Lucinthya Gomes
da Redação
Os males causados pelo cigarro têm sido bastante divulgados, mas parar de fumar e manter-se não fumante ainda é um desafio. Especialistas garantem que, com tratamento e acompanhamento, as chances aumentam. O Ciência & Saúde traz histórias de quem conseguiu parar de fumar e se livrou dessa prisão
28/06/2008 13:59
Por volta dos 20 anos, a empresária Regina Martinho, 37, começou a fumar. A primeira experiência com o cigarro aconteceu ainda na adolescência. "A influência dos amigos foi um fator importante. Você vê adulto fumando, quer se auto-afirmar e, para isso, quer fumar também", diz. Mas, com o tempo, o organismo começou a sentir as conseqüências. "Eu pegava gripe com facilidade, tinha crise de garganta. Sabia que era por causa do cigarro". Em média, ela chegava a fumar mais de uma carteira de cigarros por dia. Consciente dos riscos à saúde, decidiu parar.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), pesquisas comprovam que 80% dos fumantes querem parar de fumar. De acordo com o pneumologista Ricardo Meireles, técnico da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, muitos acham que não são capazes. Por isso, ele enfatiza que o tabagista deve procurar ajuda, pois precisa de orientação. Síndrome de abstinência e dificuldades no dia-a-dia podem levar à recaída. Mas, segundo ele, com ajuda, o fumante tem como conhecer o próprio vício, criando estratégias para se livrar do cigarro.
Há cinco anos, Regina fez a primeira tentativa. Foram oito meses sem o cigarro. Numa noite com os amigos, voltou a tragar. "Voltei a fumar bebendo, durante uma farra. Quando você bebe, a vontade de fumar é instantânea", comenta. Por isso, decidiu mudar de postura. Para parar de fumar, se afastou também da bebida alcoólica, começou a praticar esporte e reduziu a quantidade de cigarros. "Praticar esporte é bom, porque dá disposição maior e diminui o interesse pelo cigarro". Especialistas recomendam ainda adotar uma dieta balanceada, beber bastante água e adotar hábitos saudáveis de vida.
Regina sabia que não seria fácil. Nas primeiras semanas sem o cigarro, sentia-se nervosa, alterada, pois o corpo sentia falta da droga. Era a síndrome da abstinência. "Mas a vontade passa. Durante um tempo, você vê os amigos fumando e o cheiro do cigarro ainda traz lembrança boa", admite, garantindo que hoje o mesmo cheiro incomoda. Há um ano, Regina está sem fumar. Sabe que, para se manter assim, tem que continuar se cuidando. "Eu tenho certeza que, se eu botar um cigarro na boca, vou abrir uma porta pra voltar fumar. Você tem que provar pra si mesmo que é mais forte que o vício".
A aposentada Vânia Alencar, 59, fumava desde os 14 anos de idade, até que a "brincadeira" perdeu a graça. "Eu entendi que não devia mais fumar". Os filhos não gostavam do cigarro e cobravam. Em alguns momentos, fumou três maços de cigarro por dia. Entre muitas idas e vindas, parou definitivamente há 12 anos e se sente livre do cigarro. "Hoje o cheiro é diferente, não sinto falta", garante.
O comerciante Francisco Rodrigues, 42, começou a fumar com 18 anos e não esperou que problemas sérios de saúde aparecessem para tomar uma atitude. Desde que parou de fumar, há dez anos, só vieram benefícios. "Você fica mais disposto pra acordar, o apetite melhora. Tudo é melhor. Quando você fuma, seu cabelo fede, seu hálito fede. Quando deixei de fumar, a saúde ficou mais resistente", enumera. Para Rodrigues, parar de fumar é contagioso. Depois que conseguiu, já aconselhou vários amigos e "muitos deixaram".
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