Mariana Toniatti
11/10/2008 21:22
Cada criança é de um jeito. Aos poucos a gente vai adivinhando, percebendo e se surpreendendo com o universo de idéias, curiosidades e dúvidas que cabem numa cabecinha. Quando elas estão com um pé na infância e outro na puberdade, a ebulição de sentimentos transborda sem freio. Com 11 anos a gente quer acertar de todo jeito e desconfio que meninas sejam ainda mais cruéis nessa exigência consigo mesmo.
Tinha esquecido como é a ansiedade dessa fase! Com Letícia relembrei. E vi as diferenças entre a minha geração e a dela, mil anos-luz à frente da minha na quantidade de informações. Letícia escolheu um tema complicado: compulsão por comer. Na rua, vimos que a entrevista tinha ido para um outro caminho. Falamos mais sobre o sobrepeso na infância. Letícia foi em frente com o que tinha e se esforçou muito na construção do texto.
Dessa parceria fica, para mim, a surpresa da descoberta do outro e a energia dessa idade. Com tantas coisas se descortinando, o mundo vira um caleidoscópio de possibilidades, nada parecido com a tela preto e branca da rotina de muitos adultos. Uma sensação que pode até dar medo, mas que tem um potencial criador que ninguém deveria deixar se perder.
Mariana Toniatti, repórter do Núcleo Cotidiano do O POVO