Fátima Guimarães
da Redação
O padrão dietético vegetariano se caracteriza por não incluir produtos de origem animal nas refeições. Especialistas ressaltam que uma dieta equilibrada mantém o bom funcionamento do organismo e alertam para o perigo das práticas radicais
21/06/2008 15:13
Forte, vigoroso, saudável. Esse é o significado em latim de vegetus, que deu origem à palavra vegetariano. Mais que um padrão dietético segundo o qual nada que implique em sacrifício de vidas animais deva servir à alimentação, é um estilo de vida. Há adeptos dessa prática, que além de não comerem qualquer produto de origem animal como carnes, ovos, leite, também não usam produtos resultado do seu sofrimento como lã, couro, seda e ainda os testados em animais como medicamentos, perfumes, xampus.
Nem todo vegetariano mantém uma dieta igual. O ovo-lacto-vegetarianos consome cereais, leguminosas, verduras, frutas, laticínios e ovos, mas exclui carne, peixe e aves. Os vegan ou veganismo mantêm uma dieta mais restritiva, pois eliminam totalmente do padrão alimentar ovos, leite e derivados e outros produtos de origem animal. Essa prática é ao mesmo tempo um tipo de dieta e uma filosofia de vida. Além da restrição alimentar, também não usam medicamentos e cosméticos testados em animais. A universitário Yvanna Guimarães, 19, há dois anos é ovo-lacto-vegetariana, mas se prepara para ser vegana. "Hoje preparo e cozinho meus alimentos."
A professora da disciplina de nutrição alternativa do curso de ciências da Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor), Armênia Uchoa de Mesquita, diz que o equilíbrio, a harmonia de qualquer dieta é o que determina a manutenção do bom estado nutricional e a prevenção de doenças crônicas degenerativas como cardiopatias, diabetes, doenças neurológicas. "A natureza é equilíbrio e o homem faz parte dela. Portanto, a dieta deve ser equilibrada e práticas alimentares radicais não são coerentes com a natureza."
Bom senso
Como em qualquer dieta alimentar é importante saber dosar as quantidades e compor o prato com os nutrientes essenciais para o organismo. Nutricionista e especialista em dietoterapia, Cristina Praciano ressalta que é preciso ter bom senso e evitar dieta radicais que podem causar prejuízos irreversíveis à saúde. Ela lembra que a deficiência de nutrientes pode deixar a pessoa mais suscetível a doenças.
Dieta não é como receita de bolo. Para cada pessoa ela é única, pois varia de acordo com fatores como idade, sexo, atividade, cidade onde mora, estilo de vida, objetivos. Mestre em saúde pública, Armênia Mesquita acrescenta que o recomendado para quem é vegetariano ou pretende ser adepto é procurar orientação de um profissional para que elabore uma dieta equilibrada e que respeite a prática alimentar. A médica homeopata Erotilde Honório diz que não existe dieta perfeita, seja macrobiótica ou vegetariana, e também defende o equilíbrio na hora de escolher o que vai comer. "Todo radicalismo tem prejuízos".
Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e coordenadora para a América Latina da União Vegetariana Internacional, observa que a dieta vegetariana não traz prejuízos à saúde. "O que não quer dizer que vegetarianos não possam contrair deficiências ou adoecer. Aliás, onívoros (que se alimentam tanto de carne como de vegetais) também contraem doenças e deficiências alimentares".
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