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Agora Plutão é um plutóide

Ronaldo Rogério Mourão
Astrônomo


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04/10/2008 16:15


De acordo com a proposta apresentada durante a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional, em Praga, a 24 de agosto de 2006, o vocábulo sugerido para designar a nova categoria de objetos transnetunianos, do qual Plutão é o protótipo, foi o termo "pluton" (com p minúsculo), definido como um objeto cujo período de revolução ao redor do Sol fosse superior a 200 anos.

Submetido à votação o termo "pluton" não foi aceito pela maioria presente na Assembléia de Praga. De um lado porque esse vocábulo já vinha sendo utilizado em geologia para designar determinada massa de magma solidificada, e, por outro lado, o nome "Pluton" designava o próprio corpo celeste (ou seja, o ex-planeta recentemente qualificado como planeta anão), nas várias línguas européias inclusive no francês.

Durante a discussão, foi sugerida a expressão "objeto plutoniano" precisando que o dicionário Merriam-Webster qualificava de "plutoniano" o que é de Plutão, relativo à Plutão, característico de Plutão. Essa proposição (objeto plutoniano) foi rejeitada por 186 votos contra 180, quando se determinou que fosse estabelecido um estudo destinado a escolha de uma nova designação para esses objetos. Essa decisão constituiu a Resolução 6A dessa Assembléia Geral, intitulada "Definição da classe de objetos Plutão", protótipo de uma nova categoria de objetos transnetunianos.

Por ocasião da reunião do Comitê Executivo, em Oslo, em 11 de junho de 2008, a IAU decidiu-se pelo termo plutóide como designação para os planetas anões, semelhante a Plutão. Desde então, os plutóides são corpos celestes que giram ao redor do Sol em uma órbita de semi-eixo maior superior ao de Netuno, e que possuem uma massa suficiente para que a sua própria gravidade seja capaz de superar as forças do corpo rígido de modo que elas assumam a forma de equilíbrio hidrostático (quase-esférico), e que não tenham limpado as vizinhanças em torno de sua órbita. Os objetos dessa categoria são caracterizados por uma órbita muito inclinada e mais elíptica do que a dos oitos planetas tradicionais. No entanto, os satélites dos plutóides não devem ser classificados como plutóides.

Makemake
Até meados de julho de 2008, três planetas anões são oficialmente considerados como plutóides: Plutão, Éris e Makemake. Esse último foi detectado em 31 de março de 2005, a partir da observação realizada pelo Telescópio Espacial Spitzer, pela equipe dos astrônomos norte-americanos Michael E. Brown, Chadwick Trujillo e David Rabinowitz, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que já havia descobertos vários outros grandes objetos transnetunianos como: Quaoar e Sedna.

No entanto, a equipe anunciou a sua descoberta em 29 de julho de 2005. De início designado 2005FY9 e chamado informalmente Easter Bunny (Coelho da Páscoa), em virtude da sua descoberta ter ocorrido durante a Páscoa de 2005. Só em 13 de julho de 2008, ao ser classificado como planeta anão e plutóide, recebeu o seu nome definitivo (136472) Makemake, conforme as regras estabelecidas pela IAU para designar os objetos do Cinturão de Kuiper. Seu nome Makemake é uma alusão à divindade da criação tradicional de Rapa Nui (Ilha de Páscoa).

As dimensões de Makemake ainda não são conhecidas com grande precisão, mas as primeiras medidas estima-se entre 50% a 75% de Plutão, ou seja, 1.200 a 1.960 quilômetros de diâmetro. Se bem que ligeiramente mais luminoso, ele parece idêntico ao (136108) 2003 EL61, o que o faz que seja um dos maiores objetos do Cinturão de Kuiper detectados depois de Éris e Plutão.

A superfície de Makemake parece idêntica a de Plutão; seu espectro infravermelho indicou a presença de metano (CH4), como já havia sido detectado em Plutão e Éris. Nela, a quantidade de metano é superior a de Plutão, sugerindo que Makemake poderá ter uma atmosfera que só se revelará por ocasião de sua passagem pelo periélio.

O Makemake gira ao redor do Sol, descrevendo uma órbita fortemente inclinada e assaz excêntrica, num período de 308 anos terrestres.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, autor de mais 85 livros e articulista do O POVO.


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