O fumante passivo fica exposto aos mesmos problemas do fumante e ainda pode ficar dependente da nicotina
28/06/2008 13:59
O tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e para o consumo excessivo de álcool. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, em adultos, o risco de câncer de pulmão é 30% maior e de infarto do coração, 24% maior do que em não-fumantes que não se expõem. Já as crianças expostas têm maior freqüência de resfriados e infecções no ouvido, além de risco maior de doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite e exacerbação da asma.
Em bebês, existe um risco cinco vezes maior de morrerem subitamente, sem causa aparente, além de aumentar as chances de doenças pulmonares até um ano de idade. Ainda conforme o Inc a, quanto maior o número de fumantes na residência, maior o percentual de infecções respiratórias entre os bebês, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.
De acordo com a pneumologista Tânia Brígido, que trabalha no Programa de Controle do Tabagismo do Hospital de Messejana, o fumante passivo pode estar exposto aos mesmos problemas do fumante, dependendo do ambiente, se é fechado ou aberto, da quantidade de fumantes e de fumaça a que ele é exposto, entre outros fatores.
O pneumologista Jonathas Reichert, coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), explica que existem duas correntes de fumaça. A primária é aquela que o fumante retém através do filtro do cigarro. A secundária é a que queima espontaneamente na ponta do cigarro. “Esta tem concentração três vezes maior de nicotina e três vezes maior de monóxido de carbono”, disse. Segundo o Inca, tem até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.
No entanto, o cigarro ainda traz mais prejuízos ao fumante, já que ele está exposto às duas correntes de fumaça. “Mas se o fumante passivo continuar nesses ambientes, vai ficar dependente da nicotina e vai correr os mesmos riscos”. (Lucinthya Gomes)
EFEITOS NA SAÚDE DA CRIANÇA
Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, podendo ocorrer intoxicação em função da nicotina (agitação, vômitos, diarréia e taquicardia), principalmente em mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia.
Em recém-nascidos, filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia, observou-se acidentes mais graves como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada.
Estudos mostram que crianças com sete anos de idade nascidas de mães que fumaram 10 ou mais cigarros por dia durante a gestação, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: observou-se atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e cinco meses para a matemática.
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