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Ciência e Saúde

Alguns hábitos

Alimentação saudável começa em casa

Mariana Toniatti
da Redação

Mil variedades de biscoito, salgadinhos, chocolates e refrigerantes. Lembrancinhas que vêm com lanches gordurosos. Cantinas abastecidas de fritura. Fica mais difícil incorporar uma alimentação saudável na rotina das crianças hoje em dia


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11/10/2008 21:22

 Na escola, as opções gordurosas e condimentadas da cantina acabam indo para o cardápio dos alunos. No lugar do suco e da fruta, espaço para os salgadinhos e docinhos(Foto: MAURI MELO)
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Na escola, as opções gordurosas e condimentadas da cantina acabam indo para o cardápio dos alunos. No lugar do suco e da fruta, espaço para os salgadinhos e docinhos(Foto: MAURI MELO)

Alguns hábitos da família explicam porque tantas crianças estão comendo mal. Começa logo cedo, de manhã, quando muitas pulam o café. "Ou no máximo tomam aquele chocolate de caixinha", diz a nutricionista Roseane Feitosa, do Centro de Diabetes e Hipertensão do Ceará. Na hora do recreio a fome é grande e a cantina é uma tentação. A primeira refeição do dia é uma das mais importantes, mas por falta de incentivo, as crianças não têm apetite ou tempo para comer direito. "Uma refeição dura uns 20 minutos, mas elas engolem em cinco, como os adultos", reprova o endocrinologista Carlos Bruno.

Outra falha grave é comer em frente à TV. Distraídas, as crianças não observam a mastigação, nem os pais. Quanto mais se mastiga o alimento, mais cedo vem a sensação de saciedade. "A mastigação estimula as papilas gustativas. Engolindo a comida sem mastigar direito, a criança só fica satisfeita quando o estômago dilata", explica o psiquiatra Fabio Gomes de Matos, coordenador do Centro de Tratamento de Transtornos Alimentares. Se o sinal de saciedade é "barriga cheia", o órgão vai aumentando de tamanho, pedindo cada vez mais comida.

"Depois só se consegue controlar com a redução de estômago. É uma bola de neve", diz Fabio. Em crianças, a compulsão por comer não é algo comum. Pelo menos não como transtorno alimentar. O que pode acontecer antes da puberdade, é o que o psiquiatra Fabio chama de compulsão secundária, ou seja, decorrente de algum outro problema. Pode ser em casa, uma dificuldade com alguém na escola ou uma semana de provas. "A ansiedade aumenta e em virtude disso, a criança come mais num determinado período. Mas passada a semana de prova, passa também a compulsão alimentar derivada desse problema", diz Fabio.

Pressão
A própria dieta pode servir de gatilho para uma crise de compulsão alimentar na criança. Se os pais radicalizam e cortam de uma vez o sorvete e o chocolate, criam uma pressão que o filho pode não suportar. "Soluções radicais devem ser evitadas. A mãe precisa de orientação. Ela não faz por mal", diz Fabio. Pela mesma razão, as negociações do tipo, "coma isso que no fim de semana te levo no Mc Donald's", também são perigosas. A compulsão pode se manifestar quando a criança que se sente pressionada se vê num momento de mais liberdade. O risco de exagerar aumenta.

"O raciocínio é o da dieta saudável. A criança deve entender que comer bem é um hábito que vai assumir permanentemente. Se ela faz num esquema de compensação, em prol de recompensas, não tem sucesso", alerta o endocrinologista Carlos Bruno. Mas ele também condena radicalismos. Shopping e festa de aniversário não são locais para reeducação alimentar e fast food não precisa ser banido, "duas vezes no mês seria sustentável", o que não vale é duas vezes por semana.

Se por um lado o esquema declarado de compensações não funciona, garantir a fruta na semana para liberar os salgadinhos da festa de aniversário, conduzindo o processo de forma natural, funciona. "A triagem tem que ser dentro de casa. Durante a semana, a criança ganha créditos para no fim de semana tomar uma coca-cola no churrasco", diz Thelmo Maia, educador físico.

E-MAIS

> Só sai da mesa quem comer tudo. Tudo bem, não é educado deixar comida no prato, mas as crianças levam algum tempo até encontrar a medida entre o olho e a barriga. Forçá-las a "limpar" o prato pode criar um hábito ruim.

> Não force a barra para a criança repetir o prato.

> O ideal é não tomar líquidos durante a refeição. Deixe o suco para outro horário, fora do almoço e do jantar.

> Não deixe as crianças comerem vendo TV. E dê o exemplo.

> Cuidado para não introduzir alimentos inadeqüados para crianças. "Já vi neném tomando coca-cola na mamadeira", diz o endocrinologista Carlos Bruno. Converse sempre com o pediatra. Algumas coisas podem ficar para bem mais tarde.

> Com a auto-estima abalada, muitas vezes excluídas de jogos e brincadeiras, crianças com sobrepeso acabam tendo na alimentação uma das poucas fontes de prazer. Vira um ciclo vicioso. Quanto mais engordam, mais comem e vice-versa.

> Quando a criança é pequena, até dá para convencê-la de que coca-cola é para adultos, mas quando ela desenvolve o raciocínio crítico, vai questionar por que o pai pode tomar refrigerante em plena terça-feira e ele não. A família toda tem que se reeducar.

> O índice de massa corporal (IMC) pode ser calculado de diversas formas. A mais simples segue a seguinte fórmula: divide-se o peso pelo quadrado da altura. O resultado deve estar entre 18 e 25, valores acima ou abaixo são sinal de alerta. Se o IMC pula de 18 para 24, também não é bom sinal, por isso é preciso monitorar periodicamente.

5 dicas para viver melhor

O Vigilantes do Peso tem um programa específico para crianças acima de 10 anos que desejam perder peso. Aqui estão algumas dicas do programa! Confira e ponha em prática.

1. O processo de emagrecimento não deve ser o principal foco da vida do jovem. Ele é apenas uma das várias atividades importantes do dia-a-dia.

2. Não sair de casa sem comer. A primeira refeição com leite, fruta, pão integral é a base do dia.

3. No almoço, é importante ter arroz e feijão, carnes, legumes e saladas, tudo com variedade para não enjoar.

4. No jantar é hora de fazer sanduíche natural com folhas, frios e frutas ou uma deliciosa sopa caseira.

5. Evite as gorduras saturadas dos salgadinhos em pacote, hambúrgueres, preparações fritas, doces, balas e alimentos industrializados que contém sódio.


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