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Ciência e Saúde

Doador de Órgãos

Por que doar faz bem

Fátima Guimarães
da Redação

A doação de órgãos e tecidos para transplante pode representar mais que um ato de amor, generosidade e de solidariedade. O Ciência & Saúde aproveita a data dedicada ao Doador de Órgãos, 27 de setembro, para mostrar por que é importante ser um doador


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27/09/2008 18:49

Há quatro anos, Nívea Maria ¿renasceu¿ com a doação de um coração. A história da vida dela foi contada em várias matérias publicadas no O POVO (Foto: TALITA ROCHA)
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Há quatro anos, Nívea Maria ¿renasceu¿ com a doação de um coração. A história da vida dela foi contada em várias matérias publicadas no O POVO (Foto: TALITA ROCHA)

O cérebro já está morto. É a chamada morte encefálica, esse processo não tem volta, é irreversível. Mas o coração ainda bate. Tudo a custa de drogas e porque o paciente está tendo o suporte de aparelhos. Sem esses recursos, em questão de horas, o coração pára, e conseqüentemente, os demais órgãos entram em falência. Quando isso ocorre, com exceção da córnea, os outros órgãos ficam inviáveis para o transplante. É a corrida contra o relógio da vida. Enquanto isso, em casa e nos hospitais, centenas de pessoas lutam contra o tempo na esperança de conseguir um coração, rim, fígado, pois é a única maneira de continuar vivendo e com qualidade.

Quem doa órgãos, tecidos, medula óssea e sangue, doa vida. No Brasil, cerca de 70 mil pessoas, entre elas, crianças e adolescentes, estão em fila de espera por órgãos e tecidos. Desse total, 902 fazem parte do cadastro da Central de Transplante de Órgãos e Tecidos do Estado do Ceará, que recebe pacientes de vários estados. No País, a maior demanda ainda é do rim, seguida da córnea e fígado. Em 2007, foram realizados quase 16 mil transplantes no Brasil, mas a fila é crescente e as doações não conseguem atender a todos que precisam e têm urgência.

Como no momento de dor pela perda de um familiar querido pensar em doar órgãos? É difícil. Mesmo assim, muitas famílias conseguem ser solidárias. No primeiro semestre deste ano, as doações de órgãos no Ceará cresceram 17%, mas ainda é preciso doar mais. A família de Marcos Antônio, vítima de acidente de trânsito, foi uma das que disseram sim à doação e colaboraram para a redução da fila de espera.

Quem recebe ganha uma nova oportunidade de viver. Foi o que aconteceu com Armando Barbosa do Carmo, 68, que ganhou de presente um coração depois de sete meses de espera. Isso foi no dia 15 de junho de 1999. "Antes do transplante, eu vegetava, pois me cansava com o mínimo esforço. Agora, levo uma vida normal. Eu renasci." Ele sofria de insuficiência cardíaca. No Ceará, de janeiro a agosto deste ano foram realizados 326 transplantes.

Quem espera doação vive o drama da incerteza, a de não saber se o órgão vai chegar a tempo. Em muitos casos, a demora pode significar a morte. Na fila, tem pessoas de todas as idades. Imagine como deve ser para uma criança ter de parar de estudar, de brincar, porque o coração está falhando e o cansaço não permite, ou porque tem de fazer sessões de hemodiálise durante quatro horas por dia, três vezes por semana? É o caso de Jennifer Vitória, 6, que se prepara para entrar na fila do rim, que já tem 246 doentes. "É um sofrimento grande pra toda a família," ressalta a avó da menina, Anterlene Magalhães.

Gesto de amor
Huygens Garcia, coordenador do Centro de Transplante de Fígado do Ceará, o Hospital Universitário Walter Cantídio (CTFCE/HUWC), diz que o ato de doar é o maior gesto de amor e de solidariedade que uma pessoa pode ter, pois mesmo sofrendo a perda, é capaz de pensar na dor de quem depende de órgão. Quando a doação não chega a tempo, os doentes hepáticos morrem na fila. Ano passado, foram 41 e de janeiro a agosto deste ano, 18 morreram esperando doação.

Para que mais pessoas sejam beneficiadas é necessária a colaboração de todos. Das famílias dos potenciais doadores e dos profissionais de saúde que estão nas emergências e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para que notifiquem os casos de morte encefálica. "Doar é um ato nobre de amor ao próximo, pois salva vida de uma pessoa que não se conhece", lembra o coordenador da Unidade de Transplante e Insuficiência Cardíaca do Hospital de Messejana, João David de Souza Neto.


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