Mariana Toniatti
enviada a Paracuru
De acordo com estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que mediu o desenvolvimento econômico de todos as cidades do País, Paracuru teve uma das melhores avaliações em saúde e educação
30/08/2008 00:56

A escola Professora Maria Eliza Magalhães fica na beira da estrada, no distrito Sítio Inglês, pertinho da sede do município de Paracuru, a 101 quilômetros de Fortaleza. Pequena, tem quatro salas de aula e uma cantina. É simples, mas organizada, enfeitada com cartolinas coloridas e capricho das professoras. De manhã, os alunos são crianças de até sete anos, à tarde adolescentes e à noite, adultos em alfabetização. Na parede, a agenda das consultas no posto de saúde do distrito fica à vista. A equipe do Programa Saúde da Família (PSF) ocupa a sede da associação, a poucos metros. De segunda a sexta-feira, médico, dentista e enfermeira trabalham em dois turnos atendendo à população, mas para hipertensos, gestantes e pacientes acompanhados pela nutricionista, as consultas são marcadas.
Em Paracuru, saúde e educação estão bem cotados no estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) mede o desenvolvimento econômico de todos as cidades do País. Pelo levantamento, o município cearense apresentou o segundo melhor índice geral, tanto na pesquisa feita com dados da 2005 quanto no estudo de 2000. Na área da educação, passou de Fortaleza, e ficou em primeiro lugar em 2005, última pesquisa. Na escola visitada pelo O POVO, os alunos têm reforço escolar, a merenda é preparada por nutricionista e dentistas fazem visitas de seis em seis meses.
A professora Auxiliadora Alves de Souza diz que outro ponto positivo é que o pagamento do salário não atrasa. "Deveríamos ganhar mais, mas o fato de recebermos em dia ajuda. Temos crédito no comércio. Antes sofríamos muito com salário atrasado". Os salários variam de R$ 380,00 até R$ 600,00 já com os descontos. Dependem de nível superior, pós-graduação e tempo de serviço.
O padre José Wilson Freitas César, recém chegado a Paracuru, tem tido boa impressão. "Não escutei nenhuma reclamação, pelo contrário, tenho ouvido que a educação e a saúde melhoraram muito", diz. A chegada do atendimento básico nas comunidades afastadas da sede mudou a saúde na cidade. Segundo o Município, 12 postos de saúde foram construídos na zona rural e cinco na sede. Além disso, 16 carros ficam espalhados nas localidades para levar o paciente até o hospital municipal para procedimentos mais complexos ou emergências. Emanoel Souza, nascido e criado em Paracuru, diz que a distribuição de medicamentos também está em dia. "Quando falta na secretaria (de Saúde), eles mandam comprar lá no Centro, mas sem remédio a gente não fica", conta.
Qualificação
Mas se a educação e a saúde estão bem avaliados pelo Sistema Firjan, o mesmo não acontece com os índices de emprego e renda na cidade, também avaliados pelo estudo. A situação, de acordo com o levantamento, é "regular". Entre os moradores, as reclamações recaem sobre a falta de empregos. "Não temos fábricas", queixa-se Francisca Lima. A fala dela encontra eco em todo canto. "O que mais querem é arrumar uma firma de calçados, por exemplo", diz o prefeito José Ribamar Barroso Batista (PT). "Mas não temos matéria-prima, já tentamos trazer, não dá", justifica. Muita gente também reclama da ausência de programas de capacitação profissional.
"Emprego com salário bom precisa de qualificação. Temos a plataforma da Petrobrás aqui, mas o trabalhador vem de fora", reclama Euclides Cavalcante, 43, garçom. Segundo o prefeito, o município dá ajuda de custo para jovens que querem fazer o curso de capacitação da Petrobrás em Fortaleza e Natal, mas não há previsão de ofertar essa ou outra capacitação profissionalizante em Paracuru, mesmo com a geração de empregos prometida pelo complexo do Pecém, que fica próximo ao município.
O turismo é outra atividade que traz boas perspectivas para a cidade de praia. Com a descoberta de Paracuru pelos kitesurfistas, a presença de estrangeiros, principalmente franceses, é constante no segundo semestre, época de vento. Mas nisso também falta investimento em qualificação, segundo Euclides. "Houve uma mudança radical no perfil dos turistas. A maioria das barracas de praia são de nativos, resistentes às mudanças. O turista está mais exigente", diz.
A urbanização da orla, que incluiu a construção de um farol e de um mirante, faz parte da tentativa de atrair o "turista de um dia". O prefeito quer construir uma barraca de praia com estrutura para "centenas de clientes diários". A idéia é arrendar o espaço. "Mas está difícil conseguir terreno na beira da praia", diz Barroso.
E-Mais
O carro-socorro não é uma ambulância. É um veículo normal que transporta moradores da zona rural para a sede do município em dia de consulta na sede ou em emergências. São 16 ao todo.
Em Paracuru, os médicos do PSF recebem R$ 5.100,00, enfermeiras e dentistas ganham R$ 2.100,00. Todos trabalham 40 horas semanais e moram no município, pelo menos de segunda a sexta-feira.
Pacientes que fazem hemodiálise são levados para Fortaleza em vans municipais. Quem precisa fazer um exame mais complexo na Capital, segue em transporte cedido pelo município.
Paracuru recebeu o Selo Unicef de Educação duas vezes e espera receber novamente este ano. O município de 30.535 habitantes tem 42 escolas municipais.
PARACURU
Os índices vão de 0 (pior) a 1 (melhor)
Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM): 0,6973
Emprego e Renda: 0,5752
Educação: 0,7665 - moderado
Saúde: 0,7503 - moderado
ENTENDA A SÉRIE
Na última sexta-feira, O POVO trouxe um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) que avalia o desenvolvimento das cidades brasileiras com base em indicadores de saúde, educação, emprego e renda no Ceará entre os anos de 2000 e 2005. Comparando os dois períodos, o Ceará apresentou melhor desenvolvimento social, 15,85% superior, mas ainda abaixo da média nacional, que é de 19%.
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