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Ciência & Saúde

EXEMPLO

"Célia dinossauro"

Portadora de OI, a professora Célia Bastos é um exemplo de vida. Por sentir na pele o que os pacientes sofrem, ela auxilia muitas crianças no tratamento e no processo de aceitação da doença por parte das mães


22 Jul 2006 - 16h07min

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CÉLIA BASTOS:
Ao folhear o álbum de fotografias das crianças que já ajudou, a professora Célia Regina Bastos vai relembrando as histórias e momentos que passou com cada uma delas. Portadora de Osteogenesis Imperfecta (OI) tipo III, ela faz questão de viver muito bem e é voluntária no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), onde ajuda crianças e adolescentes com OI. "Me auto-denomino Célia Dinossauro, pois já tenho 52 anos de OI. Sou uma sobrevivente e amo a vida", diz. Célia relata com orgulho que dirige e vai para qualquer lugar em seu carro adaptado, faz natação e anda com auxílio de muletas. "Consigo nadar até uma hora sem parar".

No entanto, ela lembra que passou por muitas dificuldades quando era criança. "Vivia engessada. Cheguei uma vez a ficar seis meses com gesso por causa de uma fratura. Mas tive uma vida praticamente normal. Saía para as festas e curti muito o colégio". E Célia não reclama. Pelo contrário, agradece a Deus por seus pais terem conseguido tratá-la da melhor forma possível, mesmo com problemas financeiros. "Quem convive com pessoas que têm OI, passa a aprender muito mais sobre a doença, muitas vezes, até mais que os especialistas. Na minha família isso foi mais intenso, pois uma das minhas irmãs também tem OI".

Graduada em Farmácia e mestre em Química Orgânica, Célia nunca perdeu um ano de estudo e se formou e se aposentou em tempo normal. "Na época em que mais existia preconceito, consegui vencer e ter minhas atividades de vida diária (AVD) como uma pessoa qualquer". E é para que crianças portadoras de OI tenham direito a ter também atividades normais, Célia luta e ajuda até mais do que pode. Exemplo de vida, ela publicou um depoimento sobre a história de sua vida num site na Internet, logo que a rede começou a se tornar popular. "Pessoas de todo o Brasil me procuraram. Foi incrível. Aquilo me fez perceber que poderia ser mais feliz se ajudasse as pessoas que têm OI".

Depois disso, em dezembro de 1999, ela ajudou a criar a Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta (Aboi). Hoje, Célia é a representante do Norte e Nordeste na entidade. Com isso, o grupo conseguiu a distribuição gratuita do medicamento Pamindronato Dissódico, que tem a função de diminuir as fraturas e as dores. "Hoje, estou mais entusiasmada, mais otimista com o tratamento. Sou voluntária, compro brinquedinhos e balões, para auxiliar no desenvolvimento pulmonar das crianças. Além disso, converso com as mães e estimulo sempre, para que elas não desistam", diz.

Ela aproveita para fazer um apelo a quem gosta de ajudar. "Precisamos de mais pessoas comprometidas, que usem o tempo livre, por menor que seja, para estar com essas crianças. Esse é meu trabalho, minha missão de Deus, mas não posso fazer sozinha".
(Yanna Guimarães)


SERVIÇO
Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta (OI) no Ceará: (85) 3265-1989

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