não cantadas pelo navegador e, devido a grande velocidade das retas, o freio nem sempre será a melhor opção. Nestes casos, recomenda-se a derrapagem lateral (powerslide) como forma de entrar na curva com segurança e sem o "rodopio" de 360 graus.
A técnica pode ser assim descrita, numa simulação de curva fechada à direita:
1. Virar a direção para a direita, antes da curva, mantendo o pé no acelerador para provocar a derrapagem da traseira do veículo;
2. Se a velocidade não for suficiente para provocar a derrapagem das rodas traseiras, será preciso acelerar ainda mais;
3. No início da derrapagem a tendência do carro será o "rodopio" de 180 a 360 graus (cavalo de pau);
4. No momento da derrapagem, quando a carroceria do carro ficar num ângulo próximo de 90 graus antes da curva à direita, gire a direção para a esquerda (sentido contrário da curva) e continue pisando no acelerador até que o carro aponte para a saida da curva e seja novamente alinhado para seguir em frente.
Se o carro for de tração traseira, a aceleração faz com que os pneus traseiros derrapem perdendo a aderência, o carro passe a ser controlado pelas rodas dianteiras e o movimento preciso do volante. Nos casos de curvas bruscas de alta velocidade, pode acontecer o famoso "capote" (capotada) por conta da desaceleração (tirando-se o pé do acelerador). Neste caso, as rodas traseiras grudam no terreno e não completam a curva. Porém, quando nesta situação o pé do piloto se mantêm no acelerador, a traseira derrapa em direção ao alinhamento com a curva e a frente do carro adere.
A manobra ideal vem do equilíbrio entre a aceleração e o uso preciso do volante, primeiro na direção da curva, depois na direção contrária à curva, até ao ponto de alinhamento com a saida da curva que queremos completar. Essas técnicas podem ser simuladas em jogos de computadores ou videogames, podem ser vistas em videos do youtube, e realizadas com muita cautela em treinamentos assistidos e num equipamento mecânico correto.
Não convêm tentar estas manobras com carros comuns e não preparados, há contudo, muito ganho para os pilotos que dominam estas técnicas dentro e fora da estrada.