Todo mundo sabe, mas ainda tem gente que não põe em prática. Alimentação saudável tem tudo a ver com exercício físico. Para perder peso, não adianta só comer menos e com mais qualidade. É importante se mexer! A atividade física incentiva hábitos saudáveis
11/10/2008 21:22

"Estimular a atividade física é essencial. O pai não pode dizer para a criança fazer atividade física e passar o sábado de pijama e chinelão vendo TV. No sábado ele tem que levar o filho para correr no parque e brincar na praia e não alugar dez DVDs". Carlos Bruno, endocrinologista pediátrico
Praticar esportes é tão importante quanto comer bem, priorizando alimentos saudáveis e prestando atenção nas quantidades. Se mexer é fundamental! "A falta de atividade física leva à obesidade. As crianças não jogam fora as calorias extras, transformam em gordura. Menos de 1% dos obesos infantis tem problemas endócrinos", afirma Thelmo Maia, educador físico e doutorando em educação. A equação é fácil. Caloria demais, exercício de menos, igual a sobrepeso. No mundo do computador, do videogame e da televisão, é mais difícil sair dessa fórmula. As brincadeiras hoje confinam os meninos dentro do quarto.
"As crianças são induzidas ao sedentarismo, não gastam energia e consomem alimentos hipercalóricos. É um contra-senso", diz o psiquiatra Fabio Gomes de Matos, do Centro de Tratamento de Transtornos Alimentares. Não por acaso, o número de crianças obesas tende a ser maior em famílias de alto poder aquisitivo. "As crianças de classes mais baixas ainda brincam na rua e gastam energia porque não têm acesso tão fácil ao computador", diz Fabio. Numa pesquisa recente coordenada por ele em cinco escolas públicas e cinco particulares, o percentual de alunos com sobrepeso nos colégios públicos foi de 7% e nos particulares de 11%. "As crianças de classes mais baixas mantêm hábitos antigos das crianças de classe média. Jogam bola no terreno baldio, soltam pipa e sobem em árvore", concorda Thelmo Maia. Enquanto isso, as de maior poder aquisitivo levam o lanche para o quarto, abrem o pacote de bolacha, consomem aquela "caloria vazia de nutrientes" e não precisam sair de casa para se divertir. Nesses casos, matricular a criança numa aula de atividade física garante que ela vai se exercitar fora das aulas de educação física. "A reeducação alimentar tem de vir junto da atividade física", reitera Thelmo.
Esportes
O gosto da criança deve orientar a escolha da aula. Nunca o dos pais. O ideal é apresentar vários esportes antes de decidir qual o melhor. A princípio, as crianças obesas não têm restrição para a prática de nenhuma atividade física. "Ela pode fazer tudo. Apesar do sobrepeso, a gordura ainda não tirou nada dela. Vai tirar um pouco mais na frente", diz Thelmo. Problemas de articulação, por exemplo, comuns entre adultos obesos, quase nunca acometem crianças. Para o endocrinologista pediátrico Carlos Bruno, algumas modalidades podem aumentar a dificuldade de adaptação das crianças.
"A natação exige o uso de maiô e muitos têm vergonha. No vôlei é preciso pular muito e às vezes o sobrepeso pode atrapalhar". Mas, reforçando, não há contra-indicação física para nenhuma dessas atividades. O importante é manter a crianças motivada. Nisso, o papel do professor é fundamental. A criança gordinha deve receber o mesmo tratamento da magra. Se o gordinho fica sempre fora do time, o estigma o afasta do esporte e provoca traumas. "Mas se ele gosta e é envolvido, automaticamente afina. Por mais que ele coma, a coisa que mais gosta de fazer é estar ali. Esquece de comer e corre por três horas seguidas se deixar", diz Thelmo. (Mariana Toniatti)
E-MAIS
> Atividades físicas andam de mãos dadas com a reeducação alimentar. Para render melhor é preciso comer bem. A mídia tem ajudado muito a associar as duas coisas. Quem é atleta come granola, frutas e barrinhas de cereal.
> Praticar atividades físicas na infância é indispensável não só para quem precisa perder peso. Além de suar e gastar energia, os esportes enriquecem o repertório motor da criança e incentivam o desenvolvimento de aptidões.
> Fique de olho no professor do seu filho. Ele deve estimular as brincadeiras, o lado lúdico das aulas, e não a competição entre as crianças.
> Brincar com outras crianças é a melhor atividade física. Arremessar a bola, chutar, dançar, correr, tudo isso aumenta o que o educador físico Thelmo Maia chama de inteligência motora.
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