28/06/2008 13:59

Aos 12 anos, Helena Ferraz, 52, teve a primeira experiência com o cigarro. No banheiro da escola, com os amigos, o novo conhecido representava um passaporte para o status. "Fumar era chique. E diziam que eu fumava muito bem, com elegância. Aí eu me envaidecia mesmo", recorda Helena. Pai e mãe, suas referências, também fumavam. Quando menos imaginava, ela se viu dependente. "Comecei a roubar o cigarro deles. Nem percebiam que eu fumava...", diz.
Aos 19 anos, grávida do primeiro filho, Helena conseguiu parar de fumar, por recomendação médica. Oito anos depois, veio a recaída e, dessa vez, Helena ganhava o passaporte para uma série de problemas. "Quando dei conta, estava totalmente dominada pelo vício outra vez". Helena teve bronquite crônica, suspeita de câncer e outras complicações.
Mas nem só a saúde foi afetada. Problemas sociais e de relacionamento começaram a fazer parte da rotina. "Meus filhos odeiam, não suportam cigarro. Eu fumava no mesmo ambiente em que eles estavam. Os fumantes são mal educados. Não respeitam a outra pessoa. Ouvir isso me agredia tanto! Hoje eu entendo. Quando me mandavam parar de fumar num lugar, eu brigava e dizia: 'Fumo! O ambiente não é seu'", admite.
Há quatro anos, Helena procurou ajuda no Hospital de Messejana. "Foi difícil, mas tive muita determinação, resignação, autoconfiança e resistência. A alimentação e atividade física ajudam, principalmente durante a síndrome da abstinência". Conseguiu parar de fumar sem ajuda de medicamentos, só com o acompanhamento de especialistas e com as atividades de grupo, realizadas no hospital. Hoje, ela diz que se sente livre e realiza trabalho voluntário no mesmo programa que lhe ajudou a superar o vício, trocando experiências com novos pacientes.
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