Rita Célia Faheina
da Redação
Um diagnóstico do uso e gestão dos recursos hídricos no Ceará está sendo discutido no I Encontro do Pacto das Águas que se realiza está amanhã no Centro de Treinamento do Banco do Nordeste, no Passaré
28/08/2008 00:16

"Água é ainda instrumento de poder local e este poder impede a democratização do seu acesso. Percebe-se esse fato, por exemplo, em alguns programas que alocam e implantam cisternas. As intolerâncias políticas (indústria da seca) dificultam o desenvolvimento dos programas realmente eficazes e estruturantes para substituir os carros-pipa que permanecem em quantidade excessiva e cujo controle público e vigilância sanitária da água distribuída são deficientes". Esse é um dos tópicos do documento preliminar sobre o Cenário Atual dos Recursos Hídricos do Estado, diagnóstico feito por participantes de 96 instituições que compõem o Pacto das Águas.
As discussões sobre o mapeamento das águas do Ceará começaram ontem no I Encontro Estadual do Pacto das Águas que só termina amanhã, no Centro de Treinamento do Banco do Nordeste, no Passaré. Na abertura, o secretário executivo do Pacto, Eudoro Santana, explicou que são oito núcleos de discussão. "Estamos realizando uma coisa muito difícil porque não é só um seminário ou um fórum, mais um trabalho meticuloso". Segundo ele, foram realizadas, em um ano do pacto, mais de 30 reuniões e oito seminários.
Para Eudoro Santana, a preocupação de todos é com os cuidados que se deve ter com a água: problemas como a poluição e a contaminação. Ele diz que o pacto conta com um suporte de profissionais como cientistas, consultores e foram feitos convênios com o Governo do Estado e outras instituições. "Esse sacrifício de estar sempre discutindo (a questão da água) é compensador. Diante do quadro internacional, estamos no caminho certo com o envolvimento de toda a sociedade. Esse encontro vai ser importante para a revisão do documento e, no final, identificar os grandes desafios dos recursos hídricos no Ceará".
O presidente da Companhia de Gestão do Recursos Hídricos (Cogerh), Francisco José Teixeira, diz que o órgão já tem preocupação com a gestão da qualidade da água. "Temos o vício de olhar para a falta quantitativa da água, mas avançamos muitos e contamos com grandes estruturas como o açude Castanhão, demais barragens e poços". Teixeira disse que a distribuição por carros-pipa ainda vai perdurar por muito tempo.
"Pode-se ter a água do carro-pipa, mas que seja água tratada. A grande preocupação é essa: com a qualidade da água", insiste. Para ele, outro grave problema é a questão do lixo que não é coletado de forma correta e atinge os mananciais. Ele defende uma campanha para a construção dos aterros sanitários. O presidente da Cogerh foi um dos que assinaram o convênio entre a Agência Nacional de Águas (ANA). Também assinaram, Daniel Moreira, secretário-adjunto da Secretaria de Recursos Hídricos e representantes de outros órgãos governamentais.
SAIBA MAIS
O documento preliminar intitulado "Cenário Atual dos Recursos Hídricos no Ceará" é o resultado das contribuições de 96 instituições envolvidas nas atividades do Pacto das Águas por meio do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembléia Legislativa do Ceará (AL).
Os membros do Pacto das Águas participaram de oito seminários no primeiro semestre deste ano. Apontaram, entre outros problemas, o desperdício de água tratada, a falta de planejamento na distribuição, o pouco incentivo à pesca artesanal e a não-universalização da oferta.
Para mais informações sobre o documento, acesse o site: www.al.ce.gov.br/conselho/pactodasaguas/ ou envie um e-mail para pactodasaguas@al.ce.gov.br. O telefone é (85)3247 5239
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