Estima-se que cerca de 80% do dia-a-dia das pessoas são ocupados por rotinas que, embora reduzam o esforço intelectual, limitam o cérebro. Especialista diz que se dedicar a espiritualidade, a atividades sociais e intelectuais estimulam as funções cerebrais
04/10/2008 16:15
A rotina é um "veneno" para o cérebro, órgão que reage muito bem aos desafios. Portanto, para preservar as funções cerebrais por mais tempo, mesmo com o avançar da idade, é preciso fazer mais que as tarefas operacionais básicas como processar números, lembrar de endereços, da senha bancária. Para blindar o cérebro contra a demência, a dica é investir também nas atividades qualitativas como se dedicar à espiritualidade, engajar-se em trabalhos sociais.
O geriatra João Macedo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Centro de Atenção ao Idoso da instituição, diz que ter projetos é importante para desenvolver a sua capacidade cerebral e, nesse contexto, podem ser incluídas atividades intelectuais e sociais. Além disso, o médico acrescenta o contato do idoso com os jovens, o aprendizado de coisas novas. E alerta: "Automação não combina com saúde cerebral, mas pensar diferente, abstrair-se das situações que o aflige, refletir, dedicar-se à espiritualidade favorecem a mobilização das funções cerebrais que podem estar adormecidas no dia-a-dia." Na contra-mão dessa idéia, está ainda a rigidez mental.
Segundo ele, quando as conexões nervosas deixam de ser acionadas, as funções acabam se perdendo. Estudos realizados com idosos da Suécia e da China mostraram que quanto maior for a rede social vivida por uma pessoa na terceira idade, maiores são as chances de o cérebro se manter saudável e, conseqüentemente, há menos risco de desenvolver demência. Macedo ressalta que o idoso ao se retrair vai perder o seu arsenal de conhecimento. A angústia e a depressão são prejudiciais para o organismo como todo.
Estímulo
João Macedo ressalta que estímulo das funções cerebrais deve ocorrer desde cedo. Ele diz que é preocupante a forma como as escolas trabalham essa questão com seus alunos. "As escolas adestram os alunos para as provas e para passar no vestibular, mas se não investirem no pensar, em fazer os jovens refletirem, estão limitando a capacidade cerebral." O médico observa que o estudo é uma fonte importante de mobilização das funções cerebrais, mas não pode ser mecânico. "Caso isso ocorra, há pouca otimização do potencial cerebral."
Segundo o geriatria, quanto maior for a reserva cerebral, maior será a proteção contra as perdas estruturas e funcionais que se terá com o avançar da idade. Para que isso ocorra, ele diz que é importante que as novas gerações sejam estimuladas a pensar e aprendam desde cedo a usar plenamente as funções cerebrais. (Fátima Guimarães)
DICIONÁRIO
Memória
> O processo inteiro de armazenar, de reter e de recordar a informação.
Demência
> É a deterioração das funções intelectivas como memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento.
DE OLHO NO ALZHEIMER
Sintomas iniciais
Falta de memória;
Diminuição do tempo deatenção;
Problemas com matemática simples;
Dificuldade de expressar pensamentos;
Humor inconstante, variável e imprevisível;
Menos desejo de fazer coisas e conhecer pessoas.
Sintomas posteriores
Grande perda da memória;
Dificuldades para se vestir, comer, lembrar dos nomes de membros da família;
Mudança de humor e personalidade - explosões de ira, de insatisfação
e desconfiança;
Perda total de julgamento e concentração;
Incapacidade de completartarefas caseiras rotineiras e perda da habilidade
de se ocupar com a higiene pessoal;
Diferentes desordens, como reações a medicamentos, depressão, infecções
bacterianas, problemas renais e desnutrição.
ESTIMULE O CÉREBRO
> Use o relógio de pulso no braço contrário ao de costume
> Vista-se de olhos fechados
> Faça um novo caminho para ir para o trabalho
> Invista na sua espiritualidade
> Pare para pensar, refletir
> Aprenda coisas novas
> Dedique-se a atividades sociais
> Estimule o paladar comendo coisas diferentes
> Trocar de mão para escovar os dentes. Isso contraria a rotina, obrigando a estimulação do cérebro
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